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144 mil toneladas: esta é a quantidade de açúcar que o Brasil quer retirar de alimentos e bebidas

Depois do sódio e da gordura transformada, chegou a vez dos produtos açucarados sofrerem com as políticas públicas brasileiras. Com o intuito de mudar os hábitos de alimentação da sociedade, o governo assinou, no dia 27 de novembro (2018), um acordo que estabelece como meta reduzir 144 mil toneladas de açúcar de diversos alimentos e bebidas: bolos, refrigerantes, biscoitos, achocolatados, etc..

 

Segundo o comunicado divulgado pelo Ministério da Saúde brasileiro, o país da América Latina pretende diminuir a percentagem de açúcar dos alimentos industrializados até 2022. O acordo assinado pelo ministro da Saúde, Gilberto Occhi, vai seguir o mesmo modelo de ação utilizado na política de redução do sódio, que foi capaz de retirar mais de 17 mil toneladas do mineral dos alimentos processados, ao longo de quatro anos.

 

Tendo em conta os produtos com uma maior quantidade de açúcar, os biscoitos e os lácteos (iogurtes, batidos, etc.) serão os alvos principais das novas medidas, com a meta de retirar 62,4% e 53,9% de carboidratos cristalizados da sua composição, respetivamente. Para os bolos, a meta de diminuição é de 32,4% e para as misturas para bolos é de 46,1%. Já nos produtos achocolatados, a meta de redução será de 10,5% e as bebidas terão uma diminuição de 33,8% do teor de açúcar.

 

Os valores de redução podem parecer drásticos, mas são encarados como “necessários” pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Segundo esta entidade, os brasileiros consomem 50% mais de açúcar do que o recomendado. Por dia, isto significa que cada elemento da população consome, em média, 18 colheres de chá de açúcar – correspondendo a 80g por dia -, quando o recomendado é de até 12 colheres. Deste total, a grande maioria dos açúcares (64%) é adicionada pelos consumidores aos produtos industrializados (que por si só, na sua grande generalidade, possuem açúcares em excesso).

 

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A alta percentagem de açúcar, presente nos alimentos industrializados, já tem impactado no aumento das doenças crónicas não-transmissíveis. Por exemplo, a diabetes cresceu, na última década, 54% no sexo masculino e 28,5% no sexo feminino. Além deste quadro clínico, a obesidade, que se relaciona com o consumo de açúcar e gorduras saturadas, também tem aumentado. Atualmente, a taxa deste problema cresceu mais de 60%, atingindo um em cada cinco adultos.

 

A monitorização da redução de açúcar dos alimentos será realizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), sendo que a sua primeira análise será elaborada no final de 2020. Desta medida política, fazem ainda parte a Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (ABIA), a Associação Brasileira das Insdústrias de Refrigerantes e de Bebidas Não Alcoólicas (ABIR), a Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães e Bolos Industrializados (ABIMAPI) e a Associação Brasileira de Lacticínios  (Viva Lácteos).

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