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A brasileira que quer revolucionar o comércio eletrónico em Portugal

Chama-se Vanessa Caldas e tem 37 anos. Nasceu no Brasil, é filha de mãe brasileira, mas grande parte da sua família é portuguesa. Por isso, a relação com Portugal foi inevitável e começou muito cedo – mais cedo ainda que a sua carreira no empreendedorismo. Aos 19 anos teve o seu primeiro negócio, uma cafetaria, que hoje lhe serve de exemplo, tal como outros, para explicar o “porquê” da necessidade de ajudar empresas e empreendedores a nível global. Numa entrevista exclusiva à Conexão Lusófona, Vanessa deixou algumas notas importantes sobre o seu percurso e, acima de tudo, sobre como acredita no potencial português dentro do mercado online.
 
Não seria justo dizer que tudo começou em 2015, tendo em conta que a empreendedora brasileira já estava familiarizada com o mundo digital e o comércio eletrónico  há bastantes anos, mas foi nesse ano que se mudou para São Francisco com a sua família. Em terras americanas, ficou claro que o seu novo caminho não iria estar voltado para start-ups, uma vez que já havia muito trabalho a ser feito nesse sentido e “no final, o resultado não era realmente gerar negócios e empresas reais para sair dali”, clarificou Vanessa. Surgiram, assim, os primeiros rasgos do projeto que hoje conhecemos como E-Commerce Experience, que se propõe a criar um ecossistema de partilha de conhecimentos e experiências a respeito do comércio eletrónico. A ideia fundamental é ajudar as empresas que já existem no mercado a estabelecer um crescimento estável dentro do mundo digital, visto que ainda existe pouca preparação para essa área em muitos locais.
 

Quando criei o modelo [da E-Commerce Experience], ele foi já pensado para levar para outros países, porque eu acredito muito nas conexões, que é algo que já existe muito internamente no Brasil, e eu queria fazer isso sem restrições geográficas”.
— Vanessa Caldas

Chegado o ano de  2017, a E-Commerce Experience saiu do papel e estreou-se, mundialmente, em território brasileiro. Juntamente com o fundador da E-Commerce Brasil, Tiago Baeta, Vanessa lançou a iniciativa e rapidamente percebeu que os resultados da experiência seriam capazes de revolucionar o trajeto de algumas empresas. Além disso, o objetivo do projeto sempre fora fugir às limitações geográficas convencionais e  espalhar conhecimento sobre comércio eletrónico a nível global. Assim nasceu o cenário perfeito para “migrar” a ideia e implementá-la do outro lado do oceano.
 

Porquê Portugal?

Embora não goste de mencionar as várias percentagens de crescimento que verificou no contexto brasileiro, para evitar criar expectativas irrealistas nas indústrias portuguesas que irão participar nesta primeira edição em Portugal, Vanessa acredita que o país tem um potencial gigante; não só porque serve “de base para a Europa” como, também, pelo facto de existir uma cultura muito maior no que toca aos processos de internacionalização, com empresas que vendem exclusivamente para o mercado externo. Claro que, para existir crescimento e desenvolvimento do e-commerce, é preciso “fazer acontecer”, como a empreendedora gosta de mencionar.

 

As empresas que estão aqui não têm essa restrição geográfica como tem o Brasil, porque  podem vender para a Europa inteira. Então, hoje eu vejo a audiência e o potencial de Portugal como muito maior, até, que o Brasil”.
— Vanessa Caldas

Portanto, é seguro dizer que não foi apenas a ligação familiar que trouxe Vanessa até aqui. A lacuna do mercado português foi um dos principais motivos para esta expansão que, e é importante referi-lo, não pretende ficar por aqui. O futuro geográfico da “experiência” ainda é incerto, mas a brasileira referiu que um regresso à cidade de São Paulo, onde foi a primeira edição, e um novo alargamento até a outro país são duas das equações que estão a ser estudadas. Ainda assim, Vanessa quis reforçar que o “mais importante, agora, é conseguir trazer tudo o que o Brasil já fez de importante, o que acertou e o que errou, e compartilhar essas experiências” dentro do contexto português. A empreendedora garantiu também que, independentemente da expansão do programa para outras zonas do globo, Portugal será uma base do mesmo e receberá, todos os anos, uma nova edição.

 

Veja o vídeo da E-Commerce Experience 2017:

 

 

O que podemos esperar da E-Commerce Experience 2018

A segunda edição da “experiência” arranca em setembro, em Lisboa, e conta com o apoio de várias empresas e instituições importantes, como a AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal), a LISPOLIS (Associação para o Pólo Tecnológico de Lisboa), a Universidade Nova de Lisboa e a GoogleVai decorrer ao longo de seis meses, dividida por encontros semanais aos quais as empresas selecionadas poderão assistir, sem qualquer limite numérico de funcionários. Isto significa que as empresas poderão levar todo o seu staff, se assim o entenderem, o que permitirá uma difusão de conhecimento realmente significativa e com impacto no maior número de pessoas possível – tal como Vanessa sempre desejou que acontecesse.

 

Nesses encontros, e seguindo as palavras de Vanessa, vão acontecerworkshops, mentorias, palestras, bate papo, visitas técnicas”, entre outros pequenos eventos. As visitas permitirão dar a conhecer alguns departamentos de empresas bem consolidadas, conversar com os profissionais na primeira pessoa e aumentar o conhecimento que a “experiência”, por si só, já terá alimentado previamente. A empreendedora garante que há “grandes operações dentro do programa”, com pessoas extremamente experientes e com uma grande bagagem de know-how sobre o mercado europeu. No total, serão 25 encontros e 20 empresas participantes: 10 de grande nome e dimensão no mercado português (como a Delta, a Worten e O Boticário), que foram convidadas pela organização, e outras 10 PME (Pequenas e Médias Empresas), selecionadas entre centenas de candidaturas. Veja um dos vídeos de divulgação da iniciativa em Portugal aqui.

Abertura oficial do evento em Portugal. Painel especial com Bernardo Correia, Rafic Daud, Pedro Santos, Jorge Silva Martins e João Dias (Imagem: Reprodução E-Commerce Experience 2018)

É muito importante reforçar que a E-Commerce Experience não é um curso, não há professores nem aulas. A base do programa é partilhar experiências, sejam elas boas ou ruins. [Os palestrantes] São pessoas que já fizeram acontecer, grandes profissionais do mercado que já tiveram essas experiências, e vêm partilhar”.
— Vanessa Caldas

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