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Artista fala de pintura como forma de empoderamento

A mineira Letícia Mercier cresceu cercada pela arte e pela pintura. Desde pequena, ela foi estimulada pela família e pelos colégios em que estudou a prosseguir com o seu trabalho artístico. Isso lhe rendeu uma carreira que, hoje aos 29 anos, é muito mais do que um trabalho: é um estilo de vida.

 

Na arte, Letícia encontra uma forma de empoderamento. “O universo referencial de cada um é resultado de experiências únicas e íntimas que não se repetem e nem são iguais a nenhum outro indivíduo. Significa que somos seres únicos em nossas existências e experiências individuais”, contou a artista ao portal da Conexão Lusófona.

 

Com isso, ela quer dizer que a arte pode ser uma maneira de expressão de posicionamentos e ideologias. Através dos seus quadros, ela encontra forma de inclusive falar de demandas sociais.

 

“Em um segundo momento, quando o produto final artístico atinge o público, empodera indivíduos que sentem identificação com a obra realizada. No caso do segmento de pintoras mulheres, empodera-as por mostrar que deve haver maior igualdade de oportunidades para elas, por possuírem algo importante a dizer sobre o seu tempo e se destacarem por posições ativas em suas comunidades”, complementou.

 

Apesar disso, Letícia faz parte de uma geração de artistas que ainda luta com esforço para divulgar seu talento, porém não consegue viver apenas disto. Ela ainda conta com outras fontes de renda e de trabalho profissional, mas revela que há possibilidade de evoluir.

 

“O mercado para artistas jovens depende muito da pró-atividade e busca por parcerias com espaços que acreditam em formatos diferenciados e abrangentes. Vejo que a história pessoal do artista, hoje em dia, leva mais valor agregado a produção final pois as pessoas gostam de entender os pormenores das trajetórias pessoais até o momento em que a obra foi realizada”, explicou.

E quem está começando?

Para os jovens artistas que estão começando a se lançar no mercado, a mineira deixa um recado: “Acredito que o artista que está começando agora precisa olhar para dentro de si e tentar compreender quais são suas verdadeiras intenções a serem expressadas pela arte. Arte vazia, sem questionamentos e reflexões, não adiciona em nada no mundo atual.”

 

Suas pinturas de autorretrato com técnica abstrata têm recebido bastante atenção das redes sociais. E isso não acontece à toa. Letícia é disciplinada e conta com uma rotina diária com horários estipulados de trabalho.

 

Uma série de pinturas sobre a mulher afro-brasileira, idealizada em 2013 e apresentada em 2017, tornou a artista ainda mais popular. “O processo criativo da série de retratos busca mostrar a essência da mulher negra, fugindo de estereótipos retratados em escolas artísticas anteriores que focavam na sexualidade e fugindo também das pinturas históricas escravistas”, revelou. Para ela, o objetivo desse trabalho foi ainda mais profundo, pois permitiu “comemorar o papel social dessa mulher independente, empoderada e livre que não mais abaixará a cabeça para papéis engessados”.

Projeto Suicídio Ameno

Além das pinturas, Letícia também participa de projetos musicais. Os amigos dela, João Felipe Parreiras e Igor Luís Santos, criaram uma canção e usaram as obras de Letícia para compor o videoclipe.

 

“A música foi inspirada no livro O Lobo da estepe, de Hermann Hesse, e o videoclipe mostra um pouco da criação da tela Infinitude, exposta da galeria Meu BB no Rio de Janeiro”, relatou.

 

O resultado é uma combinação impressionante de imagens e sons, bastante poéticos. Confira abaixo!

 

 

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