Política

A Conexão esteve na Assembleia a propósito do ano da CPLP para a Juventude

Durante a Cerimónia de Abertura do ano da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) para a Juventude, no dia 30 de janeiro (2019), estiveram presentes figuras políticas de relevo para o circuito lusófono. O evento, que teve lugar na Assembleia da República de Portugal (em Lisboa) contou, também, com a participação de algumas instituições e organizações da comunidade. Neste encontro, também a Conexão Lusófona (CL) teve oportunidade de apresentar parte da sua matriz e deixar algumas considerações.

 

A sessão iniciou após o contributo do vice-presidente da Assembleia da República, Jorge Lacão. No seu discurso, o político português não deixou de assinalar as grandes prioridades do ano da CPLP para a Juventude. Entre elas, os destaques focaram-se na questão da mobilidade entre os países da comunidade, nomeadamente no que à residência diz respeito; no reconhecimento académico e curricular do estudante lusófono por parte dos demais estados-membros; e na portabilidade dos direitos sociais.

 

Além desses pontos-chave, Lacão mencionou o desejo de ver a construção de programas de mobilidade académica, seguindo os moldes do que acontece no contexto da União Europeia com o Pograma Erasmus. Mais do que isso, o político português defendeu a criação de um estatuto comum para o cidadão lusófono, por meio do qual a comunidade se tornaria mais universal e cosmopolita. Difícil de concretizar, mas igualmente possível, segundo as considerações do vice-presidente da Assembleia, seria a criação de um canal universal de televisão. A emissão seria acessível para todos os países de língua portuguesa e teria a mesma programação.

 

Também Francisco Ribeiro Telles, secretário executivo da CPLP, realçou a mobilidade jovem como grande prioridade do agregado político. Carlos Monteiro, secretário de Estado para a Juventude de Cabo Verde (em representação da presidência da CPLP no período 2018 – 2022) referiu que as novas gerações não terão apenas um ano dentro da comunidade, mas toda a “a próxima década”.

 

A Cerimónia de Abertura do “Ano da CPLP para a Juventude” realizou-se no dia 30 de janeiro de 2019, na Sala do Senado da Assembleia da República de Portugal (Imagem: Reprodução Flickr)

O contributo da Conexão Lusófona

A Conexão Lusófona foi convidada a participar neste encontro. Laura Vidal, fundadora e atual presidente do projeto, fez uma breve apresentação acerca do mesmo, não deixando de lado as problemáticas que ainda existem na comunidade. “Podemos ter muitos intercâmbios, mas não temos tanta integração quanto isso”, referiu.

 

“Enquanto geração que nasce num contexto em que os países estão já na sua pós-independência, sentimos que estávamos preparados para tentar não deixar cair o projeto da CPLP.  Não queremos deixar de regar e de germinar esta semente de comunidade — para podermos torná-la mais forte, no presente e no futuro”.Laura Vidal, fundadora e presidente da Conexão Lusófona

 

A CL nasceu, portanto, da vontade de criar uma verdadeira comunidade jovem, com o objetivo de sustentar uma consciência lusófona que ainda não existe. “Percebemos que era urgente desenvolver um sentimento de pertença e de identificação junto das novas gerações”, disse Vidal, relembrando que muita da juventude dos países que integram a CPLP não sabem, na prática, o que isso significa.

 

Alguns dos projetos da Conexão mereceram destaque na apresentação, por viabilizarem tão bem a mensagem que se pretendia construir aquando da sua formação. A Academia da Conexão, que funciona num formato de retiro e tem como missão juntar jovens e agentes multiplicadores das mais variadas áreas (artística; empreendedorismo social; associativismo), é exemplo disso mesmo. Com este género de iniciativas, a CL consegue colocar as pessoas em contacto, para que se possa pensar em perspetiva comunitária e multiplicar conhecimento.

 

No campo cultural — e até porque “não se sente a comunidade se não a experimentarmos no seu ponto de vista sensorial”, como mencionou a fundadora —, o papel da CL também é importante. O Festival da Conexão, que já teve quatro edições, serviu precisamente o propósito de realçar a cultura da mesma, mais concretamente a música lusófona. Este projeto era constituído por um concerto, feito com a juventude e em parceria com artistas lusófonos, de várias nacionalidades e gerações. Até ao momento atual, já foram recebidos mais de 35 artistas, em noites que chegaram a acolher cerca de 5 mil pessoas.

 

Além destas duas iniciativas, a Conexão encontra-se a viver um projeto muito especial: o do seu portal jornalístico. Apoiado pelo programa “Portugal Inovação Social” e pelo Fundo Especial da CPLP (sendo este último financiado pelo Camões — Instituto da Cooperação e da Língua), este projeto pretende aumentar a representatividade dos temas lusófonos. “Percebemos que não bastava fazer eventos offline; o mundo hoje é online e a nossa comunidade está separada geograficamente”, comentou Vidal a respeito da criação da plataforma.

 

Um dos objetivos primordiais está relacionado com a ambição de ter um portal que trabalhe “24 sobre 24 horas e feito pelos próprios jovens”, de acordo com a fundadora da Conexão, para “tornar a inclusão digital uma realidade para a juventude da CPLP”. A produção é assegurada por um trabalho em rede, sendo que muitos destes jovens recebem formação e capacitação em competências digitais, em diversos países da CPLP.

 

No final, o principal apelo de Laura Vidal foi o de que a vontade política para uma maior unificação da juventude lusófona deve ser fortalecida. Para isso, deve haver cada vez mais inclusão por parte dos decisores e, também, maior financiamento para os projetos que valorizam a CPLP e o seu sentido comunitário.

 

Pode assistir a toda a sessão no vídeo publicado pelo canal digital do Parlamento.

 

Intervenientes

 

Além dos oradores e oradoras supracitados e da CL, estiveram também presentes:

 

Tiago Brandão Gomes, ministro da educação de Portugal;

 

Vítor Pataco, presidente do Instituto Português de Desporto e Juventude e representante da Secretaria Geral da conferência dos ministros da Juventude e Desporto da CPLP;

 

Luís Faro Ramos, presidente do Camões — Instituto da Cooperação e da Língua;

 

Mafalda Troncho, diretora do escritório da Organização Internacional do Trabalho em Lisboa;

 

Marcus Barão Rocha, presidente do Fórum da Juventude da CPLP;

 

Tiago Cardoso, representante da Federação das Associações de Jovens Empresários dos países de língua portuguesa;

 

Edite Estrela, deputada e presidente da Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto da Assembleia da República de Portugal;

 

Ângela Guerra, Luís Moreira Testa, Marco António Costa e Hélder Amaral, membros da delegação da Assembleia da República de Portugal à Assembleia Parlamentar da CPLP;

 

Luís Monteiro, deputado do Bloco de Esquerda;

 

Ana Paula Sacramento Neto, ministra da Juventude e Desportos de Angola;

 

Jayana Nicaretta da Silva, secretária nacional da Juventude do Brasil;

 

João Paulo Rebelo, secretário de Estado da Juventude e Desporto de Portugal;

 

Vinício Teles Xavier de Pina, ministro da Juventude, Desporto e Empreendedorismo de São Tomé e Príncipe e presidente da conferência de ministros da Juventude e Desporto da CPLP.

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