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Astrocartografia: o mapa que lhe indica qual o seu lugar no globo

Se é um entusiasta do universo da Astrologia, pseudociência que estuda os corpos celestes e as prováveis relações que estes estabelecem com as pessoas e com os acontecimentos que as envolvem, este artigo servir-lhe-á que nem uma luva. No entanto, nem todos os que estão familiarizados com este tema conhecem as diversas técnicas desta área. Por isso, perguntamos-lhe: já ouviu falar de Astrocartografia? Caso a resposta seja “não”, preste atenção a este artigo; garantimos-lhe que os astros podem fazer muito mais por si, principalmente ajudá-lo a planear as suas próximas viagens; quiçá, a delinear uma lua de mel de sonho (sem pitadas de fel); ou, se a hipótese estiver em cima da mesa, a arquitetar uma eventual emigração.

 

Comecemos pelas explicações teóricas. A Astrocartografia é uma técnica muito recente, que tem vindo a ser empregada na Astrologia. Foi desenvolvida pelo astrólogo americano Jim Lewis, durante os anos 70. Como o próprio nome sugere, este procedimento dedica-se ao estudo e à análise da cartografia dos astros, através do mapeamento das diferentes influências planetárias sobre o globo terrestre. Ou seja, a Astrocartografia baseia-se na convicção de que a dimensão espacial, além da convencional dimensão temporal, imprime uma certa energia diferente à nossa vida. Ao integrar o nosso mapa astral com o mapa mundial, esta técnica indicará quais os países mais indicados para vivermos, relaxarmos, trabalharmos, conhecermos ou, até mesmo, casarmos.

 

Já teve experiências únicas em certos locais, certo? Já se sentiu conectado a um sítio, de uma forma avassaladora, sem conseguir explicar o porquê? Pois bem, a Astrocartografia tenta traduzir a razão de certos lugares terem uma influência direta em nós, seja esta benéfica ou não. Este complemento da Astrologia ajuda-nos a percecionar, de certa forma, quais os pontos cardeais – os benditos países – que nos inspiram; que fomentam a nossa comunicação ou as relações interpessoais; que nos limam e, porventura, aguçam o nosso lado mais sentimental; quais os locais que nos podem deixar mais ativos ou mais stressados, mais realizados ou mais infelizes; sobretudo, pode ajudar-nos a precisar qual o nosso espaço no mundo.

 

COMO FUNCIONA A ASTROCARTOGRAFIA

Para conseguirmos explorar tudo aquilo que a Astrocartografia pode oferecer, bem como é que esta pode ser usada e interpretada, falamos com a astróloga portuguesa Luiza Azancot. Apesar desta técnica ser desconhecida para a maioria das pessoas, Luiza, que obteve um certificado internacional nesta área, descreve-a como sendo “mais um dado para conhecer o mundo“. Segundo Azancot, que se considera uma autodidata e uma apaixonada pelo universo esotérico, a “Astrologia pode trazer uma achega para o lado espacial” e foi isto que, de certa forma, a encantou, fomentando-lhe a vontade de colocar em prática, com pessoas oriundas de toda a parte, os ensinamentos astrológicos – e astrocartográficos – que foi adquirindo enquanto profissional.

 

Para a astróloga, a Astrocartografia pode ajudar a responder a questões relacionadas com o espaço e com a influência direta que este exerce em nós. Ora, sempre que viajamos para outro país – ou passamos a viver num local diferente daquele onde nascemos -, surgem alterações substanciais na forma como encaramos o mundo. Consequentemente, iremos adotar comportamentos e modos de reflexão diferentes. Tal como as pessoas transmitem energias, porque não admitir que as cargas energéticas de determinados locais também podem influir no modo como encaramos a vida; determinadas experiências; ou acontecimentos? Além desta técnica ser utilizada para benefício individual, tem sido manuseada para interpretar algumas situações políticas ou conflitos bélicos, assim como para tecer previsões de catástrofes ou surtos de doenças contagiosas num ponto específico do globo.

 

“A Astrocartografia é uma técnica que não pode ser isolada da interpretação do mapa astral geral”, explicou Luiza Azancot à Conexão Lusófona. Para a astróloga, não é muito útil desenhar um mapa astrocartográfico, sem antes ter acesso ao percurso de vida da pessoa. Primeiramente, é realizada uma interpretação da carta astral, tendo em conta todas as vivências do indivíduo, até aquele momento. Depois, é elaborado um mapa astrocartográfico, calculado digitalmente, que mostrará quais os lugares do mundo em que existem planetas angulares aos do indivíduo, consoante o dia, a hora e o local de nascimento do mesmo. De uma forma genérica, a Astrocartografia recalcula a carta astral num ponto específico do globo, coincidindo-o com a hora exata de nascimento do indivíduo. Deste modo, os planetas natais, apesar de ocuparem os mesmos graus zodiacais, irão mudar de ângulos e as suas casas serão diferentes.

 

É importante realçar que a Astrocartografia trabalha essencialmente com ângulos: áreas consideradas pontos altos de expressão planetária: Ascendente, Descendente, Meio do Céu e Fundo do Céu. Ou seja, quando um determinado planeta aparece próximo de um destes pontos, as suas linhas energéticas e expressivas intensificam-se, influenciando diretamente, segundo a Astrologia, a vida de uma pessoa; seja de forma positiva ou destrutiva – depende da qualidade do planeta em questão e do assunto abordado. Tendo em conta esta premissa, se uma pessoa souber exatamente aquilo que pretende extrair da Astrocartografia, o delineamento do diagnóstico é mais preciso.

 

Imaginemos o seguinte cenário: se é uma pessoa que pretende relaxar e investir num ponto específico do globo que lhe proporcione um retiro espiritual, é fundamental apostar num local que seja atravessado pela energia neptuniana, por exemplo. Segundo Luiza Azancot, esta carga planetária é ótima para “apostar em rituais de relaxamento profundo”. É fundamental “reconhecer que há uma maré, alinharmo-nos com essa mesma maré, para chegarmos a um sítio”, explicou a astróloga.

 

Exemplo ilustrativo de um mapa astrocartográfico – Imagem: Raízes do Mundo

Influência planetária

Como a Astrocartografia é apenas uma técnica e não vive isolada do mapa natal, nem dos trânsitos, das progressões ou dos arcos solares de uma pessoa, todos os planetas adquirem a mesma simbologia da Astrologia. Vamos aos exemplos. Se procura perceber qual o melhor local para fazer uma lua de mel, o ideal será descobrir por onde é que as linhas do planeta Vénus – que simboliza as relações amorosas e intensifica a harmonia e o prazer – estão mais concentradas.

 

Se, por um lado, procura estudar fora do seu país natal, a Astrocartografia irá indicar-lhe que aposte em países onde as linhas de Júpiter – planeta que simboliza a expansão, o otimismo e a motivação; que ajuda a limar arestas e a polir qualidades – se acentuam. Se, por outro, procura fugir da disciplina, seriedade ou da rigidez, o ideal será evitar países que sejam influenciados pela energia planetária de Saturno – que simboliza o esforço, a aceitação dos deveres e da responsabilidade. No entanto, cada caso é um caso e cada mapa é um mapa – a influência dos planetas pode variar de pessoa para pessoa. Por isso, se pretende debruçar-se mais sobre a Astrocartografia, o melhor será recorrer a um profissional, capaz de o ajudar a interpretar todas as nuances e variâncias desta técnica.

 

As características dos planetas

    • Mercúrio: este planeta fomenta a capacidade de comunicação, raciocínio e expressão, bem como a necessidade de estimular relações bilaterais e de aprendizagem;
    • Vénus: representa a energia das relações afetivas, fomentando a predisposição para a harmonia e o prazer;
    • Marte: as energia desta planeta ajudam a que expressemos o desejo e a vontade de agir; afirma a coragem, a autoafirmação, mas, também, a agressividade e a impulsividade;
    • Júpiter: traduz os impulsos de expansão, confiança e fé. Simboliza o aperfeiçoamento;
    • Saturno: simboliza o esforço e a disciplina; a aceitação dos deveres e da responsabilidade. Aperfeiçoa a  autodefesa e o anseio de autonomia;
    • Urano: este planeta simboliza o desejo por liberdade, independência e sintonia com a verdade. Liga-se às conceções originais; à inventividade; à experimentação; à necessidade de mudança; à excitação;
    • Neptuno: refere-se à liberdade transcendente; à unificação e à sintonia com a dimensão espiritual da experiência; à compaixão e ao idealismo; ao impulso para escapar às limitações do mundo e do eu;
    • Plutão: é o planeta que atua em áreas em que frequentemente sentimos dificuldade em compreender e a aceitar: a morte, a perda, as crises passionais ou financeiras, etc. A sua energia pode intensificar a autodestruição, mas também pode impulsionar o renascimento;
    • Sol: representa a vitalidade, a individualidade, a expressão criativa e a amorosa; a necessidade de ser reconhecido e apreciado;
    • Lua: simboliza a intuição, os ânimos e os sentimentos. Representa o nosso subconsciente, a autoimagem, a recetividade e a necessidade de agregação; mostra, sobretudo, os nosso pontos mais sensíveis e emotivos.

 

O fundamental a reter é que a Astrocartografia tenta explicar a razão de sentirmos uma conexão ou um afastamento fortes com determinados lugares. Pode ser utilizada para planear viagens ou escapadelas com intenções específicas ou para evitar determinados países que não se coadunam com o nosso mapa astral. Para Luiza Azancot, esta é encarada como uma ferramenta que estimula o autoconhecimento – apurando a análise de todas as nossas características, qualidades, imperfeições ou sentimentos e preenchendo-nos a individualidade. Todavia, não deixa de ser uma técnica esotérica, sendo, desta forma, pouco compreendida pela maioria dos comuns mortais.

 

Para os amantes de Astrologia, a Astrocartografia pode revelar-se uma boa ferramenta para planificar. Já para os mais céticos, pode revelar-se um bom mecanismo para expandir horizontes além-fronteiras, através da compreensão da energia que não é palpável, mas que é representada num mapa-mundo. Por isso, deixamos a questão: não valerá a pena sabermos mais?

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