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Comunidade indígena acusada de derramar oito mil barris de petróleo na Amazónia

A Petroperú, uma empresa petrolífera estatal do Peru, anunciou, no passado dia 28 de novembro (2018), em comunicado, que cerca de oito mil barris de petróleo foram derramados na Amazónia (zona internacional que abrange o Peru), depois de um grupo indígena ter vandalizado o oleoduto. Além disso, a comunidade também é acusada de ter impedido a reparação da canalização.

 

Segundo a informação divulgada pela empresa, depois de ter sido sabotado por membros da comunidade Mayuriaga, o sistema começou a verter petróleo. A petrolífera referiu que já havia notificado as autoridades de que a comunidade local tinha ameaçado atacar aquele troço do oleoduto, em forma de protesto contra os resultados das eleições municipais no distrito, realizadas há cerca de um mês.

 

O responsável pela Petroperú, James Atkins, em entrevista à agência noticiosa Andina, referiu que “o dano ecológico é tremendo e irreparável”: o petróleo atingiu o rio Mayuriaga e, consequentemente, deverá contaminar o rio Amazonas.

 

Tudo aconteceu a cerca de 500 metros da comunidade indígena em questão, alojada na região amazónica de Loreto. Segundo as informações de Atkins, há cerca de duas semanas este grupo esteve, também, envolvido no sequestro de 20 trabalhadores da Petroperú. Depois de abandonarem as instalações, o grupo indígena deixou uma mensagem escrita, onde ameaçavam que iam danificar o oleoduto, caso o resultado das eleições não fosse anulado.

 

O responsável pela petrolífera adiantou que, depois de ter sido informado da primeira ameaça de corte, suspendeu o bombeamento de crude. No entanto, as condutas ainda tinham alguma pressão, no momento em que foram vandalizadas, e o petróleo acabou por ser derramado em solo florestal.

 

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O oleoduto cortado era o responsável pelo transporte de petróleo, extraído na selva peruana, até ao terminal portuário de Bayóvar, no oceano Pacífico, ao longo de 1.106 quilómetros de tubos, cruzando a Amazónia e a cordilheira dos Andes. Nos últimos dois anos, tem sido sucessivamente alvo de ataques devido aos desentendimentos políticos e à partilha e demarcação de terras.

 

Para já, as autoridades nacionais estão a investigar este caso. A comunidade indígena ainda não se manifestou sobre o assunto; apenas proibiu a reparação do oleoduto.

 

É importante realçar que, muitas das vezes, as comunidades locais não são informadas que irá ser feita uma instalação de oleodutos nas suas terras, acabando por demonstrar resistência perante as decisões. Neste caso, em específico, alguns dos elementos da comunidade indígena denunciaram irregularidades por parte do Partido Restauração Nacional, que venceu a eleição no município de Morona, em Loreto, região que faz fronteira com o Brasil.

 

Este oleoduto já esteve parado, durante cerca de um ano, para manutenção, devido a dezenas de fugas nas condutas, provocadas por cortes que, na sua maioria, foram efetuados por habitantes das aldeias vizinhas.

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