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Escola Machamba: projeto que ensina agricultores de Moçambique a enfrentar as alterações climáticas

Nas últimas duas décadas, Moçambique é mencionado como o país africano mais afetado pelos fenómenos climáticos extremos, segundo os relatórios da ONU sobre o clima. Anualmente, milhares de pessoas perdem a vida e os danos económicos rondam os milhões de euros.

 

As chuvas intensas e duradouras e os períodos de seca brutais são os fenómenos mais frequentes, arrastando consigo surtos de doenças como a cólera. A população moçambicana encontra-se à mercê dos desígnios da “Mãe Natureza” que, cada vez mais, tem sido afetada pelo aquecimento global.

 

Num local onde a variedade de alimentos é escassa, aproveita-se a terra para a criação de monoculturas agrícolas que possam alimentar famílias. Contudo, não é difícil perceber que, se este país africano é massacrado anualmente com as mudanças climáticas, nenhuma plantação dura; deixa de existir espaço e condições para a criação de mantimentos de primeira necessidade.

 

Em Moçambique ainda se cultiva a terra, sem a ajuda de máquinas. Erguem-se agricultores autodidatas que tentam combater as intempéries extremas. Ao longo do tempo, o solo ficou mais árido e mais pobre em nutrientes e minerais. O mundo mudou e consequentemente a forma de se fazer agricultura também precisa de mudar.

 

“Árido” (Imagem: Unsplash.com )

Face a esta realidade, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) tem em curso, desde 2002, o projeto “Escola na Machamba”; ou seja, formação na horta. Este projeto escolar encontra-se espalhado por 2.000 locais do país e, segundo os números divulgados pela FAO, já terá beneficiado 60 mil produtores agrícolas do setor familiar. Melhorar as práticas agrícolas e estudar novas técnicas de plantação são as principais estratégias deste programa didático, perante as cíclicas mudanças climáticas.

 

Vamos por partes. Se o milho consome muita água, torna-se numa cultura agrícola pouco adequada a este novo panorama. Em sua substituição, aposta-se na mandioca que se adapta melhor aos períodos de seca. Estes são apenas alguns dos exemplos divulgados por Olman Serrano, representante da FAO.

 

“O país enfrenta cheias cíclicas a norte e secas mais prolongadas a sul. É necessário mudar o menu do que chega à mesa”, explicou Serrano, acrescentando que “mesmo que os agricultores não estejam acostumados a utilizar mandioca, cultivando-a têm mais probabilidade de reduzir os efeitos das mudanças climáticas”.

 

Além da revisão de produtos a cultivar, também é necessário reformular as formas de trabalhar e preparar a terra. Experimentar a rega gota-a-gota ou salvaguardar a biodiversidade dos solos são apenas alguns exemplos de ações que devem ser equacionadas e colocadas em prática. Na Machamba, divulgam-se ensinamentos preciosos e trocam-se experiências entre os agricultores e mentores com o intuito de resolver os problemas emergentes. “É uma metodologia usada em todo o mundo e que tem tido muito êxito”, realçou Olman.

 

O contexto climático atual foi o verdadeiro motivo que impulsionou o desenvolvimento deste projeto. No entanto, a promoção de culturas eficientes, a divulgação de estratégias de armazenamento e a comercialização de produtos são outras missões que pretendem fomentar a difusão de tecnologias e de conhecimentos junto dos produtores. A história agrícola de Moçambique precisa de ser reinventada e esta escola promete ser uma das personagens principais do enredo.

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