CulturaPortugalTurismo

Lugares com História / Places with History – Largo de São Domingos

Largo de São Domingos –  um local de Lisboa, cheio de histórias e contrastes. Tem como longa tradição ser o ponto de encontro de pessoas de origem africana e de pausa para a ginjinha. Foi cenário ligado ao lado mais negro da nossa história. Agora é a o local da Tolerância escrita em 34 línguas. Curiosos acerca do que vos rodeia? Temos um memorial dedicado a um episódio sangrento da nossa história, uma igreja, um palácio e a ginjinha!
O Largo é por tradição histórica o local de encontro para muitas pessoas de origem africana, onde conversam e fazem a sua venda de produtos exóticos como ”cola-cola”, um fruto seco que promete a cura de muitos males, sendo igualmente valorizado pelos seus benefícios afrodisíacos… Por detrás do natural bulício animado, temos um mural com a mesma frase traduzida 34 vezes em várias línguas: Lisboa, cidade da Tolerância. Também nos chama a atenção um monumento, de formato redondo, com a estrela de David. Um pedido de desculpas por parte da Câmara Municipal pelo evento sangrento que ocorreu há precisamente 511 anos. Foi a 19 de abril de 1506.
Largo de São Domingos – a place in Lisbon full of stories and contrasts. It has a long tradition of being the meeting point for people of African origin and also for a break to drink ginjinha. It was once the setting for one of the darkest moments in our history. Now it is the place for tolerance written in 34 different languages. Curious to discover what is around you? We have a memorial dedicated to a bloody episode in our history, a church, a palace and ginjinha!
The Largo is a place where traditionally it is the meeting point for many people originated from Africa where they chat and do their selling of exotic products such as ‘’cola-cola’’, a dried fruit which promises the cure or many health problems, and it also has some aphrodisiac benefits… Behind the natural lively murmur we have a wall which has the same sentence translated in 34 different languages: Lisbon, the city of Tolerance. It also draws our attention to a round shaped monument with the star of David. It is a request of apology for the bloody event which occurred on 19th April of 1506. 511 years ago.
Imagem: Reprodução takinguthere
Era domingo de Páscoa e, nessa época  a cidade tinha sido severamente atacada por várias vicissitudes – seca, consequente fome e a peste que fez afastar a corte do rei D. Manuel I para Abrantes. Sendo domingo de Páscoa as igrejas estavam cheias de pessoas que tinham apenas como único reduto a fé, à espera de um sinal. O mesmo se passava na Igreja de São Domingos. Conta a história deste massacre que no meio do fervor religioso alguém exclama ”milagre! Vejo o rosto de Cristo iluminado!”. No meio da comoção, um cristão-novo (judeu forçado a converter-se ao cristianismo) com uma visão mais pragmática sobre os fenómenos, tenta corrigir, afirmando que o fenómeno não se tratava de um milagre, mas do reflexo da luz de um castiçal ou da luz solar a atravessar os vitrais. O cristão-novo poderia ter sido inteligente nas suas conclusões perante o que poderia ter sido ou não um milagre, mas era um pouco ingénuo, pois o lugar não era o ideal para discutir esses assuntos. Os católicos fervorosos chamaram-no de herege e foi empurrado para fora da igreja e morto no largo. Foi o início de uma vaga de ódio e de violência que assolou a cidade por 3 dias usando os judeus como bode expiatório de todos os males.
It was Sunday Easter and during that period the city had been severely attacked by several downfalls – drought, consequent famine and plague which made the king D. Manuel I royal court run off to the town of Abrantes. Being Easter the churches were crowded with desperate people who had as a last resource the faith and some divine signal. The same environment was lived in the church of São Domingos. The story tells us that among that religious fervor someone screamed:’’ It’s a miracle! I see the face of Christ enlightened!’’. Among the commotion there was a New Christian (an old Jew forced to become Christian) with a pragmatic view, tried to correct the others, affirming that this phenomenon was not a miracle, but a candlelight reflexion or some sun beam crossing the stained glass windows. The new Christian might had been smart on his own conclusions, but a bit naive, as he wasn’t at the right place with the right people to discuss these matters. The feverish Catholics immediately called him heretic and he was pushed outside the church and killed immediately. It was the beginning of hate vague, which devastated the city during three days.
Imagem: Reprodução xatoo
Muitos foram incluivé instigados pelos próprios frades dominicanos prometendo-lhes absolvição dos pecados dos últimos 100 dias a quem matasse os hereges. Juntaram-se também à carnificina marinheiros provenientes da Holanda, Zelândia e outras terras que aproveitaram para além de matar, saquear. Ao todo foram milhares de pessoas assassinadas, incluindo crianças. Durante muitos séculos esta história foi abafada e pouco referida até que em 2008 foi inaugurado o referido monumento como perdão da cidade de Lisboa por este massacre.
No lado esquerdo do largo encontramos a Igreja de São Domingos, palco principal do início do massacre e anos mais tarde local de onde partiam os autos de fé em procissão na época da inquisição. A igreja sofreu graves danos com o terramoto de 1755, mas foi reconstruída pelo arquiteto Carlos Mardel.
Many of the killers were encouraged by Dominican priests promising them pardon for their last 100 days of sin if they killed the heretics. Among the killers there were also sailors from the Netherlands, Zeland and other places who took advantage to kill and steal. Altogether there were thousands of people killed, including children. For many centuries, these events were hidden until finally in 2008 there was presented an official pardon request by the city council and Catholic church to the Jewish community.
On your left side you find the church of São Domingos, where this story began and years later it had been where the processions for the executions led by the Inquisition were taken. The church was completely destroyed in 1755 and it was rebuilt by the architect Carlos Mardel.
Imagem: Isabel Bernardo, Fora da Rota
Tendo em consciência o passado pouco feliz ligado a esta igreja, somos surpreendidos pelo seu interior quando lá entramos: paredes vermelho ocre e sinais de destruição de um incêndio, deixam como marcas o seu passado. Porém, o incêndio foi bem mais recente, em agosto de 1959 provocado por causas desconhecidas. Destruiu-se grande parte do seu património – talha dourada e imagens de grande valor e voltou a abrir em 1994 como hoje a conhecemos.
Um pouco mais escondidos, pintado de vermelho escuro, vemos o Palácio da Independência. Outrora pertencente ao conde de Almada e Abrantes foi em 1640 o último local de reunião dos 40 conjurados responsáveis pela Restauração da Independência contra o jugo espanhol. Hoje em dia é sede da Sociedade Histórica da Independência de Portugal.
Bearing in mind the unhappy past related to this church we are surprised as soon as we get inside its interior. Walls painted in vivid red and signs of fire destruction, left marks from its dark past. However the fire was more recent in august of 1959 with unknown causes. A great part of its content and valuable statues were destroyed and it was again opened for public service in 1994 as we know it nowadays.
A bit more hidden, painted in dark red we see the Independence Palace. It was once home to the count of Almada and Abrantes and it was the last place for a meeting of the 40 conspirators who in 1640 were responsible for the Portugal’s Independence against Spain. Nowadays it is the headquarters of the Historical Society of Portugal’s Independence.
Imagem: Reprodução Agendalx
Deixemos de histórias e vamos beber uma ginjinha? Este local foi outrora propriedade do galego Espinheira e foi o primeiro estabelecimento em Lisboa desde 1840 a comercializar esta bebida que se tornou na ex-líbris da cidade. Reza a história que foi através de um conselho de um frade que Espinheira fez a experiência de deixar fermentar a ginja dentro de aguardente, juntando canela, açúcar e água. O seu gostinho doce tornou-se de imediato num êxito e hoje em dia ainda continua ser paragem obrigatória para locais e turistas. Saúde!
Let’s leave some stories behind and drink a ginjinha? This place was once propriety of the Galician Espinheira who opened the first place in Lisbon in 1840 selling this drink, which had become the city’s landmark since then. The story tells us that a friar advised Espinheira to make the experiment of fermenting ginja with brandy (cherry) adding to it sugar, cinemon and water. Its sweet taste became an immediate success and nowadays the place is a compulsory stop for locals and tourists.  Cheers!
Imagem: Reprodução Trekearth

Querem saber mais histórias? Venham fazer connosco um giro! A visita ao Largo de São Domingos está incluída no nosso tour Giro LX. Para saber mais vejam aqui ou sigam-nos nas nossas redes sociais Facebook e Instagram para saber de mais novidades Fora da Rota Tours.
Would you like to listen to more stories. Take a giro with us!  The visit to São Domingos square and much more are included in our Giro LX tour. To get to know more information about this tour, check here or follow us in our social media – Facebook and Instagram to get to know more Fora da Rota tips and news!
Previous post

Gonçalo Mabunda: O moçambicano que transforma “Herança de guerra” em arte

Next post

Ficou menos cara a ligação aérea entre Luanda e Lisboa

No Comment

Leave a reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *