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Quais os destinos que recebem menos emigrantes portugueses?

Os últimos dados do Observatório da Emigração indicam os aumentos e as quebras dos fluxos migratórios da população portuguesa. Tendo por base as informações divulgadas — referentes ao ano de 2017, à exceção do caso da Bélgica, com análise até 2016 —, podemos facilmente concluir que há padrões que se mantêm e, naturalmente, locais que estão a perder algum destaque como destino migratório.

 

Em 2017, estima-se que existiam 2.266.735 portugueses emigrados, segundo as Nações Unidas: 1.502.151 na Europa, 592.642 na América e 171.942 nos restantes continentes. Embora o total de emigrantes lusitanos tenda a aumentar ao longo do tempo — em 2015, rondava os 2.209.237 —, nem todos os locais apresentam valores em ritmo crescente. A análise exposta neste artigo permitirá perceber quais os locais que estão a receber cada vez menos emigrantes vindos de Portugal.

Diminuição dos emigrantes portugueses

 

Estados Unidos da América: segundo os dados do United States Department of Homeland Security, a nação norte-americana recebeu mais de um milhão de estrangeiros em 2017. Ainda assim, os emigrantes portugueses representaram apenas 0.1% desse valor, com pouco menos de mil entradas.

 

Este facto assinala uma queda de 7% face a 2016. O Observatório da Emigração faz referência ao padrão da emigração portuguesa em território estadunidense. Por norma, esta acompanha os valores da imigração geral no país. A queda de 2017 pode ser explicada pelo facto de também essa ter apresentado valores mais baixos (-4.8%).

 

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Emigração portuguesa para os EUA, por Inês Vidigal (Imagem: Reprodução Observatório da Emigração)

 

Canadá: foram 785 entradas lusitanas em 2017, segundo os dados do Citizenship and Immigration Canada. Tal indica uma queda de 7% face ao ano anterior — tal como o caso dos Estados Unidos da América. Como o gráfico permite observar, a entrada de emigrantes portugueses em território canadiano costuma apresentar bastantes oscilações. No entanto, e no geral, a tendência favorece uma subida de valores.

 

O ano de 2017 não deixa de apresentar números elevados, quando comparados com os restantes anos em análise. Além disso, o exercício de comparação com o ano anterior pode não ser o mais justo. Isto porque foi em 2016 que se registou o maior número de entradas de emigrantes portugueses no Canadá desde o início do estudo (em 2000).

 

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Emigração portuguesa para o Canadá, por Inês Vidigal (Imagem: Reprodução Observatório da Emigração)

 

Angola: em 2017, entraram 2.962 portugueses neste já usual destino de emigrantes lusitanos. Como o gráfico abaixo permite perceber, o pico de 2015 atingiu as 6.715 entradas de emigrantes; o mais baixo valor verificado dentro do período em estudo, excluindo o último ano (2017), aconteceu em 2016. Nesse ano, o valor manteve-se, ainda, perto dos 4.000 registos. Pode, por isso, concluir-se que a queda foi notória.

 

Os dados de 2017, de acordo com os consulados da República de Angola em Lisboa e no Porto, correspondem a um decréscimo de 24% em relação ao ano anterior. Comparando o pico de 2015 com o ano seguinte, 2016, pode verificar-se uma queda percentual ainda mais significativa: 42%. O Observatório da Emigração assinala que os valores divulgados correspondem à soma de alguns tipos de visto específicos, emitidos pelos consulados supracitados; são eles: privilegiado, trabalho, trabalho por protocolo, fixação de residência, estudo e permanência temporária.

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Emigração portuguesa para Angola, por Inês Vidigal (Imagem: Reprodução Observatório da Emigração)

 

Suíça: talvez aqui os números da emigração portuguesa não sejam tão inesperados. 2017 é já o quarto ano consecutivo de descida no número de entradas de emigrantes portugueses em território suíço. De acordo com os dados divulgados pela Office Fédéral de la Statistique, deram entrada 9.257 portugueses na Suíça, em 2017.

 

Num total de 147.142 estrangeiros emigrantes que chegaram ao país, os lusitanos representaram 6.3%. O valor máximo atingido neste século, em relação à emigração portuguesa na Suíça, aconteceu em 2013: registaram-se 20.000 chegadas de portugueses. Desde há 15 anos que não se registavam valores tão baixos quanto os de 2017.

 

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Emigração portuguesa para a Suíça, por Inês Vidigal (Imagem: Reprodução Observatório da Emigração)

 

Bélgica: a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) registou a entrada de 2.863 emigrantes portugueses no país, em 2016, num total de 103.187 estrangeiros. A expressividade da emigração portuguesa ficou-se pelos 2.8%.

 

Excluindo o período entre 2008 e 2010, os valores referentes à emigração portuguesa na Bélgica têm mantido um ritmo ascendente desde o início do século. No entanto, depois do pico de 2013 a tendência tem vindo a inverter-se. 2016 é já o terceiro ano consecutivo em que a entrada de emigrantes portugueses em território belga sofre uma queda.

 

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Emigração portuguesa para a Bélgica, por Carlota Moura Veiga (Imagem: Reprodução Observatório da Emigração)

 

Dinamarca: de acordo com os dados do Denmark Statistik, 642 portugueses fizeram as malas, em 2017, e mudaram-se para o país escandinavo. Num total de 86.137 entradas registadas em território dinamarquês, a emigração portuguesa representou 0.7% desse valor.

 

O valor mais alto registado desde o começo do século ultrapassou as 900 entradas de portugueses no país, em 2015. Antes desse pico, a tendência mantinha-se ascendente desde 2000. Contudo, depois do mesmo, a tendência tem sido a queda. Em termos percentuais, a descida entre 2016 e 2017  foi apenas de 2%. Essa estabilidade pode significar que, durante os anos vindouros, a emigração portuguesa para a Dinamarca pode manter-se nesses valores.

 

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Emigração portuguesa para a Dinamarca, por Inês Vidigal (Imagem: Reprodução Observatório da Emigração)

 

Luxemburgo: em 2017, segundo o Portail des Statistiques du Luxembourg, entraram 3.342 portugueses neste destino já tão associado à emigração lusitana. Com um total de 24.379 entradas de estrangeiros no país, os portugueses representaram 13.7% desse valor.

 

Este é já o quinto ano consecutivo em que os valores da entrada de emigrantes vindos de Portugal sofre um decréscimo. No entanto, a variação de 2016 para 2017  foi apenas de -0.4%. Tal como no caso da Dinamarca, adivinha-se, portanto, uma estagnação dos valores. O Observatório da Emigração assinala, ainda, que, entre 2012 e 2017, a expressividade da emigração portuguesa na imigração luxemburguesa diminuiu de 25% para 14%.

 

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Emigração portuguesa para o Luxemburgo, por Inês Vidigal (Imagem: Reprodução Observatório da Emigração)

 

Noruega: segundo os dados do Statistics Norway, foram 375 os portugueses que, em 2017, emigraram para o país. Num total de 49.774 estrangeiros recebidos pela Noruega, os portugueses representaram 0.8% desse total. Este é, já, o quarto ano consecutivo em que a entrada de emigrantes portugueses diminui no país escandinavo. Segundo o Observatório da Emigração, a Noruega é um país de recente relevo para a emigração portuguesa.

 

O pico que começou a verificou-se a partir de 2012 manteve-se, praticamente, até 2015, como resultado da subida abrupta iniciada em 2010. A queda de 2017 pode devolver os registos aos valores de 2010, mais próximos das 300 entradas. Esta descida tem vindo a acompanhar o decréscimo que se tem verificado no número de entradas de estrangeiros na Noruega.

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Emigração portuguesa para a Noruega, por Inês Vidigal (Imagem: Reprodução Observatório da Emigração)
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