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O melhor projecto de arquitectura escolar do mundo fica no Brasil. Conheça-o melhor

 

Situada na fazenda Canuanã, na zona rural de Formoso do Araguaia, no estado do Tocantins, a escola é simultaneamente uma casa para os 800 jovens estudantes que se dividem em duas aldeias (masculina e feminina) (Imagem: G1 Globo)

 

O Brasil abriga aquele que foi considerado o melhor projecto de arquitectura educacional do mundo, atribuído este ano pelo júri da Building Of The Year. O edifício vencedor deste prestigiado prémio localiza-se na Fazenda Canuanã, na zona rural de Formoso do Araguaia, no estado do Tocantins, um dos lugares mais remotos da extensíssima geografia brasileira (fica a 327 km de Palmas e a 12 horas de São Paulo).

 

Reabilitando as técnicas de construção local influenciadas pela cultura indígena, o principal objectivo dos arquitectos Gustavo Utrabo e Pedro Duschenes e do designer Marcelo Rosenbaum (do colectivo Aleph Zero) era criar uma escola sustentável que funcionasse como uma moradia capaz de albergar os estudantes, dos 7 aos 17 anos, que vivem perto da zona de transição entre o Cerrado, o Pantanal e a Floresta Amazónica.

 

Efectivamente, a escola da Fazenda Canuanã – inaugurada há 44 anos e gerida pela Fundação Bradesco – acolhe aproximadamente 800 alunos divididos em duas aldeias (uma masculina e outra feminina) que habitam 45 quartos com capacidade máxima de 6 estudantes por cada unidade em regime de internato. Desejando oferecer mais conforto e privacidade aos seus jovens moradores, a Fundação entrou em contacto com o instituto A Gente Transforma (dirigido por Rosenbaum) que, em declarações ao jornal Estadão, explicou:

 

«Nossa responsabilidade nesse projeto era fazer com que essas crianças não tivessem mais a sensação de que dormiam na escola. Tudo o que fizemos foi pensado para garantir a essas crianças a sua intimidade e privacidade»

 

As exigências das crianças e adolescentes eram bastante naturais, conta o designer paulista: «O que mais me tocou foi o consenso harmonioso entre eles. Os pedidos eram simples, o que eles mais pediam era que o prédio fosse mais fresco», uma vez que a região onde se encontra construído o edifício da escola pode facilmente alcançar os 38ºC durante o Verão.

 

Interior de um dos 45 quartos da escola capaz de comportar até 6 alunos por unidade (Imagem: G1 Globo)

 

A escola localiza-se numa das zonas mais remotas do Brasil e a sua transformação respeita a identidade cultural da comunidade indígena predominante nessa região povoada por densos prados e matagais (Imagem: G1 Globo)

 

Dado que a maioria dos alunos é de origem mestiça, Rosenbaum e a equipa de arquitectos do escritório Aleph Zero preocuparam-se em conhecer os rituais das famílias indígenas e ribeirinhas destes jovens estudantes da escola situada no estado do Tocantins, com o propósito de valorizar visual e culturalmente os diversos elementos que constituem este edifício único na paisagem rural brasileira:

 

«A gente viu e explicamos a eles que a tecnologia existente no local, usada pelos pais e avôs deles, tem um ótimo desempenho e deve ser valorizada»

 

Dessa recolha das melhores tradições e técnicas autóctones resultou a construção de um espaço que recorreu a materiais tão distintos como painéis de palha trançada, tijolos de solocimento, chão de cimento queimado e madeira laminada. Para o director da escola, Ricardo Figueiredo, a transformação arquitectónica do edifício realizada por Rosenbaum, Utrabo e Duschenes é notável ao nível da integração e respectivas necessidades individuais dos alunos alojados na escola agora distinguida pelo melhor projecto de Arquitectura Educacional do mundo:

 

«Elas estão muito mais tranquilos, passaram a valorizar o silêncio, cuidam muito da estrutura. Para muitas dessas crianças, é a primeira vez que eles têm um quarto já que a maioria mora com os pais em casas de apenas um cômodo»

 

Este projecto inovador concorre agora, juntamente com outros 28 finalistas, ao RIBA (Royal Institution of the British Architects), que irá anunciar o vencedor em Londres no próximo mês de Novembro.

 

PS: O autor deste artigo obedece às regras do antigo acordo ortográfico

 

 

 

 

 

 

 

 

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