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Tóxico: a palavra escolhida pelos dicionários para definir o ano de 2018

“Tóxico” foi a palavra eleita do ano, pelos dicionários britânicos Oxford, entre uma lista que incluía os termos “gaslighting” (como verbo, significa manipular alguém psicologicamente, com o intuito de gerar dúvida sobre a sua sanidade mental; como nome, significa um tipo de lâmpada incandescente, alimentada a gás), “incel” (celibato involuntário – palavra criada por uma corrente de homens heterossexuais que culpam as mulheres pela fraca vida sexual) e “techlash” (revolta contra as grandes empresas de tecnologia: Facebook, Apple Microsoft, etc.). Esta escolha acabou por refletir parte do espírito, humor e as preocupações que assolaram o ano de 2018.

 

Katherine Connor Martin, gestora criativa dos conteúdos da empresa de dicionários, revelou ao jornal New York Times que existiu, ao longo do ano, um profundo interesse social pela palavra “tóxico” (toxic). No entanto, esta não foi eleita apenas devido à procura. O termo foi escolhido devido à variedade de contextos em que tem sido utilizado, desde as discussões sobre produtos nocivos para o ambiente, até aos discursos políticos. Além disso, foi profundamente reivindicada pelos/as protagonistas do movimento #MeToo (mobilização social, com proporções mundiais, que ajudou a quebrar o tabu sobre o assédio sexual).

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Em entrevista ao jornal americano, a diretora de conteúdos revelou que a palavra do ano esteve perto de ser a expressão “masculinidade tóxica”. Devido ao incremento da força dos movimentos feministas, em prol da equidade de género, esta exteriorização ganhou visibilidade. De forma muito geral, significa “as características que a sociedade tende a atribuir de maneira estereotipada ao sexo masculino, sendo que estas são consideradas nocivas ou restritivas aos próprios homens ou às pessoas que estão ao seu redor”. No entanto, depois de algum debate no comité que elege as palavras do ano, a palavra “tóxico” foi considerada mais adequada, devido a tudo o que se pode relacionar com a mesma.

 

Se por um lado o dicionário de Oxford define “tóxico” como algo que possui substâncias letais, ou seja, veneno; por outro, relaciona o termo com a toxicidade social, ambiental, económica, cultural e política.

 

Relembramos que, no ano passado (2017), a palavra vencedora foi “youthquake”, que resume as mudanças políticas, sociais e culturais impulsionadas pela geração millennials. Já em 2016, a expressão escolhida foi “pós-verdade”. Este último vocábulo surgiu no contexto do Brexit – saída do Reino Unido da União Europeia -, e significa “circunstâncias em que os factos objetivos têm menos influência na formação de opinião pública do que os apelos emocionais e as opiniões pessoais”.

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