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Viagem à África foi inspiração para o novo álbum do rapper Emicida

(Imagem: Divulgação)

Sobre crianças, quadris, pesadelos e lições de casa” é o segundo álbum do rapper brasileiro, que esteve em África em março deste ano. O tema do racismo, que não é novidade no trabalho de Emicida, vem acompanhado da ideia de África como “mãe da humanidade“. O álbum, lançado na última semana, é recheado de ideias e sons “importados” da cidade da Praia (Cabo Verde) e Luanda (Angola).

– Viajar para a África acabou enriquecendo o processo. Houve momentos em que eu não sabia se estava viajando ou se estava em casa. A África é uma metáfora no rap brasileiro, você vai encontrar várias referências a ela. A gente sempre olhou para o continente – explicou Emicida em entrevista ao jornal O Globo.

(Imagem: Divulgação)
(Imagem: Divulgação)

Segundo a publicação, leituras de Gil Vicente, Mia Couto, José Eduardo Agualusa e Marcelino Freire (que faz uma das vinhetas do álbum recitando seu poema “Trabalhadores do Brasil”) embasaram as letras de Emicida. E o romance “As aventuras de Ngunga”, de Pepetela, sobre um menino guerrilheiro, foi a inspiração para a estrutura do disco.

– Eu catei essa metáfora do moleque correndo Angola inteira a pé com uma metralhadora para libertar o país dele como a história que eu tinha que contar – diz.

Boa esperança

Lançado antes mesmo de o álbum ser posto à venda, o clipe da canção “Boa esperança” explora a tensão social sobre a desigualdade ao encenar uma rebelião de empregados negros contra os desmandos dos seus patrões. O clipe tem direção de Katia Lund e João Wainer.

Assista ao clipe:

Nas músicas que compõem o álbum, o rapper explora as facetas do tema, aliando letras pesadas de protesto a canções mais leves, como “Passarinhos“, composta com a ajuda da filha de cinco anos.

Passarinhos

O clipe da canção “Passarinhos“, com participação da cantora Vanessa da Mata, mostra a realidade de um engraxate, que encantado com uma livraria, acaba se sentindo instigado a pegar livros e aos poucos acaba espalhando entre outros colegas engraxates. O que o jovem não sabe é que o livreiro, interpretado por Emicida, já está por dentro dos furtos e na verdade acaba incentivando o jovem à leitura. O clipe tem direção de Rafael Kent.

Assista ao vídeo:

— Quando as pessoas veem o preto na favela, na miséria, na cadeia, teoricamente está tudo no lugar. E o disco vem nessa desconstrução. Por isso você tem uma música feliz como “Passarinhos”. Minha intenção era descriminalizar o sorriso dos pretos. Há momentos em que eu gosto de ser denso, mas há outros em que eu quero ser poético. É fácil prender a atenção pela agressividade. Agora, eu quero tentar prender a atenção pela beleza.

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