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Qual é o tamanho da sua contribuição para o mundo de plástico?

Leya

 

Olhe à sua volta. Quantas coisas feitas de plástico você vê?

 

Sacolas, garrafas, canudos, copos, pratos, garfos, facas, colheres e uma infinidade de embalagens de todos os tipos. Feito a partir de derivados do petróleo, o plástico comum é composto por material sintético e leva de 40 a 200 anos para se decompor.

(Imagem: Reprodução Arch Daily)
(Imagem: Reprodução Arch Daily)

Seja em casa ou no ambiente de trabalho, o fato é que o plástico foi tomando conta das nossas vidas e hoje é material dominante. O problema é que a sua “pegada ambiental plástica” vai muito além do que você vê à sua volta. Inclui também cada item de plástico que você usou até o dia de hoje: das fraldas ao copinho de café desta manhã no escritório.

 

Não existe “fora”

Só nos Estados Unidos, são jogadas fora diariamente 88 mil toneladas de plástico. Mas “fora” para onde? O lixo some do seu campo de visão, mas não da superfície do planeta.

(Imagem: Reprodução Plastic Oceans)
(Imagem: Reprodução Plastic Oceans)

O plástico é uma substância que o planeta não consegue “digerir”. E se eu dissesse que grande parte das coisas de plástico alguma vez criadas ainda existem? Já parou para pensar nisso? Tomemos como exemplo o PET, polímero criado na década de 1940. Considerando que é um composto que leva centenas de anos para se deteriorar, isso significa que todas as garrafas PET produzidas alguma vez seguem “por aí”. Algumas recicladas, a maioria só “por aí”, mesmo.

 

O plástico sufoca os oceanos

Utensílios de plástico boiando nos oceanos estão atualmente entre as maiores ameaças à vida marinha. De todo o lixo que está boiando neste momento nos oceanos, 90% é plástico.

(Imagem: Greenpeace)
(Imagem: Greenpeace)

Uma pesquisa recentemente publicada no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) alerta para a massiva contaminação da superfície dos oceanos do com lixo plástico, causando preocupação com os efeitos sobre a vida marinha.

(Imagem: Reprodução pnas.org)
(Imagem: Reprodução pnas.org)

O estudo, liderado pelo biólogo marinho espanhol Andrés Cózar, mostrou pela primeira vez, a real distribuição das quantidades de lixo plástico marinho à superfície. É para estas áreas que convergem dezenas de milhares de toneladas de lixo plástico que se vai degradando e entrando na cadeia alimentar dos seres vivos marinhos, com consequências devastadoras. Estima-se que morram cerca de 1,5 milhão de animais (aves, peixes, tubarões, tartarugas, golfinhos e baleias) todos os anos, devido à ingestão de plástico.

(Imagem: Reprodução australiansforanimals.org)
(Imagem: Reprodução australiansforanimals.org)

Mas isso é só a ponta do iceberg. Considerando que desde os anos 20 do século passado produz-se plástico, uma garrafa coletada hoje no oceano pode ter sido fabricada há trinta anos ou três meses.

 

Micropartículas, mega impacto

Sabia que aquele esfoliante para a pele ou o creme dental com “micropartículas branqueadoras” também são rivais nesta luta?

(Imagem: Reprodução JPI oceans)
(Imagem: Reprodução JPI oceans)

Presentes em inúmeros cosméticos, estas micropartículas não são detectadas pelos sistemas de tratamento e podem inclusive ir parar na água que você bebe. Seguem para rios, lagos, mares e oceanos, onde se torna missão impossível capturá-las, mais uma vez devido às suas ínfimas proporções.

 

As partículas, com menos de 5mm, são chamadas “microplásticos”. Os peixes podem confundi-las com alimentos e ingeri-las, causando-lhes inúmeros problemas de saúde, que vão do depósito destas partículas no sistema digestivo dos animais à toxicidade, pois as partículas têm também a capacidade de absorver grandes quantidades de químicos presentes na água.

 

No fim do ano passado, o presidente norte-americano Barack Obama assinou um decreto que proíbe a utilização de micropartículas de plásticos em produtos cosméticos, como cremes e sabonetes esfoliantes, pastas de dente e esmaltes.

 

Os plásticos também afetam a sua saúde

Os químicos do plástico, como o BPA, são absorvidos pelo corpo e podem causar de alterações hormonais a problemas mais graves. Nos Estados Unidos, 93% dos americanos têm BPAs no organismo.

(Imagem: Reprodução theoceancleanup.com/)
(Imagem: Reprodução theoceancleanup.com/)

Pensava que estava livre das micropartículas? Pois saiba que um estudo publicado no Environmental Science & Technology revelou um alto índice de contaminação por plástico no sal marinho.

 

Além disso, estas partículas, uma vez na água, atuam como esponjas, absorvendo toxinas. Estas toxinas podem se acumular no corpo dos peixes, passando a integrar a cadeia alimentar e indo parar na sua mesa: ao comer um delicioso peixe, poderá estar a ingerir polietileno.

 

Reciclagem e downcycling

Dependendo do tipo de plástico, o reaproveitamento é feito de formas diferentes.

(Imagem: Reprodução recycleyourplastics.org/)
(Imagem: Reprodução recycleyourplastics.org/)

A reciclagem na sua definição mais exata, é a recuperação de um material ou produto para que possa ser reutilizado em um outro produto sem perder as suas características técnicas. O material é recuperado e se torna matéria prima para o mesmo produto do qual era feito originalmente. No caso da resina PET, ela pode ser reciclada em outra garrafa plástica ou algo de mesmo valor. Porém, muitos materiais não podem ser reutilizados para se fabricar o produto original, por perderem suas propriedades técnicas. É aí que entra o downcycling, um processo de recuperação de um material para reuso em um produto com menor valor, ou seja, a integridade do material é de certa forma comprometida com o processo de recuperação.

 

Tampart: tampas de garrafa viram onda de conscientização

 

Algumas resinas plásticas, como a PEAD, usadas como matéria-prima de embalagens de leite, iogurte e sucos não podem ser verdadeiramente recicladas. O resultado de sua recuperação não pode ser usada novamente como embalagens de produtos alimentícios. Estas resinas são transformadas em outros tipos de produtos, como mesas, cadeiras, lixeiras e requerem tratamento extra em termos de energia e dos produtos químicos que compõem as resinas.

 

E os biodegradáveis?

São uma alternativa, mas não necessariamente são a solução, pelo menos no caso dos oceanos.

(Imagem: Divulgação Embrapa)
(Imagem: Divulgação Embrapa)

Segundo um relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), os produtos classificados como biodegradáveis não têm capacidade de diminuir de maneira significativa a quantidade de plástico nos oceanos, assim como os perigos químicos e físicos junto à biodiversidade marinha.

 

O documento aponta que, para uma total degradação de plásticos biodegradáveis, seria preciso condições raramente encontradas nos oceanos. Por exemplo, nas embalagens biodegradáveis existem polímeros que são absorvidos somente em temperaturas superiores a 50ºC e ainda com a presença de compostos industriais.

 

Como ajudar?

É simples: recuse coisas de plástico. Reutilizar as garrafas plásticas que já tem para beber água, levar consigo uma ecobag, e um simples “não, obrigado” quando lhe oferecerem um canudo/palheta na bebida do happy hour são pequenas ações que podem ser de grande efeito para diminuir o fluxo de resíduos plásticos espalhados pelo mundo.

(Imagem: Reprodução Mr. Fly)
(Imagem: Reprodução Mr. Fly)

O problema mora na cultura das coisas descartáveis. Só que na verdade, estes plásticos que nas nossas cabeças são para uso único, empilham-se do lado de fora de nossas casas, num ritmo que só parece aumentar.

 

Comprar a granel, dar preferência a caixas e embalagens de vidro em vez de garrafas plásticas também são algumas opções.

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