Conexão Lusófona

Hirondina Joshua, uma promessa da poesia moçambicana, lança primeiro livro

(Imagem: Divulgação)

 

A jovem poetisa moçambicana Hirondina Joshua, apontada por Mia Couto como uma revelação no panorama literário moçambicano, lança na terça-feira (18 de outubro) a sua primeira obra, intitulada “Os Ângulos da Casa”.

 

A obra, prefaciada pelo próprio Mia Couto, será lançada numa cerimónia a ter lugar na Fundação Fernando Leite Couto e espera-se a presença de escritores e personalidades da arena cultural moçambicana.

 

– Nunca sonhei em ter livros – disse à Conexão Lusófona a poetisa, que dedica a obra ao seu pai.

 

O título nos remete aos ângulos de uma casa comum, mas ela logo desfaz o equívoco, explicando que “a casa que aqui apresento parte do concreto substantivo de uma habitação material para essa casa íntima, viva, orgânica. É um lugar onde cada um de nós mora. Sem convicções sociais, onde o estranho em nós ganha um espaço singular e próprio”.

 

Para Hirondina, a escrita tem sido um jeito de existir fora do mundo quotidiano mas, ao mesmo tempo, sem sair dele.

 

– Acho isto fantástico. Esta conjugação de modos, jeitos de ser e estar comigo mesma. Quanto mais escrevo me descubro diversa –  sublinha a jovem escritora.

 

Numa entrevista recente à Conexão Lusófona, Hirondina Joshua foi referenciada pelo escritor Mia Couto como uma promessa para a poesia em Moçambique.

 

Em 2014, Hirondina Joshua recebeu a Menção extraordinária no “Premio Mondiale di Poesia Nosside” como escritora emergente e tem feito várias colaborações em revistas, jornais e antologias nacionais e internacionais.

 

Um facto curioso sobre o seu primeiro livro é que mudou o título faltando dias para  entregar a versão final do livro.

 

– É difícil escrever, o trabalho técnico é uma coisa terrível! Nunca se termina um livro, o processo de “corte e costura” é permanente. Entrega-se o livro para ser impresso ou arruma-se na gaveta, mas terminá-lo: nunca.

 

Questionada sobre a origem da sua fonte de inspiração para escrever, afirmou:

 

– A vida em si é um poço inesgotável de arte. Fui crescendo com o hábito de ler e de querer descobrir o mundo através dos livros pois, cada livro é uma viagem. A escrita tem sido um jeito de existir fora do mundo quotidiano, mas ao mesmo tempo, sem sair dele. Acho fantástico esta conjugação de modos, jeito de ser e estar comigo mesma.

 

Um dos seus maiores sonhos é ser conhecida e reconhecida além-fronteiras.

 

Apesar de ser uma estreia, a poetisa reconhece uma geração de jovens a seguirem o mesmo caminho da escrita.

 

– Alegra-me o facto de existirem jovens que escrevem e gostam de o fazer. E espero que façamos coisas novas para marcarmos a nossa geração. Não basta só sermos vozes novas e não nos fazermos por isso. Moremos na casa da arte, mas não esqueçamos os quintais da ciência – constatou.

 

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