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O que a saída do Reino Unido diz sobre e para a Europa

Leya

 

#brexit em poucas palavras…

 

Apesar de haver democracia na saída do Reino Unido, não há bom senso. A grande maioria dos jovens britânicos desejava permanecer na EU. Quem decidiu o referendo foram os mais idosos, que por acaso são muitos naquele país. Mas afinal para quem é o país que fica? Quase 80% dos ingleses até 24 anos queriam permanecer. Mais de 60% dos britânicos com mais 65 anos quiseram partir.

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Quantos anos essa população mais velha terá de conviver com essa decisão? E o jovens que desejavam permanecer? Essa é claramente uma conta injusta.

 

Se o “Leave” será uma herança maldita ou um presente fruto da sabedoria dos britânicos mais velhos para com os seus descendentes só o tempo dirá.

 

Há muitos que defendem que a União Europeia nunca passou de uma construção de burocratas, feita completamente à margem dos eleitores. Talvez politicamente seja verdade, mas é incontestável o património social e comunitário que se dá na prática da livre e estimulada circulação e convivência dos cidadãos europeus. Veja o que faz o Erasmus e terá um bom exemplo.

 

Uma coisa é certa: A paz não se faz em isolamento. Muito antes pelo contrário, pensar que a maior vantagem da união europeia é o fortalecimento económico dos seus membros, é esquecer dos valores de Liberté, égalité, fraternité que moldaram os últimos séculos do velho continente.

 

O maior património dessa comunidade europeia não são seus acordos comerciais, mas a fraternidade dos seus povos. Experimente focar no desenvolvimento económico sem cultivar em paralelo um sentimento comunitário e veja o que o tempo cria. Na Europa foram duas guerras mundiais.

 

Sem fraternidade não há igualdade, e nessa espiral, é a liberdade que sair a perder. Sim, pode haver algum conteúdo dramático nessa leitura, fruto do calor do momento, mas não há nada grande que não comece pequeno.

 

O que faz esse continente único e maravilhoso não são seus castelos ainda de pé, mas uma comunidade de culturas ricas culturalmente que coabitam um mesmo espaço em paz. Votar pela saída por uma questão de diferença é dar um passo atrás a tudo que essa sociedade ensinou ao mundo nas últimas décadas.

 

Bônus de licença poética: Na verdade há uma saída para isso tudo. Neguem o visto de entrada no Algarve aos ingleses que votaram “Leave”, e vejam o que um verão pode fazer pela Europa. Em Outubro já haveria um novo referendo a desdizer isso tudo.

 

Brincadeiras à parte, respeitemos a democracia. É uma decisão soberana, e louvável por esse motivo.

 

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