Conexão Lusófona

Pelo quarto ano consecutivo, grandes artistas uniram-se no palco para celebrar as culturas da língua portuguesa

(Imagem: Marlene Nobre)

Na última sexta-feira, mais de 2.500 pessoas embarcaram numa viagem pelas culturas dos países de língua portuguesa na 4ª edição do Festival Conexão Lusófona.

 

Antes do concerto, a animação do público que ia enchendo o Coliseu ficou a cargo da Jazzy Dance Studios. O seu bailarino, Fábio Jorge, fez uma passagem por alguns dos mais conhecidos ritmos de dança lusófonos desafiando os espectadores a entrarem na dança. No final, sobe ao palco o casal Gabriel&Luana que surpreende o público com uma incrível demonstração de samba de gafieira. Estava assim feito o aquecimento para a grande festa da lusofonia.

(Imagem: José Lorvão)

O concerto teve início com a banda revelação ZukaTuga, que levaram ao palco a mistura que é sua característica principal, foi logo no tema de abertura que tivemos a primeira conexão da noite: junto da banda subiu ao palco o rapper angolano Bob da Rage Sense, que fez uma intervenção com a sua música Amor.

 

– Foi uma experiência muito enriquecedora, primeiramente por partilhar o palco com tantos artistas e também por tocar no palco do Coliseu, o que foi o realizar de um sonho – declarou Ivo, dos ZukaTuga.

(Imagem: José Lorvão)

Bob da Rage Sense destacou a energia entre os artistas no backstage e no palco:

 

– Estava uma energia muito boa! A letra casou com a melodia dos ZukaTuga, a nova lusofonia não pode ser com base em revoluções, mas com base na união e no amor. Tinha que ser um tema forte e o Amor foi o tema que eu escolhi para a participação.

(Imagem: José Lorvão)

Um dos maiores impulsionadores da cultura moçambicana na Europa, Costa Neto fez no palco uma homenagem ao seu país, com o tema Mandjólò.

 

– Esta é uma causa que é super nobre e é por isso que eu abraço a Conexão Lusófona – declarou.

(Imagem: José Lorvão)

Em Psilu, Costa Neto recebeu Marcia Castro, que levou a pimenta do nordeste brasileiro ao palco do Coliseu.

(Imagem: Marlene Nobre)

A baiana relembrou um clássico da música brasileira, Preta Pretinha, para depois apresentar ao público Na menina dos meus olhos. Pela primeira vez em palcos portugueses, Marcia se encantou com a possibilidade de partilhar as proximidades da língua com os outros artistas.

 

– É muito rico poder partilhar das proximidades da nossa língua, porque das distâncias nós já vivemos todos os dias. É divino! Porque a gente poder fazer e manifestar essas nossas proximidades e distâncias a partir da arte. Às vezes a gente não tem nem consciência da nossa irmandade! – explicou.

(Imagem: Marlene Nobre)

Ao subir no palco da Conexão Lusófona, Binhan Quimor mostrou porque é um dos cantores mais renomados da música guineense. No público, mesmo quem estivesse mais acanhado acabou por dançar animadamente com Bolserus.

 

– Um evento como estes é bom para mostrar que somos unidos em português, mas também nas diferentes culturas de cada país. Encontrei com artistas que só ouvia na rádio a música deles, e hoje vamos partilhar o mesmo palco, isso pra mim é muita alegria!

(Imagem: José Lorvão)
(Imagem: José Lorvão)

Acabada de chegar de uma temporada no Japão, onde esteve para divulgar o seu novo álbum, Elida Almeida foi recebida com efusão pela plateia no Coliseu. Com a viola ao peito, presenteou o público com uma atuação impecável de Nta Konsigui, o tema que está no ar em uma telenovela de um grande canal da televisão portuguesa.

 

– Sobretudo para mim, que estou a começar agora, ser escolhida no meio de tantos artistas tão importantes de Cabo Verde para representar o país no Festival é um grande reconhecimento – explicou a nova voz cabo-verdiana, que deixou o palco ao som de pedidos de bis e gritos de “vim aqui só p’ra te ver” da plateia.

(Imagem: Marlene Nobre)
(Imagem: José Lorvão)

Em seguida, em jeito de participação especial, sobem ao palco os são tomenses Calema para apresentarem ao público o seu novo single em conjunto com a diva da pop lusófona Kataleya. O tema Tudo por amor trouxe a dança e o romantismo ao Coliseu com casais “kizombando” pela pista como num baile. A brasileira Kataleya continuou a animar o ritmo da noite com Hoje é hoje, em uma fusão de afro-house e kuduro.

 

– A gente vai descobrindo novas pessoas, novas ondas. A verdade é que o português tem esse calor e essa riqueza, uma sonoridade que deixa alegre – explicou a brasileira que cresceu na Europa e tem África na sua música.

(Imagem: Marlene Nobre)

Para os Calema, que subiram pela segundo ano seguido ao palco do Festival Conexão Lusófona, o sentimento não podia ser diferente:

 

– Vamos celebrar a liberdade e a língua portuguesa em uma só voz, esse é o nosso objetivo: levar essa nossa cultura além-fronteiras e, melhor ainda, com a música. Ser lusófono é estar com os braços abertos não só para os nossos irmãos, mas para o mundo.

(Imagem: José Lorvão)

Filipe Santo trouxe todo o ritmo de São Tomé e Príncipe ao Coliseu com o seu Wolo Wolo.

 

– A lusofonia consegue ser uma palavra mágica, porque consegue congregar várias etnias, várias modalidades culturais num só lugar, com o fiozinho condutor que nos liga, a língua portuguesa. Lusofonia é estar longe e perto, distante e tão aprochegado de culturas diferentes, é uma boa onda no fundo! – declarou minutos antes de subir ao palco.

(Imagem: José Lorvão)

No ano em que completa 20 anos de carreira, Don Kikas levou o balanço angolano ao público da quarta edição da Conexão Lusófona e todo o seu carisma levantou a plateia.

 

– É a primeira vez que trabalho com muitos dos músicos que estão neste concerto. O bom de estar num projeto como este é que, como reúne vários artistas de culturas e experiências diferentes, cada um traz o seu “bocado” e saímos daqui mais enriquecidos musical e até espiritualmente – explicou.

(Imagem: José Lorvão)

Nome revelação entre os artistas desta edição do concerto, Benvinda de Jesus, apresentou no palco uma música que leva o nome da sua terra natal: Timor-Leste.

 

– Poder mostrar a cultura timorense ao mundo é uma oportunidade incrível. Estar com artistas de renome no palco e ter a oportunidade de interagir com eles no backstage… senti-me muito bem muito acolhida, senti-me em família.

(Imagem: Marlene Nobre)

Os Deolinda encerraram o espetáculo com as conhecidíssimas Mal por mal e Fiscal do fado.

 

– Estamos todos a falar e a nos entendermos sem esforços, não só porque falamos a mesma língua, mas porque esta língua deu origem a uma forma de expressão musical que sendo diversa cabe toda na mesma casa, digamos assim. É uma felicidade poder participar deste projeto – declarou a vocalista Ana Bacalhau.

(Imagem: José Lorvão)

Em seguida, os Deolinda convidaram todos os artistas para o palco, onde juntos cantaram Seja agora, finalizando a noite com um grande momento de união e simbolismo que levantou a plateia.

(Imagem: Marlene Nobre

Em 2016 a Conexão Lusófona regressará com a quinta edição do seu Festival e promete muitas novidades e uma festa ainda maior.

 

Estamos juntos. Até para o ano!

 

 


 

 

O espetáculo teve a direção musical assinada por P.L.I.N.T (Pablo Lapidusas International Trio), formado por Pablo Lapidusas, Marcelo Araújo e Leo Espinoza.

 

A 4ª edição do Festival Conexão Lusófona contou com a parceria do Ano Europeu para o Desenvolvimento (AED) e, em particular, do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, entidade coordenadora do AED em Portugal. Também patrocinaram esta iniciativa a Secretaria de Estado da Cultura, a Secretaria de Estado da Juventude, a Fundação Portugal-África e o Alto Comissariado para as Migrações.

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