Sociedade

Quem é Tábata Amaral e porque você precisa conhecê-la

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O estado de São Paulo — considerado o mais rico e um dos mais conservadores do Brasil — elegeu uma das políticas mais jovens da legislatura: Tábata Amaral, nascida em 14 de Novembro de 1993. Membro da geração Millennials, a jovem se destacou após o vídeo gravado no Congresso Nacional, no qual questiona, desconstrói e desafia enfaticamente o Ministro da Educação do Brasil, Ricardo Vélez.

 

A deputada, em voz sempre serena, foi bem direta em falas como “Em um trimestre, não é possível que o senhor apresente um Power Point com dois ou três desejos para cada área da Educação. Cadê o projeto? Cadê as metas? Quem são os responsáveis? Isso aqui não é planejamento estratégico, isto é uma lista de desejos”.

Quem é Tábata Amaral?

Tábata, agora em seus 25 anos, nasceu em São Paulo no ano em que o país passava por grande crise econômica e política. Econômica, com a era da Hiperinflação, onde os preços dos mantimentos nos supermercados subiam três vezes por dia (pela manhã, pelo meio-dia e ao fim de tarde) e a inflação no Brasil beirava 2500% ao ano (IPCA de 2477,15%), com sucessivos planos econômicos que não resultavam. E Política, pois Itamar Franco acabava de assumir o instável cargo de Presidente da República após o Impeachment, por crime de responsabilidade, do então presidente Fernando Collor — o primeiro democraticamente eleito após a longa Ditadura Militar no país.

 

Os pais, de origem humilde, não haviam completado o ciclo básico escolar, o que reduzia as oportunidades. Isso fez com que Tábata e seu irmão fossem criados na periferia de São Paulo — em uma região onde há muitas drogas e carência financeira. O pai, cobrador de ônibus (no Brasil, há um profissional que recebe as passagens, função que em outros países é acumulada com a de motorista) tornou-se viciado em álcool e outras drogas. A mãe, funcionária das limpezas, se deslocava até o centro da cidade para trabalhar. Essa é a realidade — até hoje — de muitos trabalhadores de São Paulo, que por vezes passam até quatro horas por dia em meios de transporte para irem de casa ao trabalho. À época, devido à alta inflação, era praticamente impossível ter um planejamento financeiro.

 

Em 1994, Itamar Franco e o seu Ministro da Economia — que viria ser o próximo presidente, Fernando Henrique Cardoso — instituíram o Plano Real, o que estabilizou a moeda e trouxe alguma segurança econômica ao país. A partir daí começa outro ciclo e a vida dos trabalhadores tende a regular-se.

Interesse pela matemática

Os pais trabalhavam para garantir que os filhos pudessem estudar e, em 2005, Tábata Amaral foi medalha de prata na primeira edição da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), uma iniciativa do Governo Federal na era do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para popularizar a Matemática. Já em 2006, aos 13 anos, ganhou o ouro, o que rendeu uma bolsa de estudos em uma escola privada de São Paulo. O gosto pela matemática a levou à Faculdade de Astrofísica em Harvard, curso do qual mudou para Ciências Políticas, onde começou a trabalhar com o tema da Educação.

 

À mesma época do início dos seus estudos, perdeu o seu pai para as drogas, deixando, no Brasil, apenas mãe — que terminou os seus estudos pelo programa Ensino de Jovens e Adultos (EJA) — e irmão. Sua mãe, hoje, é recepcionista.

 

Em 2016, Tábata Amaral voltou ao Brasil com o intuito de trazer o aprendizado para o país. Filiou-se ao PDT, partido do ex-candidato à presidência Ciro Gomes, e cofundou o Movimento Acredito — que lida com empoderamento e atuação política — e o Movimento Mapa da Educação — que lida diretamente com direito à Educação, o qual ela acredita que teria garantido melhor situação para a sua família e evitado tanto a ida às drogas por parte do seu pai quanto as mortes de diversos amigos para a violência.

Porque deve conhecê-la

Tábata é uma representante da nova geração nascida entre 1985 e 2000 (chamada Y ou Millennials), que agora chega à idade adulta e começa a ocupar cargos de poder — nas empresas, na política, nas artes. Tendo voltado dos Estados Unidos em 2016, iniciou a trabalhar para uma empresa privada, decidindo que aquilo não preencheria a sua vontade de fazer algo pelo mundo — um traço típico da Geração Millennial. E começou a enveredar pelo campo dos movimentos sociais e da atuação política.

 

A geração Millennial, no Brasil, é a primeira criada fora da Ditadura Militar e teve a sua infância moldada pela estabilidade da era de Fernando Henrique Cardoso, as oportunidades das políticas sociais do governo de Lula e não havia visto outra forma de governo fora da esquerda — representada pelo PT. Tábata pode ser um exemplo do que esperar dessa geração, que conta com outros nomes — da direita à esquerda no espectro político.

 

Tabata Amaral foi eleita com a sexta maior votação no estado de São Paulo e é vice-líder da bancada que reúne os partidos PDT, PROS, AVANTE e PV, além de ser membro titular da Comissão de Educação, da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher e membro suplente da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, dois eixos de importância estrutural social.

 

A deputada é criticada por alguns posicionamentos pela direita e pela esquerda, mas defende-se progressista e acredita na conjugação de esforços para a construção do país que considera justo.

 

Saiba um pouco mais de Tábata Amaral nesta entrevista:

 

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