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Moçambique está à beira de um colapso económico

(Imagem: Reprodução Sapo)

 

Não é para menos, em meio a dívidas e escândalos gigantescos de corrupção, Moçambique encontra-se numa situação de total debilidade económica. O escândalo financeiro moçambicano começa exactamente com uma dívida de 850 milhões de dólares que se supunha ser para um empresa criada com objectivo de comprar barcos de pesca do atum e para a segurança marítima, designada EMATUM.

 

Além das obrigações da referida empresa, houve mais dois empréstimos, um à Proindicus no valor de 622 milhões, em 2013, e um terceiro empréstimo cujo valor ultrapassou os 500 milhões de dólares, todos tratados pelo Credit Suisse e pelo Russo VTB Bank.

 

Recentemente, o Fundo Monetário Internacional (FMI) cancelou uma visita que se realizaria ao país pelo facto de Moçambique ter contraído dívidas e não as ter revelado ao FMI. Embora se presuma que possam surgir mais dívidas, as já reveladas somam um valor astronómico, facto que levou o FMI a cortar ainda o apoio em mais de mil milhões que concederia ao país.

 

Neste momento, o primeiro-ministro de Moçambique está em Washington para discutir a dívida e durante a estadia irá manter encontros, em separado, com a Directora Geral do Fundo Monetário Internacional, e responsáveis a nível do Banco Mundial, assim como com as autoridades norte-americanas.

 

Vai igualmente confirmar o total da dívida contraída pelas empresas públicas, com garantias do Estado, que não aparecem nas estatísticas e não foram reportadas ao FMI, no contexto do Programa Económico em curso, por motivos que serão abordados durante os encontros supracitados. Ao mesmo tempo, o presidente moçambicano, Filipe Nyusi, exerce a sua diplomacia económica junto da União Europeia para acalmar aquele que é um dos seus mais antigos e valiosos parceiros de cooperação.

 

Moçambique foi considerado nos últimos tempos como um dos países de África com as taxas de crescimento económico mais elevadas, no entanto os próximos tempos poderão ser bastante difíceis. E o mais agravante é que a agência de notação financeira Moodys baixou a nota de crédito de Moçambique de B3 para Caa1. Esta é a segunda descida do rating do país pela Moods, em menos de um mês e a EMATUM continua a ser apontada como responsável de todos os males.

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