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A geração mais estúpida e informada de sempre

#CrónicasLusófonas

 

“Millenials” – O nome dado a esta geração, nascida entre o meio da década de 90 e os dias de hoje, que cresceu no Mundo globalizado com a internet. Uma geração exposta, desde sempre, a quase todo o conhecimento armazenado pelo ser humano, num ideal que nem Ptolomeu imaginaria com a Biblioteca de Alexandria. Contudo, ter acesso constante a tudo o que é possível e imaginável de informação sobre qualquer tipo de tópico fez algo de terrível a esta geração – matou a ambição e sentido na vida.

 

“Não vou aprender outra língua, leio as legendas.”

“Vi isso na net, por isso tenho razão.”

“Tanto faz, vejo no Google.”

 

Estas frases demonstram uma falta de interesse descomunal sobre qualquer tipo de tópico, e vejo a sua utilização todos os dias, até por mim, mas temos de pensar no outro lado do espectro – fanatismo.

 

Como na net há uma infinidade de informação (real ou Fake News™) sobre uma infinidade de tópicos, não se espera que toda a gente se torne um Leonardo da Vinci, até hoje seria admirado, a dominar uma quantidade ridícula de artes e ofícios. Provou-se que o cérebro do homem “com H pequeno” se interessa por poucos tópicos e tende a obcecar-se neles, ao contrário da mulher que balanceia vários interesses mas raramente os eleva ao ponto de dominarem a sua vida.

 

Estes dois factores inatos são assustadores para quem tem todo o conhecimento do Mundo no bolso – homens podem escolher as suas duas ou três obsessões e complementá-las com toda a informação, verdadeira ou falsa, na internet, ao ponto de não terem nada de útil na vida com que criar as bases para a vida adulta. Não tento falar pelas mulheres, mas pelo que soube de várias amigas minhas, tendem a desenvolver tantos interesses que não acabam por desenvolver nenhum.

Reprodução: ManpowerGroup

Em ambos os casos, cria-se um vazio interior, um sentimento de inutilidade, de que não há nada correcto na vida, uma interiorização da frase “I haven’t got my shit straight”. Com isto, gera-se uma falta de empatia, um nilismo, uma ganância por tentar encher esse vazio com uma maior obsessão ou com mais interesses que vão ser substituídos como quem muda de roupa interior, que fomenta o próprio problema como um vórtice sem fim.

 

A isto junta-se a chave desta geração paradoxal, um conjunto de invenções que elas próprias são tanto indispensáveis como completamente descartáveis, dependendo do ponto de vista – As redes sociais.

Quem é que decidiu que temos de estar sempre contactáveis?

Quem é que decidiu que falar em conjuntos de 140 caracteres é o mesmo de falar cara-a-cara?

 

Quem é que decidiu que temos de mostrar que a nossa vida é excelente e partilhar qualquer tipo de coisa ligeiramente melhor do que o normal à espera de likes, retweets, shares que hoje em dia se aproximam assustadoramente do sentido de vida para certas pessoas? Não me interessa o que comeste hoje, com quem estiveste hoje, as hashtags que usaste, as coisas de que gostas hoje ou quantos likes recebeste no post. Não quero saber de nada disso!

 

Agora, se não se importam, vou voltar à minha vida normal, que consiste em ler sobre jogos competitivos, treinar nesses mesmos jogos, tentar aprender a ler e falar japonês, escrever textos que eu próprio acho que são pretensiosos, e estar constantemente deprimido ao pensar que tudo o que fiz nos últimos 22 anos foi completamente inútil, pois estou a estudar algo que não penso seguir de qualquer forma e que não vejo futuro nenhum para mim em qualquer área que me poderia complementar e acabar com este pavor pelo que vem a seguir.

 

Pelo menos existe álcool e nicotina.

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