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Cinco erros que te impedem de encontrar emprego em Portugal

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Encontrar emprego em Portugal é um fator essencial para muitos que vêm estudar e têm de pagar as contas em euros. Em meio a tantas falsas informações pela Internet e a dificuldade da diferença cultural, por vezes essa missão torna-se complicada. Falamos com alguns especialistas na área de Recursos Humanos em Portugal e separamos os erros mais frequentes. Algumas regras são globais, mas não custa repetir.

 

1) Currículo

É verdade que vários empregadores buscam currículos com algum diferencial na estética, conteúdo relevante e que tenham relação com a vaga disponível. Disso todos falam. Mas algumas coisas acontecem com muita frequência e não são muito faladas.

 

Insira foto (mas não qualquer uma). Saber com quem fala é importante. Mas não coloque qualquer foto. Uma em meio-plano, com boa iluminação, com rosto, de preferência recente, na qual seja identificável é essencial. Há muitas pessoas que colocam fotos em festas, na praia, com óculos escuros, de corpo inteiro, distantes, com má resolução, escuras e informais em excesso. Não faça isso, a menos que o cargo permita — como algumas partes da área das artes. A intenção da foto é gerar uma boa primeira impressão.

 

Não deixe grandes “buracos”. É até comum que não se faça algo relevante por algum período, mas não deixe grandes espaços de tempo sem explicação. Se você coloca que trabalhou de 2011 a 2013 em um lugar e de 2018 a 2019 em outro, mas não há nenhum curso ou experiência entre uma coisa e outra, as pessoas vão querer saber o que se passou naqueles 5 anos. O aconselhável é que na carta de intenções diga-se o que se passou.

 

Há um modelo europeu. Conhece o Europass? Europass é o modelo de currículo padrão em todos os países da região. É o mais usual e contém todas as informações necessárias — a não ser que seja para áreas que valorizem outras estéticas, como design, programação e arte.

 

Envie! Pode parecer uma bobagem, mas há muitos que enviam e-mail a candidatar-se, mas esquecem de anexar o currículo. Assim fica um pouco complicado, não é mesmo? Além de não permitir que o entrevistador saiba quem você é, ainda demonstra desleixo e falta de atenção — características não muito valorizadas por um empregador. Atente-se!

2) Segundo idioma

Portugal é um país europeu — onde há livre circulação de pessoas — e famoso destino turístico internacional. Lembre-se que os países têm territórios pequenos na Europa (principalmente em relação ao Brasil) e que é fácil se deslocar entre eles. Há estrangeiros por toda a parte. Imagine que Portugal é o Rio de Janeiro: no Espírito Santo fala-se italiano, em São Paulo fala-se francês, em Minas Gerais fala-se espanhol. A lógica é a mesma. É importante falar uma segunda língua, principalmente se for trabalhar com atendimento ao público, restaurantes ou turismo direto. Na dúvida, aprenda Inglês, que é uma língua comum.

 

3) Não estar regularizado no SEF

Para trabalhar legalmente em Portugal é preciso um visto de trabalho no Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). Caso não haja, tanto empregador quanto empregado estarão ilegais e podem sofrer punições. A maioria dos empregadores não quer correr riscos de pagar altas multas, lembre-se disso. E, depois de tanto tempo a procurar um trabalho, a última coisa que quer é ouvir um “muito bom seu currículo, excelente entrevista, mas não posso contratar sem autorização do SEF”.

 

Outros aceitam, mas na lógica informal, que não garante seus direitos trabalhistas e, inclusive, podem colocar-te em situações complicadas caso haja acidentes ou fique doente. A via ilegal definitivamente não é uma boa escolha.

 

Validar diplomas. Dependendo da área em que estiver procurando trabalho, além do visto,  é indispensável ter o seu diploma validado. Isso significa que uma instituição portuguesa reconheceu os seus documentos e que você está apto a exercer suas funções. Em alguns casos, é importante, ainda, obter o reconhecimento da Ordem da profissão (Ordem dos Médicos, Ordem dos Advogados, etc.).

 

4) Entrevista

A entrevista é uma parte fundamental do processo seletivo e é o primeiro contato pessoal entre empregador e empregado. Nesse contexto, lembre-se que está em uma cultura europeia e que os portugueses, em geral, são mais reservados e culturalmente mais desconfiados de início. Ao mesmo tempo em que os portugueses têm fama de serem muito sérios e sisudos, os brasileiros têm fama de serem muito “espaçosos” — mas é só uma diferença cultural. Para gerir essa diferença, não seja invasivo ao falar com potenciais empregadores.

 

Não ache que, por serem simpáticos, pode ultrapassar certas barreiras de intimidade, como dar beijinhos, falar de intimidades e perguntar informações que não são relacionadas a trabalho. Também não é aconselhável falar muito alto, nem falar nas entrelinhas ou por indiretas (aparentemente uma característica brasileira): responda às questões diretamente e com cordialidade. Clareza, firmeza e objetividade ajudam a perceber a certeza que você tem em querer aquele emprego.

 

5) Colocar empecilhos à partida

Disponibilidade. Quando procura-se emprego em Portugal, é importante mostrar sua disponibilidade de forma clara. Isso porque, a depender da área, será exigido horário flexível e você tem que saber se está preparado.

 

Em restaurantes, por exemplo, é muito comum os horários repartidos, no qual o trabalho se dá em 9 horas diárias, divididos em dois turnos (um das 12h às 15h e outro das 18h à meia-noite, por exemplo). Além disso, há as horas extras, que, em geral, não são pagas, são convertidas em “banco de horas” e depois são trocadas por dias de folga. Em hotéis, por norma, folgas e horários não são fixos. Um dia pode trabalhar das 9h às 17h, no dia seguinte das 11h às 19h e no terceiro das 15h às 23h. Saiba quais são seus limites e converse no momento da entrevista sobre os horários de trabalho.

 

Exigir direitos que não sabe se tem. Mudar para outro país é conhecer as leis do local. Em Portugal, não é regra o vale-transporte (subsídio de transporte é só em alguns casos), por exemplo, e o sistema de contratação é “contrato de trabalho” onde os deveres e direitos são discutidos entre patrão e funcionário. Conheça seus direitos nas normas portuguesas, pois exigir coisas que não cabem dão a impressão de que está sendo aproveitador, exigente demais e que não está disposto àquele trabalho.

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