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Governantes de populações pobres que levam vidas de luxo

Num mundo onde a desigualdade está espelhada em quase todos os lugares, há ainda algumas situações que podem surpreender. A surpresa, ou até indignação, surge principalmente quando a disparidade coloca em evidência o luxo aos quais “uns” (os governantes) têm acesso, enquanto “outros” (o povo) vivem em contextos sociais e financeiros de constante batalha contra a fome, a pobreza, as profundas crises económicas ou a corrupção. Elaboramos uma seleção onde constam alguns líderes mundiais que fazem precisamente isso – têm um lifestyle luxuoso, repleto de gastos e consumos, sendo que governam países onde grande parte da população sofre com inúmeras carências e dificuldades a nível material.

 

Veja em baixo:

 

Kim Jong-un
Kim Jong-un, líder da República Popular Democrática de Coreia (Imagem: Reprodução Rodong Sinmund)

O ditador norte-coreano não deixa ninguém indiferente, não só no seio da imprensa como, também, fora dele, junto dos governantes e populações internacionais que “torcem o nariz” à sua forma de governar. No poder desde 2010, o líder de apenas 35 anos já leva uma vida de luxos há bastante tempo, até porque subiu ao governo após o falecimento do seu pai, Kim Jong-il, o que significa que não precisou de esperar até tomar posse para conhecer uma vida de privilégios. Além de possuir, claro, o habitual jato privado (de luxo, como se vê na imagem acima), Kim Jong-un também gosta de iates, comida gourmet e festas.

 

Segundo o Huffington Post, o ditador tem cerca de 600 milhões de dólares anuais à sua disposição. Embora a Organização das Nações Unidas (ONU) considere que esse dinheiro deve ser investido em ajudas ao povo da Coreia do Norte, os gastos prioritários do “líder supremo”, como é chamado no país, parecem ser outros. Segundo um artigo do Messenger Newsas despesas de Kim são, maioritariamente, relacionadas com a compra de marcas caras (e internacionais) de whisky e cognac, comida vinda do estrangeiro (como porco dinamarquês de alta qualidade, caviar iraniano e kobe beef japonês), cigarros personalizados, campos de golfe privados, visitas de amigos célebres, presentes para a sua elite, cinema de luxo, relógios, iates, carros, pistas de aterragem para o seu jato privado e quase duas dezenas de palácios.

 

Quanto à população norte-coreana, que conta com cerca de 25 milhões de pessoas, já não é segredo que leva um quotidiano de contenção e censura. Segundo a revista Veja, há até um dia – o 8 de julho, dia que assinala o falecimento do avô do atual ditador, Kim II-sung, o fundador do país – em que é proibido sorrir. Além disso, só as elites podem ter acesso a carro próprio ou a produtos estrangeiros. Enfim, trata-se de um povo que é duramente sancionado e torturado se não cumprir as rígidas regras do regime, que vive em constante estado de vigilância e de comida racionada.

 

Maha Vajiralongkorn
Maha Vajiralongkorn Bodindradebayavarangkun, Rei da Tailândia (Imagem: Reprodução Getty Images)

O nome pode parecer um pouco complicado de pronunciar, mas mais complicado seria tentar entender a discrepância entre a família real tailandesa e o resto da população. Obviamente que, sendo liderada num contexto monárquico, já se espera uma maior ostentação por parte do governo, nem que seja pelas vestes, pelos meios de transporte e por toda a quantidade de pessoas que “serve a coroa”. Ainda assim, o cenário é interpretado de uma maneira diferente quando se realça o facto de a população tailandesa estar muito abaixo da média global no que ao rendimento per capita diz respeito. Segundo o Dinheiro Vivo, esse valor ronda os 5.047 euros anuais e a pobreza extrema é, ainda, uma realidade – com maior incidência na região sul do país.

 

Maha subiu ao trono em 2016, depois do falecimento do seu pai, o rei Bhumibol Adulyadej, que era muito admirado e querido pelos tailandeses. Por outro lado, Maha, ainda enquanto príncipe, já era notícia devido aos seus comportamentos excêntricos. Em 2014 foi mencionado nos órgãos internacionais de comunicação social por se ter “refugiado” num hotel de cinco estrelas, juntamente com a sua comitiva, durante os tumultos que assombraram a política tailandesa. No hotel onde decidiu hospedar-se, o Tylney Hall, cada noite custa entre 280 a 595 euros, segundo o The Telegraph. 

 

Enquanto rei, rapidamente se desfez da lei implementada pelo seu pai – e antecessor -, que atribuiu a responsabilidade de gestão da propriedade da coroa a um oficial do governo, segundo o Japan Times. Em 2016, Maha decidiu reorganizar o departamento e, em conclusão, tomou o total controlo dos bens e dinheiros do governo; isto significa que ninguém poderá retirar bens à coroa sem a sua aprovação prévia. Portanto, o que antes era, segundo a mesma publicação, negado pela monarquia tailandesa – sobre a recorrente nomeação do rei Bhumibol Adulyadej como o monarca mais rico do mundo, pela revista Forbes , agora será mais difícil de contrariar. A propriedade da coroa está monopolizada pelo seu filho e atual rei, ou seja, este pode ser considerado o proprietário de tudo o que a coroa possui: desde enormes faixas de terreno em áreas nobres do centro de Banguecoque, até participações maioritárias em várias empresas nacionais e internacionais (como hotéis de luxo na Europa e nos Estados Unidos da América e um parque temático em Espanha, entre tantos outros bens). Para piorar, o departamento responsável pela propriedade da coroa está livre de qualquer imposto e não pode ser sujeita a auditorias por parte de qualquer entidade, pública ou privada.

 

Nicolás Maduro
Nicolás Maduro, presidente da Venezuela (Imagem: Reprodução USA Today)

Presidente da Venezuela desde Abril de 2013, Nicolás Maduro já foi alvo de duras críticas em relação aos seus gastos e estilo de vida. Estando o país num total colapso económico, a viver uma crise de hiperinflação que obriga as pessoas a emigrar para fugir da miséria e da fome, não é de estranhar que o comportamento do presidente resulte em sentimentos de indignação e revolta. Enquanto faltam mantimentos, comida e fármacos à população, Maduro fuma os melhores charutos, come em restaurantes de luxo e gasta valores exorbitantes com a sua presidência, que rondam os 2,5 milhões de dólares diários, segundo o jornal O Globo.

 

A mais recente polémica aconteceu num restaurante em Istambul, no qual o governante venezuelano foi servido pelo famoso chef Nusret Gökçe, mais conhecido como Salt Bae, em instalações luxuosas e, claro está, acompanhado do seu charuto (saído diretamente de uma caixa igualmente glamourosa, aparentemente de ouro e com o nome do presidente gravado). Veja aqui.

 

Teodorin Obiang
Teodorin Obiang, vice-presidente da Guiné-Equatorial (Imagem: Reprodução LA Weekly)

Obiang é, não apenas o filho do presidente da Guiné-Equatorial, como também o vice-presidente da nação desde 2012. O seu pai, Teodoro Obiang, no poder desde 1979, já foi considerado o oitavo governante mais rico do planeta pela revista Forbes, sendo que a Guiné-Equatorial continua a ser um dos países mais pobres a nível mundial. Contraditório, não é? Pois, é muito, mas infelizmente isso não muda a realidade. É devido a toda essa fortuna que Teodorin já deixou uma marca na imprensa internacional, quer pelos seus polémicos gastos, quer pelo grau de ostentação que promove face aos mesmosPossui dezenas de carros de luxo, organiza festas extravagantes onde não há limite para os gastos (até já “contratou” um tigre para estar presente numa delas), tem um avião privado e propriedades espalhadas pelos Estados Unidos da América, França e África do Sul. Tem motoristas, pilotos, cozinheiros, empregados de limpeza, jardineiros; etc.

 

Teodorin chegou a ser condenado a três anos de prisão (com pena suspensa), em França, por corrupção e desvio de dinheiros públicos e, atualmente, ainda se encontra a cumprir essa pena. A polémica mais recente em que esteve envolvido aconteceu durante uma viagem ao Brasil: as autoridades brasileiras revistaram o seu avião e apreenderam cerca de 1.5 milhões de dólares e o equivalente a 15 milhões de dólares em relógios de luxo.

 

Enquanto tudo isto acontece, a população da Guiné-Equatorial sofre com a fome, a mortalidade infantil e a baixa esperança média de vida. O mais assustador é que, pelo que tudo indica, o político equato-guineense está a traçar um rumo até à presidência do país, o que será, muito provavelmente, uma renovada garantia sobre a permanência deste estilo de vida esbanjador, onde a corrupção e a injustiça são as palavras de ordem.

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