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Macau

Actualmente, sempre que se fala de Macau, fala-se em casinos. Até é capaz de ser verdade que os 33 casinos que existem, sejam demais para os seus 29 km2 de extensão. É verdade… Macau é Jogo…não fosse ter os dois maiores casinos do mundo. Mas será que Macau é só jogo? Eu penso que Macau, apesar da sua reduzida extensão é muito, muito mais que jogo.

Para mim, a minha terra significa muito mais do que casinos. É património Mundial da Humanidade da UNESCO, desde 2005, é um local de encontro de culturas e de síntese entre duas culturas distintas nos valores e nas origens. Mais: o que para mim torna Macau único, é o facto de existirem os macaenses! Falamos de um povo que traduz a fusão entre o ocidente e o oriente, que celebra o Natal e festeja o Ano Novo Lunar, que come Bacalhau na Consoada e Nian Gao (年糕) na passagem do ano chinês.

Ora: os macaenses são a face visível da fusão entre chineses e portugueses. Não basta nascer em Macau, é necessário que a sua família seja verdadeiramente luso-chinesa, e os 400 e muitos anos de presença portuguesa fizeram o resto. No seio das famílias macaenses foi surgindo uma gastronomia própria (recomendo o Minchi com ovo estrelado!) e até um dialecto próprio, o patuá. Desta forma, paulatinamente, foi surgindo uma micro-cultura que tem por base o entendimento dos povos.

Contudo, actualmente, tirando as esferas políticas que reconhecem a janela de oportunidade de expansão da influência chinesa em países lusófonos, Macau desliga-se cada vez mais da Lusofonia. Os seus jovens estão cada vez mais influenciados por outras “culturas modernas”, na minha opinião de valores vazios. Assim, é necessário também em Macau, existir uma força que queira manter a chama da Lusofonia bem acesa, para que os macaenses possam também fazer parte desta plataforma de entendimento entre povos, que permite levar mais longe a vocação universalista da língua portuguesa.

A questão da Lusofonia em Macau tem de ser encarada como um trabalho contínuo e persistente. Caso contrário, corre-se o risco de passarmos de uma cidade de Lusofonia viva para uma cidade de Lusofonia de museu. Dita a história que se falava português em Malaca, Goa, Damão e Diu. Hoje, nesses locais, a Lusofonia não passa de uma curiosidade histórica.

Na minha perspectiva cabe agora a nós, jovens lusófonos, levar uma palavra de entendimento e cooperação a todos aqueles que partilham connosco um património cultural comum e que, parecendo que não, ainda assim existe no oriente!

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