MundoPaíses

Mudança climática não é histeria, é real, diz DiCaprio na ONU

(Imagem: Cia Pak / UN Photo)

O ator americano Leonardo DiCaprio usou seu charme hollywoodiano para exigir nesta terça-feira (23) aos líderes mundiais reunidos na Cúpula do Clima ações urgentes a grande escala para combater o aquecimento global e assegurou que, caso isso não seja feito, serão eles os responsáveis pelo fracasso.

Em discurso durante a abertura do encontro organizado pela Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, o ator afirmou que interpreta personagens fictícios que resolvem problemas fictícios, e que “a humanidade tem encarado as mudanças climáticas da mesma maneira: como se fossem ficção, acontecendo no planeta de outra pessoa; como se, ao fingir que a mudança climática não é real, ela fosse desaparecer”. Ele pediu ainda que os políticos parassem de encarar o aquecimento global como ficção e tomassem medidas urgentes e em grande escala para combater o “maior desafio na nossa existência nesse planeta”.

DiCaprio defendeu que a ação contra o aquecimento global não é uma questão de política, mas de sobrevivência, e pediu aos chefes de Estado e de governo que enfrentem o problema com “coragem e honestidade”.

O ator discursou no evento a convite do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que o nomeou Mensageiro da Paz para divulgar a mensagem contra a mudança climática. O astro é conhecido como um ativista do meio ambiente. Em 1998, ele lançou sua própria instituição e caridade ambiental, a Leonardo DiCaprio Foundation, que captou mais de US$ 25 milhões para projetos de proteção de espécies ameaçadas de extinção em uma noite de gala em 23 de julho deste ano.

O canal oficial da ONU no Youtube divulgou o vídeo do discurso:

Confira a íntegra do discurso, em tradução publicada pelo jornal O Globo:

“Como ator eu represento para viver. Eu interpreto personagens fictícios que resolvem problemas fictícios. Eu acredito que a Humanidade tem olhado para as mudanças climáticas da mesma forma: como se fosse ficção, acontecendo no planeta dos outros, como se não fosse real ou, de alguma forma fosse passar.

Toda semana assistimos a evidências de que as mudanças climáticas estão aqui agora. Sabemos que os alagamentos estão se intensificando, nossos oceanos estão se aquecendo e ficando mais ácidos devido ao metano que emerge do fundo do mar. Assistimos a eventos climáticos extremos, aumento de temperaturas e o derretimento das calotas polares em níveis sem precedentes, décadas à frente das projeções.

Nada disso é retórica, e nada disso é histeria. Isso é fato. A comunidade científica sabe, a indústria e o governo sabem, até as Forças Armadas sabem disso. Vocês podem fazer História… ou serem vilipendiados por ela.

Para ser claro, não se trata apenas de falar para as pessoas mudarem as lâmpadas que usam ou testarem carros híbridos. O desastre tem crescido além das escolhas individuais. Agora isso tem a ver com nossas indústrias, e as decisões tomadas por governos ao redor do mundo, em ações de larga escala.

Eu não sou cientista, mas nem preciso ser. Porque a comunidade científica tem falado, nos deu prognósticos, e se não agirmos juntos, pereceremos.

Agora é nossa vez de agir.

Precisamos colocar uma etiqueta de preço nas emissões de carbono, e eliminar os subsídios do governo para carvão, gás e empresas de petróleo. Precisamos pôr fim à isenção que as indústrias poluidoras têm em nome da economia de mercado. Até a economia morrerá se nosso ecossistema entrar em colapso.

A boa notícia é que a energia renovável não é apenas possível, mas uma boa política econômica. Novas pesquisas mostram que até 2050, a energia limpa poderá fornecer 100% das necessidades mundiais e ainda criar milhões de empregos.

Resolver esta crise não é uma questão de política. É obrigação moral.

Só temos um planeta.

A Humanidade deve tornar-se responsável em grande escala pela a destruição gratuita de nossa casa. Proteger o nosso futuro neste planeta depende da evolução consciente de nossa espécie.

Esta é a mais urgente das vezes, e a mais urgente das mensagens.

Delegados, líderes mundiais, eu represento para viver. Mas vocês não. As pessoas se fizeram ouvir no domingo em todo o mundo e o impulso não vai parar. E agora é a vez de vocês, o tempo para responder ao maior desafio de nossa existência neste planeta … é agora.

Peço-lhes que enfrentem isso com coragem. E honestidade. Obrigado”.

Sem comentários

Deixe-nos a sua opinião

O seu endereço de email não será publicado.

This site is protected by reCAPTCHA and the Google Privacy Policy and Terms of Service apply.