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O mundo todo abarco e nada aperto

“O mundo todo abarco e nada aperto” – Luís V. de Camões

Quando se fala de lusofonia, invariavelmente, acabamos por falar dos Palop’s, da CPLP e do passado colonial Português. Se é verdade que sem o Império Português não seria possível uma disseminação da língua Lusa pela Comunidade de Países de Língua Oficial Portuguesa, não deixa de ser pertinente colocar-se a seguinte questão: Será a Lusofonia passado e só é presente nos países onde Português é língua oficial?

Pessoalmente, não sou adepto desta visão introspectiva e retrospectiva da Lusofonia, de tomar a parte pelo todo.

Introspectiva, porque a Lusofonia não é património exclusivo dos países de língua oficial Portuguesa, pois existem espalhados pelo mundo falantes de Português das mais variadas nacionalidades, e mesmo não falantes de Português que, apesar de não falarem com fluência a língua portuguesa, defendem aguerridamente uma identidade de matriz lusa.

Retrospectiva, porque falar de Lusofonia não pode estar limitada aos acontecimentos históricos e aí ficar agrilhoado. A presença Portuguesa além-mar é um ponto de partida de um caminho que se projecta por todo o mundo e passa pelos Jovens de hoje construir o futuro.

Apesar das nossas diferenças, acredito que a Lusofonia é inclusiva; “inclui” aqueles que, levados pela curiosidade, aprenderam Português, como aqueles que, por vicissitudes próprias, deixaram de comunicar nesse idioma mantendo, todavia, a cultura lusófona. Como exemplos fortes destes últimos, destacaria a Prima Maria* ou ainda, os manos Rodrigues*que teimam em não deixar morrer o Papiá Kristang*.

É um sentimento de partilha e de comunhão. Não se explica, sente-se.

É necessário uma visão mais global que extravase as fronteiras dos países e reconhecer que a Lusofonia está nas pessoas. Assim sendo, é imperativo a criação de plataformas para as unir, independentemente da sua localização geográfica porque a Lusofonia “o Mundo todo abarca e nada aperta!”.

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