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Saiba quem foi Zibia Gasparetto, a espiritualista brasileira que vendeu 18 milhões de livros

Zibia Gasparetto, uma das mais conhecidas escritoras espiritualistas do Brasil, nasceu no ano de 1926, em Campinas, e era de ascendência italiana. Cedo se interessou pela temática da espiritualidade, mas foi em conjunto com o marido, Aldo Luiz Gasparetto, com quem casou aos 20 anos de idade, que a autora realmente se encontrou e formou enquanto médium

 

O seu primeiro episódio de comunicação com entidades espirituais só aconteceu quanto tinha 24 anos. Segundo relatos da escritora, que já era casada e mãe de quatro filhos quando vivenciou este contacto, em 1950, tudo começou com um simples formigueiro no corpo que, de seguida, se tornou numa autêntica experiência espiritualista: levantou-se e começou a caminhar pela casa enquanto falava alemão, um idioma que nunca aprendera. Foi esse o acontecimento que levou Aldo, seu marido, a comprar um livro sobre espíritos e, por conseguinte, os levou a ambos a estudar o Espiritismo.

 

A partir daí, a carreira de Zibia estava a poucos passos de realmente levantar voo. Enquanto o marido se iniciava nas reuniões públicas da Federação Espírita do Estado de São Paulo, ela ia estudando em casa. Não podia acompanhá-lo nesses encontros, uma vez que era necessário que alguém ficasse a tomar conta das crianças, mas isso não foi impedimento para que encontrasse o seu rumo. Até porque foi precisamente numa dessas sessões de estudo caseiras que, na presença do seu marido, Zibia experienciou outro momento surreal, que acabaria por levá-la até à carreira de escritora: o seu braço começou a doer fortemente e a mexer-se de forma descontrolada, sem que nada pudesse fazer para cessar aqueles movimentos bruscos. Aldo Luiz decidiu, então, colocar um papel e um lápis à sua frente, na tentativa de levá-la a acalmar-se; e foi aí que Zibia começou a escrever.

 

Veja a entrevista de Zibia Gasparetto no programa “Mais Você”, em 2011.

 

 

Assim chegamos até ao seu primeiro livro, publicado em 1958 e intitulado “O Amor Venceu”. Após o seu contacto inicial com o mundo da escrita espiritualista, naquele episódio durante a sua sessão de estudo, Zibia não mais parou de escrever. Fê-lo todas as semanas, ao longo de alguns anos, até que nasceu a obra que a levou a ser publicada pela primeira vez. Conseguiu levar o seu manuscrito até à Federação Espírita e recebeu a resposta de que a sua estreia na literatura estava marcada.

 

Daquele momento longínquo, que remonta aos finais dos anos 50, até ao momento atual, Gasparetto sumou mais de meia centena de sucessos literários – conta com 58 obras publicadas – e vendeu cerca de 18 milhões de livros. Com praticamente sete décadas de trabalho no mundo da literatura espírita, Zibia marcou os seguidores do espiritualismo com obras como “O amor venceu” (1958), “Eles continuam entre nós” (2008) e “A vida sabe o que faz” (2011) – algumas das referências mais queridas do seu público. Morreu aos 92 anos, enquanto dormia no conforto da sua casa, no Ipiranga (São Paulo). Contudo, e seguindo aquilo que a autora referiu no programa “Mais Você”, em 2011, a sua partida não é eterna: “o mundo está muito sofrido, as pessoas têm que acreditar que a vida continua“.

 

A autora acreditava e defendia que tudo na vida acontece por um motivo (Imagem: Reprodução Facebook)

Frases de Zibia Gasparetto

“A vida guarda a sabedoria do equilíbrio e nada acontece sem uma razão justa”.

“O carisma é a expressão da alma. Quando a alma fala, sua essência espiritual e divina se manifesta, e a pessoa brilha, conquista, aparece. É nela que reside sua força e poder. Negá-la é preferir a obscuridade”.

“O segredo da felicidade é escolher a comédia e largar o drama”.

“A captação de energias é um facto, mesmo para aqueles que não acreditam nelas”.

“Guie-se no seu sentir. Se não se sentir bem, deixe de lado”.

“O mundo tem muitas coisas boas a oferecer para quem tem a ousadia de buscar”.

“No mundo, se você não se colocar lá em cima, os outros passam por cima sem dó nem piedade. Quem espera valorização dos outros, fica sempre por baixo. É você que tem de se valorizar”.

Tudo tem começo e meio. O fim só existe para quem não percebe o recomeço”.

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