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A odisseia do amanhã!

Na terça-feira,  trocamos os computadores do laboratório 4 e partimos, o núcleo Vogal completo e calouros convidados, rumo a uma das mais novas atrações culturais do Rio de Janeiro, o até então inexplorado: Museu do Amanhã.

 

Emblemático desde a sua construção, aquela obra de milhões de reais, inaugurada com o intuito de revitalizar a zona portuária do Rio de Janeiro, dividia a opinião carioca. Embora fosse fundamental o investimento em cultura, por que, ao invés de ajudar os já existentes museus, criar um novo? Como guardar a memória de um amanhã que ainda não aconteceu?

 

Em meio a muitos questionamentos, seguíamos nosso caminho, de fato bem mais modernizado após a inauguração do museu, esperançosos de conseguir respostas, entender o que fazia daquele o Museu do Amanhã e, principalmente, o que o conhecimento sobre o amanhã podia agregar ao nosso presente.

 

Embora o design do ambiente fosse de fato inovador e desse à região um ar de primeiro mundo, não era possível que isso representasse o futuro. Por mais bonito que fosse, tudo o que o homem construiu e passou para chegar até aqui não poderia se resumir a um amplo espaço com paredes brancas. Mas, mais do que um entendimento sobre o “tal museu futurístico”, queríamos saber mais, queríamos entender o porquê dessa necessidade de saber sobre o amanhã.

 

Após uns bons minutos admirando a arquitetura do local que, de fato, é uma obra a parte, seguimos pelas primeiras alas da exposição em busca de nossas respostas.

 

Para nossa surpresa, a primeira coisa que nos foi apresentada no ambiente do amanhã foi a origem do nosso mundo, os elementos que compõem a Terra, a fauna, espalhada por suas vastas regiões, e as curiosidades sobre estes seres. De tão pouco contato, às vezes, nos esquecemos de que eles estão ali. Um local interessante, com espaços para interação, iluminação e sons incríveis, mas não o suficiente para sanar nossas dúvidas. No máximo, para criar outras: Seria isso o futuro? Teríamos que voltar à nossa forma mais primitiva no amanhã?

 

Mesmo sem respostas, não nos deixamos abater, continuamos com a mesma empolgação rumo a mais ensinamentos.

 

Em meio a corredores largos, imagens e maquetes, lembro-me de entrar em uma pequena e quente sala repleta de totens, todos muito altos, cheios de fotos e palavras brilhantes, tão fortes que fizeram com que eu vencesse o desconforto do calor para tentar desvendá-los. As imagens mostravam grupos de pessoas, invenções, cenas marcantes do mundo e desconhecidas, lugares, livros, festas… Dentro dela, um emaranhado de coisas para um emaranhado de gente. Era tanta informação, tanta luz, tantas pessoas passando que ficava praticamente impossível parar muito tempo para analisar cada fotografia.

 

Deve ser essa a sensação de quem olha a Terra de fora, pensei. Talvez, o amanhã fosse ser assim, misturado, cheio e brilhante, impossível de desviar o olhar. Seria essa nossa primeira resposta? Seria nosso amanhã, tão grandioso e sufocante quanto aquela sala?

 

Zonzos com as informações, tiramos um tempo para entender mais sobre nosso cérebro. Em tablets espalhados em volta da sala, buscamos, dentro do responsável por nossos incansáveis questionamentos, alguma resposta. Tivemos várias, até para dúvidas que não sabíamos que tínhamos. Mas, e o amanhã? Ainda muito distante…

De repente, mais totens gigantes, mostrando gráficos e imagens que se alternavam a cada momento. Neles a palavra amanhã aparecia grande. Finalmente! Chegamos a respostas.

 

O que não contávamos era com o significado daqueles números e registros. Destruição, mortalidade, desperdício, perigo…. Eram palavras fortes, informações tristes e um pedido: mudem isso, façam alguma coisa! Se a sala anterior era sufocante, essa era um soco no estômago, pois perguntar sobre o futuro assustava. Seria isso o amanhã? Teriam todos os feitos tão interessantes da sala escura resultado nisso? Ainda temos tempo de construir um amanhã?

 

Caminhamos, ainda impactados, rumo ao que parecia ser o fim da exposição. Vimos algumas técnicas para melhorar os dados dos totens grandes e chegamos a uma grande estrutura de madeira, cuja luz mudava de vez em quando. Dentro dela, havia apenas uma obra, um pedaço de madeira, parecido com um lápis sem ponta, em cima de uma estrutura oval toda preenchida por palavras. Ao nos aproximarmos, foi possível ver que se tratava de uma Xuringa. Conforme o texto de apoio, Xuringa é um elemento cultural, que liga o passado e o futuro, as primeiras salas, com animais e elementos, aos totens, com seus dados assustadores.

 

Era essa, a resposta que tanto procurávamos. O intervalo entre o que foi e o que vem: o que é, o agora.

 

Agora, plenos e reflexivos com nossas descobertas, paramos alguns minutos para observar a vista, conversar sobre o que vimos… Com nossas respostas e ideias, fomos ao andar de baixo para outra exposição.

 

Nela, aprendemos a hackear a cidade, com cores, dança, música, natureza…. Tudo era alegria, tudo era possível, tudo era nosso. Aquele ambiente tão divertido, no qual interagíamos como donos do espaço, aquele que consideramos a melhor parte da visita, em que de fato nos integramos como grupo, em nada parecia ter relação com todas as informações que vimos anteriormente. Parecia mais um espaço livre para se descontrair e extravasar.

 

Mas era ali, no momento de pausa, que ficava a resposta. O amanhã é mais do que o que construímos agora, melhor do que o deixamos até aqui e mais simples do que as bases da Terra. Ele ainda não estava pronto e, mais do que isso, era nosso. E, se seguirmos como fizemos na sala colorida e o hackearmos, ele poderá ser tão lindo quanto rir com os amigos numa tarde de terça-feira.

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