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Amigo, você já violentou uma mulher e não sabe…

Leya

 

“Não entendo o motivo de tanto escândalo para este caso específico, isso acontece todos os dias no Brasil, mas não vai parar nas redes sociais”, li ontem entre os comentários das centenas de publicações que apareceram nas redes sociais sobre o caso de uma adolescente carioca que foi atacada não por um, mas por TRINTA homens. Não satisfeitos com a barbárie, um deles registrou em vídeo e partilhou via Twitter a dura verdade que gerações de brasileiros fingem não saber.

 

Antes de mais, meu amigo, você é homem. Nunca vai saber o que é andar a na rua tendo como únicas companhias o medo e a incerteza de chegar inteir(o)a em casa.

 

É claro que não foi um caso isolado. Segundo o último Anuário Brasileiro de Segurança Pública, uma mulher é estuprada a cada 11 minutos no país. Em 2014, foram quase 48 mil brasileiras. Não consegue visualizar o número? Imagine a última vez que foi a uma final de campeonato de futebol. Estádio lotado, não é? Agora substitua os torcedores todos por mulheres friamente violentadas. Conseguiu visualizar?

 

Quer mais provas? Pois no mesmo dia, outra adolescente foi atacada por cinco homens no Piauí, sendo que quatro deles são também menores de idade. Estes foram dois casos. Faltam os outros 130 para completar a “cota” diária da barbárie.

 

Isso porque o número considera só os casos de estupro. E se incluirmos os homicídios, as agressões dentro de casa, as “mãos bobas” no transporte coletivo e até a cantada que você acha “inocente” na rua?

 

A ONU divulgou uma nota repudiando este tipo de ação. Atrizes globais mudaram a foto de perfil para uma imagem de protesto e a presidente afastada Dilma Rousseff também se manifestou. Isso vai mudar alguma coisa para a menina que foi atacada? Não, não vai. Mas pode mudar para a sua filha, mulher, mãe, irmã, quando ela sair na rua, sem tanto medo de ser atacada.

 

O Brasil vive uma cultura do estupro. As mulheres já sabem disso. E estão se unindo. “Agora é moda ser feminista no Brasil”. Que moda linda! Estamos fazendo o que podemos para alertar, ajudar, denunciar.

 

Só que essa história tem dois lados. E enquanto há agressores, há vítimas. As mulheres estão se manifestando, gritando, fazendo escândalo para que o mundo saiba o que se passa dentro do país, para que os brasileiros percebam que não adianta olhar para o lado quando vê uma mulher sendo assediada.

 

E se você algum dia compactuou com isso, ah, meu amigo… Se você objetifica as mulheres, se você acha que é justo sua colega de trabalho receber 70% do seu salário pelo simples fato de ser mulher, se você divide as mulheres entre “pra comer e pra casar”, participa de grupos de whatsapp que circulam vídeos de revenge porn, se você julga que usar batom vermelho “é coisa de puta”, que vestir decote ou saia curta é “pedir por agressão”… Se você vê o seu amigo fazer qualquer uma dessas coisas e ainda assim não reage, meu amigo, você também violenta mulheres. Em algum grau, você violenta ou favorece que outros o façam. Isso não é feminismo, nem “feminazi”, é uma relação lógica entendida até pelos animais mais desprovidos de massa encefálica. Faça valer os seus neurônios e sobretudo a sua humanidade.

 

Ação usa app de música para lembrar que violência contra a mulher não é entretenimento. É crime.

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