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Angola: mudará o Presidente, mas manter-se-á a mesma política

Este foi o título que escolhemos para encerrar a série de textos sobre as eleições em Angola que no dia 23 de Agosto mais de nove milhões de eleitores foram chamados a votar naquele que vai dirigir o país nos próximos cinco anos.

 

Pelos relatos de vários órgãos de comunicação de Angola e do estrangeiro, revela-se que houve alguma tranquilidade em comparação com os últimos pleitos eleitorais. Contudo, alguns eleitores e partidos políticos denunciaram actos irregulares durante o processo.

 

Por exemplo, a UNITA, um dos partidos concorrentes denunciou no seu Facebook a actuação violenta da polícia em alguns postos de votação:

POLÍCIA DE INTERVENÇÃO RÁPIDA DISPARA CONTRA ELEITORES

 

Polícia de intervenção rápida na Província do Huambo, deteve a 15 minutos, delegados de lista da UNITA na assembleia nº 4287 na escola nº 42 localizada no Bairro de Cavongue, quando esses tentavam identificar um movimento estranha que dava conta da entrada de algumas urnas desconhecidas com boletins votados. E estão a disparar contra os eleitores e espancamento aos mesmos.

 

Por outro lado, a plataforma Jiku denunciou a falta de alimentação para os membros da mesa de votação durante o dia das eleições:

MEMBROS DE MESA RECLAMAM DA FOME

 

Nós os Membros de Mesa das Assembleias de Voto estamos aqui as A.V. desde às 3h e até agora ainda não tivemos o pequeno almoço. Estamos a morrer. AV Nº 984: COLÉGIO SÃO LUCAS

 

Outra contrariedade teve a ver com o facto de algumas províncias não ter conseguido votar, destacou o activista Hossi Sonjamba:

 

Três Províncias de Angola, Cunene, Benguela e umas das Lundas que corresponde a 15 Assembleias de Voto ficaram sem exercer o direito de voto.
E irão às urnas no dia 26 de Agosto de 2017 no Sábado que vem, visto que não votaram hoje no dia 23 .

 

Durante o dia seguinte ao acto eleitoral reinava a expectativa sobre os resultados provisórios, mas o principal órgão eleitoral, a Comissão Nacional Eleitoral foi muito lenta a divulgar os resultados do escrutínio.

 

Enquanto isso, muitos cidadãos suspeitavam de manobras que poderiam estar a ser engendradas para se viciar os resultados em favorecimento do partido no poder, o MPLA. O portal Maka Angola publicou um artigo que apresenta as quatro formas de exercício da fraude em Angola, nomeadamente:

  1. Controlo do Enquadramento;
  2. Micro-obstaculização;
  3. Controlo do núcleo base da votação;
  4. Controlo das tecnologias de informação.

 

Dados oficiais até ao momento da publicação deste texto concluem que haverá continuidade dos mesmos ideais políticos em Angola com a victória do candidato João Lourenço, do mesmo partido de José Eduardo dos Santos, MPLA. Os resultados globais divulgados pela CNE indicaram o seguintes resultados:

  1. MPLA: 64.57%
  2. UNITA: 24.04%
  3. CASA-CE: 08.56%
  • Abstenção: 23,17%

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