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CPLP acusa Estados lusófonos de falta de vontade para combater fome

O secretário-executivo da CPLP acusou os Estados lusófonos de falta de empenho e vontade política no combate à fome e à desnutrição, sem medidas concretas para concretizar as muitas estratégias já definidas para responder ao problema.

 

– As estratégias só fazem sentido se aqueles a quem nos dirigirmos começarem a sentir os seus efeitos. Até que isso não aconteça, continuaremos nestes seminários e conferências a debater o problema – afirmou o moçambicano Murade Murargy.

 

– Porque é que não avançamos? Porque é que os nossos povos continuam inseguros na alimentação, continuam pobres, com fome? Porque não queremos atacar as causas originárias deste problema. Tem que haver vontade política dos Estados membros – disse.

 

Murargy falava no arranque de um seminário em Díli sob o tema “Desafios Globais, Respostas Regionais e Nacionais à Insegurança Alimentar e Nutricional” (24 – 26 de novembro), que coincide com a 1.ª reunião extraordinária do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional do espaço lusófono (CONSAN-CPLP). Na sua intervenção, Murargy recordou que este assunto “não é novo” mas apesar de “muitos seminários, estratégias, desafios globais e dos problemas estarem claramente identificados”, a população continua sem ver os problemas resolvidos.

 

Na sua intervenção, Murargy recordou que este assunto “não é novo” mas apesar de “muitos seminários, estratégias, desafios globais e dos problemas estarem claramente identificados”, a população continua sem ver os problemas resolvidos.

Fazemos discursos bonitos, saímos daqui satisfeitos, com discursos e depois acabou. E fazemos outro seminário daqui a um ano.
— Murade Murargy

 

A falta de vontade, recordou, nota-se no pouco empenho prático que a estratégia aprovada para combate à fome e desnutrição continua a ser dentro da CPLP. Dos nove Estados membros apenas quatro contribuíram com os 35 mil euros que se acordou cada um deveria injectar para o início da implementação da estratégia, aprovada já em 2011. “E depois queremos que as coisas andem. Não é possível. Estão aqui teóricos, pessoas eminentes que vão mais uma vez explicar como devemos fazer. Mas é preciso fazer”, afirmou o diplomata moçambicano.

 

Este encontro marca um processo que começou em 2009 quando se acordou definir uma estratégia de segurança alimentar da CPLP, que acabou por ser aprovada em 2011. A estratégia da CPLP neste âmbito assenta em três eixos: o fortalecimento da governação nestes temas, o acesso a alimentos e promoção dos grupos mais vulneráveis e o aumento da disponibilidade dos alimentos no âmbito da comunidade lusófona.

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