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Golpe de Estado democrático em Portugal? Ou a fuga para frente de António Costa, o refém de Catarina?

As recentes eleições legislativas em Portugal foram, e estão a ser, marcadas por uma grande novidade: a possibilidade de haver uma coligação pós-eleitoral de esquerda. Aliás, desde 1975 que essa era uma ambição do PCP, rejeitada por Mário Soares desde então e por todos os líderes do PS, até chegar António Costa. Até chegar António Costa não, até o PS perder estas eleições pois, fez toda a campanha a rejeitar essa Coligação e a dizer que votar no PCP e no BE era votar no PSD/CDS. A tradição democrática portuguesa, e na generalidade dos países europeus, diz-nos que o partido que ganha as eleições é que tem mandato para governar. Foi sempre assim desde 1987, como bem recorda um antigo vídeo do próprio líder do PS que agora se contradiz – ver António Costa em 2009 sobre os governos formados por “jogos partidários”, no vídeo abaixo:

Foi assim com António Guterres (95 e 99), duas vezes Primeiro-Ministro sem maioria e foi assim com José Sócrates, na sua segunda eleição. Ambos contaram sempre com a colaboração do PSD e do CDS, que não os impediram de formar governo viabilizando vários orçamentos de Estado e rejeitando moções de censura apresentadas ora pelo BE, ora pelo PCP. O PSD e o CDS, assumem-se sempre como garante da estabilidade.

A expressão dos votos dos portugueses diz, na minha opinião, algumas coisas bastante simples: não queremos maioria absoluta da coligação PSD/CDS mas queremos que governem; PSD e CDS devem governar ouvindo a oposição e fazendo pontes com os restantes partidos; queremos uma oposição mais forte mas também mais responsável com poder decisivo no Parlamento.

Se o povo preferisse António Costa como Primeiro-Ministro não tinha dado a maioria à PAF, nem transferido tantos votos para o Bloco de Esquerda e para o PCP. Se o povo quisesse uma Coligação de Esquerda teria votado mais no Livre, que foi o único partido que fez campanha a defender uma coligação dessas e teve pouco mais de 30 mil votos e nem um Deputado elegeu. Todos os outros fizeram campanha a rejeitar este tipo de Coligação, então afinal quem está agora a defraudar o povo? António Costa não tem qualquer legitimidade para ser Primeiro-Ministro nem para liderar uma coligação de esquerda, pois esse não foi o projecto vencedor e foi ele o grande derrotado dessas eleições.

Ficamos com a sensação que António Costa está a fazer este papel apenas como manobra de sobrevivência, uma fuga para a frente para se tentar manter no poder como líder do PS. O BE e o PCP aproveitam a boleia para castigar a direita, causar instabilidade no sistema e roubar votos ao PS no futuro. Ainda é cedo para perceber o que vai acontecer e quem vai governar. Admito que estejamos neste momento no meio da ponte. Uma coisa é já bastante clara, os investidores, as empresas e a economia estão assustadíssimos por haver uma pequena possibilidade de 2 partidos que rejeitam o Euro poderem ser poder. Portugal recuperou bastante nos últimos 4 anos mas muito há ainda a fazer, colocar isso em causa é desperdiçar os sacrifícios que os portugueses fizeram.

No que diz respeito à política externa de Portugal, e em particular às nossas relações lusófonas, admito que a curto prazo não venha a sofrer grandes alterações. Os dois partidos da esquerda radical estarão mais preocupados em provocar danos no sistema político interno, mudanças na questão do Euro, do posicionamento político português ao nível europeu e, internamente, nas questões laborais e da distribuição de rendimentos.

Mas se há algo que devemos garantir é o continuar e reforçar das políticas de cooperação entre os países de língua oficial portuguesa, que foram desenvolvidas nos últimos quatro anos. Os grandes saltos políticos conseguidos nos últimos tempos, com enfoque para sectores como a juventude ou a diplomacia económica, foram alcançados com o empenho do Governo desta Coligação PSD/CDS. É de salientar o contraste com o que acontecia no passado recente, onde os projetos de cooperação económica entre Portugal e os países da CPLP ficaram manchados por suspeitas de corrupção bastante preocupantes, como os casos do Mensalão, a venda da PT, o caso BES e BESA, entre outros negócios apadrinhados pelo ex PM José Sócrates. Não queremos voltar a esse tempo.

É hora de refletir, tomar as decisões corretas e agir numa lógica de colaboração, seja qual for o desfecho final, Portugal precisa de estabilidade e maior cooperação entre todos.

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