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Jovens moçambicanos estão a voltar para o campo. Entenda o fenómeno

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O desemprego em Moçambique pode levar a que não haja muita opção de escolha para a população. Segundo a Trading Economics, a taxa de desemprego no país africano era de 25.4%, em 2017. O registo mais elevado remonta a 2014, um ano não muito distante da atualidade (2019), com 25.30%. Portanto, os números são desanimadores para a população em geral. No entanto, os jovens representam uma das faixas etárias mais afetada por este flagelo.

 

Se, para uns, o trabalho informal parece ser o único caminho, há agora jovens que se voltam para a agricultura. Pode parecer inviável, mas os três exemplos retratados na reportagem “Moçambique: trocar o escritório pelo campo“, da DW, mostram que qualquer barreira pode ser ultrapassada na luta por uma vida melhor.

 

Conhecemos, assim, a história de Fátima Tiane, Elton Tinga e Nuno Roberto. Todos mudaram de área de residência, para conseguir vencer as dificuldades económicas e traçar um futuro mais próspero. Deixaram Maputo, a capital, e instalaram-se em Boane, com o objetivo de trabalhar no setor agrícola. Encontraram uma oportunidade no desemprego e mudaram de vida. Hoje em dia, dedicam-se à produção e comercialização de cereais.

 

Fátima estudou Desenvolvimento Rural na Universidade de São Tomás e deixa claro que a decisão de mudar-se para Boane não foi nada fácil. “Estando na cidade, ia ser difícil acompanhar o dia a dia da minha produção. Tive que abandonar. Doeu, no início, mas garanto que aqui estou mais feliz”, disse a moçambicana em declarações à DW. E parece que os sacrifícios valeram a pena: hoje, Fátima é dona da sua própria empresa, dedicada à produção de milho, feijão verde, pepino, pimenta, alface e beterraba. Elton tem uma história um pouco diferente. Dedica-se à agro-pecuário há quase 10 anos e, embora considere “uma atividade de riscos e incerteza”, afirma que a agricultura pode gerar sustento a quem aposta nela “com rigor”.

 

Por outro lado, Nuno, formado em Economia Agrária, prefere chamar a atenção para o facto de não serem apenas os jovens a precisar da agricultura; esta também precisa dos jovens. “A nossa agricultura, agora, está envelhecida”, disse o jovem à publicação supracitada, “e isso pode comprometer o futuro”, rematou. “Se não temos mais jovens a aderir à agricultura significa que não teremos alimentos. Daqui a 5, 10 anos, haverá dificuldade em [obter] alimentos, porque esses velhos já não serão capazes de produzir”.

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