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O despertar estratégico da CPLP: Energia

(Imagem: Reprodução No Mundo das Escolhas)

 

Nestes dias (23 a 25 de Junho), realiza-se a primeira Conferência “Energia para o Desenvolvimento da CPLP”, em Cascais, uma excelente oportunidade para valorizar a capacidade da CPLP para se afirmar como ator global no mapa da energia mundial.

Para além da importância geopolítica, geoestratégica e geoeconómica, a atividade do setor da Energia tem vindo a tornar-se numa dimensão de identidade dos Países da CPLP, sejam estes possuidores de grandes recursos fósseis e/ou renováveis, em potência e/ou em exploração. Em 2009, entre 2,4% e 2,8% da produção mundial de energia primária (fóssil e renovável, respectivamente) veio da CPLP. Atendendo às reservas comprovadas no espaço CPLP, estima-se que estas correspondam, em 2015, em conjunto, ao sétimo maior produtor do mundo de hidrocarbonetos e, em 2025, ao quarto. 50% das novas reservas mundiais de petróleo e gás – descobertas nos últimos dez anos –, localizam-se em território de países da CPLP.

Se aliarmos estes fatores à crise da Ucrânia que fez despertar a consciência da Europa para a sua dependência energética da Rússia, temos aqui “condimentos” suficientes para uma verdadeira aposta dos países da CPLP neste setor e mercado.

A União Europeia quer aumentar a sua segurança energética e tem toda a vantagem em beneficiar de uma oferta crescente vinda de países da CPLP. Observando, ainda, o aumento de consumo de petróleo e de gás a nível europeu (e mundial), isso pode traduzir-se numa grande oportunidade para vários países da CPLP que são produtores. Nesta lógica de porta de entrada de gás na União Europeia, e como criador de maior diálogo com terceiros países, Portugal pode vir a ter um papel importante.

O mesmo pode acontecer nas energias renováveis, tendo em conta as metas mais ambiciosas de emissão de gases com efeito de estufa. A Agência Internacional de Energia prevê seis biliões de dólares de energias renováveis até 2030 e sete biliões na área das redes. Os Estados da CPLP estão entre os países onde há um potencial mais elevado de energias renováveis por explorar. No momento em que as fontes de financiamento para esta área são crescentes, os países da CPLP têm enormes vantagens de beneficiarem desta lógica de descarbonização global da economia e das novas fontes de financiamento.

A afirmação da CPLP enquanto plataforma intercontinental de coordenação no setor da Energia poderá potenciar, em consequência, que se assuma como como um ator estratégico a nível mundial noutras áreas como as telecomunicações, transportes marítimos e aéreos, setor portuário e mercados de capitais, de forma a que os Governos, instituições científicas e empresas estabeleçam contactos, partilhem informações e se associem criando novas sinergias, transformando-se numa rede de concertação política e diplomática; parceiro privilegiado de cooperação técnica, económica e financeira; gerador de negócios e de riqueza e agente na produção de investigação, ciência e tecnologia.

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