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Organizações juntas pela preservação de São Tomé e Príncipe

(Imagem: Reprodução Tese)

 

Classificada pela UNESCO como Reserva da Biosfera, a República Democrática de São Tomé e Príncipe é um sítio frágil que necessita ser preservado. Gilberto do Rosário, presidente da Organização Não Governamental (ONG) MARAPA, falou em entrevista exclusiva à Conexão Lusófona das atividades em curso para proteção do mar, do ambiente e da pesca artesanal

Formado em engenharia do ambiente, pela Universidade Federal de Ouro Preto, no Brasil, Gilberto do Rosário, diz que “ao nível governamental estão várias frentes abertas em matéria de ambiente” na ilha de São Tomé e Príncipe. Ao nível da gestão de resíduos, têm-se orientado políticas para o tratamento eficiente, valorização de compostos orgânicos e reutilização de vidros para aplicação dos pós na construção civil. Paralelamente, promovem-se campanhas de sensibilização da população, para a recolha de garrafas de plástico.

No que respeita à proteção da natureza, a Direção de Conservação da Natureza “tem-se dedicado à reformulação dos planos de gestão dos parques naturais – Parque Natural de São Tomé e da Ilha do Príncipe” – explica Gilberto do Rosário. Algumas iniciativas estão também vocacionadas para a plantação de árvores por toda a ilha. O Governo regional, em virtude do seu plano, tem também a “obrigação de aplicar legislação própria”, nomeadamente, a lei da proteção das tartarugas marinhas e a lei que proíbe a extração indiscriminada de inertes, esclarece o presidente da MARAPA.

A empresa [investidora] HBD – Vida Boa, tem estado em parceria com o com o Governo regional no sentido do desenvolvimento de várias ações no domínio da protecção da natureza”, diz Gilberto do Rosário. No entanto, os projetos da HBD estão, na sua essência, direccionados para a construção de infraestruturas e reabilitação de edifícios, assim como para a dinamização do turismo local. O investimento por parte de Mark Shuttlewoth, conhecido nas ilhas pelo homem da lua, permite assim promover emprego através da mão-de-obra nativa.

(Imagem: Reprodução Marapa)

 

Cooperação portuguesa

Ao nível setorial, a MARAPA posiciona-se em três domínios: mar, ambiente e pesca artesanal. No domínio ambiental, “está a desenvolver-se um projeto financiado pelo Banco Mundial, em parceria com a Direcção-geral do Ambiente, que promove actividades de adaptação do país aos condicionalismos das mudanças climáticas”, indica Gilberto do Rosário.

No domínio da pesca artesanal, pretende-se “capacitar os pescadores em matéria de segurança marítima, assim como, disponibilizar alguns equipamentos de salvaguarda da vida, com o intuito de desenvolver a actividade piscatória nas ilhas”, esclarece o presidente da MARAPA. Em simultâneo, existe um projeto inteiramente dedicado ao fortalecimento do setor das pescas, o qual, procura identificar junto da sociedade-civil, as atividades geradoras de rendimento.

A cooperação com Portugal no ramo ambiental é bastante antiga”, diz Gilberto do Rosário. A Associação Portuguesa de Educação Ambiental (ASPEA), por exemplo, tem colaborado muito proximamente com a MARAPA numa série ações para educar os cidadãos no que respeita às questões ambientais. Juntas, têm em curso a produção de um manual inteiramente dedicado à educação ambiental direcionado aos alunos do ensino secundário de São Tomé e Príncipe.

Gilberto do Rosário, considera fundamental a cooperação entre organizações congéneres e por esse motivo, iniciou uma rede associativa para tratar os problemas do ambiente nas ilhas.

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