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Vídeo-manifesto marca um mês da prisão de ativistas em Angola

(Imagem: Reprodução Youtube)

Dezenas de cidadãos e figuras da cultura de Angola e demais países da lusofonia exigem a libertação dos ativistas presos em Luanda e Cabinda e respeito pela liberdade em vídeos que têm ganhado as redes sociais.

O primeiro vídeo-manifesto Liberdade Já! foi lançado na segunda-feira, enquanto o segundo compilado de participações foi ao ar na quinta-feira. É um apelo direto e aberto para uma ação imediata: a libertação dos ativistas presos em Luanda, há mais de um mês, e em Cabinda, desde Março. Os organizadores convidaram “cidadãos anônimos e personalidades públicas” para uma mensagem plural.

A intenção dos vídeos “é contribuir para chamar a atenção, dentro e fora do país (Angola), para a situação destes jovens” que foram presos, mas que ainda “não foram apresentadas provas que sustentem a acusação”, frisou o escritor José Eduardo Agualusa à Agência Lusa.

Os detidos são acusados de estarem a preparar em Luanda um atentado contra o Presidente e outros membros dos órgãos de soberania, num alegado golpe de Estado, de acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR) de Angola.

– Estava-se a espera que o país fosse abrir para a democracia, que fosse avançando para a democracia, mas nestes últimos meses temos assistido uma situação inversa. O regime tem vindo a fechar cada vez mais e a perseguir as poucas vozes críticas que se fazem ouvir – salientou Agualusa.

Os vídeos assinalaram o primeiro mês de prisão dos 15 ativistas. Dezenas de personalidades, sobretudo angolanas, aparecem defendendo a libertação imediata dos jovens, entre os quais, os escritores José Eduardo Agualusa, Mia Couto e Ondjaki, artistas como Ana Sofia Martins, Kiluanji Kia Henda e Nástio Mosquito, o fotógrafo Sérgio Afonso, músicos como Paulo Flores, Pedro Coquenão, Sara Tavares, Girinha e Aline Frazão, professores e acadêmicos, entre muitos outros.

Os jovens presos lutam por uma Angola democrática, pacífica e socialmente mais justa. Nós também (…) defendemos uma Angola onde pensar diferente não seja um crime. Onde pelo contrário, as pessoas sejam encorajadas a pensar diferente, pois é nossa convicção que o confronto de diferentes ideias, podem sempre surgir ideias melhores. A maior riqueza de Angola não é o petróleo, não são os diamantes. A maior riqueza de Angola são as pessoas, com ideias diferentes e com um desejo comum de liberdade“, dizem as personalidades no vídeo.

Para além de um segundo vídeo que será gravado com pessoas que manifestaram interesse em participar do movimento, há outros grupos a organizar diferentes ações, entre elas uma manifestação no dia 29 de julho, para denunciar “prisões arbitrárias e perseguições políticas” no país, exigindo a libertação de vários colegas detidos nas últimas semanas.

Segundo a PGR, os detidos em prisão preventiva são Henrique Luati Beirão (conhecido como “Brigadeiro Mata Frakuzx”), Manuel “Nito Alves”, Afonso Matias “Mbanza-Hamza”, José Gomes Hata, Hitler Jessy Chivonde, Inocêncio António de Brito, Sedrick Domingos de Carvalho, Albano Evaristo Bingocabingo, Fernando António Tomás “Nicola”, Nélson Dibango Mendes dos Santos, Arante Kivuvu Lopes, Nuno Álvaro Dala, Benedito Jeremias, Domingos José da Cruz e Osvaldo Caholo (tenente das Forças Armadas Angolanas).

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