Sociedade

Brasil: Yoga na periferia pode diminuir a violência

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Após sofrer 3 assaltos num espaço de 2 meses, Aura Gabriela pensou em mudar-se de Olinda, Pernambuco, para outro país. Deixar a terra de origem em busca de novos ares e oportunidades — e fugir da violência — têm se tornado uma constante no Brasil.

 

Mas, em vez de fugir de um ambiente violento, Aura decidiu transformá-lo. Reuniu pesquisas realizadas no exterior sobre “Cultura de Paz”, buscou interligar as teorias de Direitos Humanos com ideias práticas de ação social e aplicou tudo isso ao que ela já amava fazer desde os 16 anos: Yoga.

A Cultura de Paz, para Aura, é “uma iniciativa urgente em todos os ambientes, sendo uma das únicas formas para mover e realmente recriar a sociedade em que vivemos. A Paz aqui é muito branca — como diz o escritor Marcelino Freire —, ela existe nos condomínios e para pessoas de classe média. Nas periferias ela precisa ser construída”. Em geral, a falta de oportunidades gera violência, por isso projetos sociais que incentivem a calma e abram novos horizontes são estimulados.

 

“A desigualdade social tem crescido. O nosso trabalho não consegue resolver tudo, mas acreditamos que uma criança acolhida será automaticamente mais amorosa, consciente e afetiva, e tudo isso impacta o entorno a curto e a longo prazo”, afirma a professora. “Para uma cidade ser boa para todos, ela precisa funcionar para todos, não somente para a parte turística”. Olinda é uma das mais antigas cidades do Brasil, fundada em 1535, antes mesmo da primeira capital do país, Salvador, na Bahia, que foi fundada em 1549. Por isso — e pelas belas praias e festas populares — o turismo é forte na região.

Projeto Ressoar — Yoga na periferia

Aura começou, em 2015, o projeto “Ressoar — Construindo a paz”, da atual Fundação Iyá, para dar aulas de Yoga e meditação na periferia da cidade de Olinda a crianças em situação de vulnerabilidade social. Hoje são atendidas quase 100 crianças de quatro regiões: Santa Tereza, Ilha do Maruim, V8 e V9 — mesmo que sejam apenas 3 voluntários a auxiliar na parte de comunicação, audiovisual e escrita.

A meditação é uma prática aconselhável para combater ansiedade e falta de atenção. Imagens: Acervo Pessoal de Aura Gabriela

“A proposta do trabalho é também empoderar as crianças. Mais à frente queremos trabalhar com a contação de histórias da cultura afro-brasileira. Aprendemos histórias de outros países e não temos familiaridade com os nossos próprios heróis e heroínas”, afirma Aura. A ideia é levar o projeto em imersão por outras regiões de Pernambuco, Bahia e São Paulo. Para isso, é preciso financiamento.

 

Quando fala de Yoga, ela trabalha com a vertente Hatha Yoga, por ser um processo de introspecção que incentiva cada aluno a prestar atenção no seu ‘Eu’ e na sua respiração. Os impactos não demoraram a ser vistos pela comunidade.

 

“Pais e professores falam das mudanças dos alunos, que estão mais calmos, amorosos, focados”, destaca Aura. “Tenho um caso especial de um aluno de 10 anos que a escola queria expulsar por ser muito violento. A mãe ser dependente química e o abandono do pai fomentaram essa violência, além de ter indícios de ter sofrido abuso. Ele era o mais violento da escola”.

 

Aura, então, levou o menino para acompanhar as aulas de Yoga e meditação. “Num primeiro momento ele era bem desobediente. Depois me aproximei e trouxe ele para respirar, meditar, acalmar. Hoje é ele quem me ajuda a tocar os instrumentos e, assim que chego na sala, ele já está disposto para a prática. Penso que tudo tem a ver com respiração, escuta, afeto e acolhimento a maneira como ressoamos”.

 

Quem quiser conhecer melhor o projeto, ser voluntário ou ajudar com propostas de financiamento, pode consultar o site do Catarse, ou buscar no Patreon, no Facebook ou no Instagram (fundacao_iya).

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