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Universidade brasileira forma sua primeira turma composta só por índios

A Universidade Federal de Santa Catarina formou a sua primeira turma composta só por índios. O grupo se gradua em Licenciatura Intercultural Indígena do Sul da Mata Atlântica.

 

São 85 alunos das etnias guarani, kaingang e laklãnõ/xokleng, provenientes do Mato Grosso do Sul (MS), Espírito Santo (ES), Rio de Janeiro (RJ), Santa Catarina (SC) e Rio Grande do Sul (RS). O curso teve duração de quatro anos, entre aulas na universidade e atividades desenvolvidas nas aldeias. Os estudantes receberam formação para lecionar nas áreas de infância, linguagens, humanidades e conhecimento ambiental indígena.

 

O juramento na colação de grau falou de cultura, liberdade, autonomia, luta pela terra, autodeterminação, alegria e crianças sadias. O discurso dos oradores ressaltou a preocupação com o futuro, a importância das tradições culturais e da demarcação de território indígena:

– Não importa o povo ou etnia a que pertencemos, somos todos irmãos, filhos desta terra – lembraram.

 

Uma reportagem publicada no site da universidade ressalta algumas histórias de superação dos alunos.

 

Foi o cuidado com a família e seu povo que impulsionou o primeiro formando da noite, o guarani Adelino Gonçalves, a completar o curso, após quase haver desistido. Morador de Biguaçu (SC), conta que a rotina de trabalho e estudos ficou forçada demais, e ele quase largou a graduação pela metade.

 

– Mas eu sei que isso vai fazer uma diferença para nós. Tenho que espalhar esse conhecimento, temos que mostrar as coisas que aprendemos e valorizar o que ensinamos. A experiência de convivência foi muito importante; um dos motivos para os não índios não respeitarem nossa cultura como deveriam é porque não a conhecem –, observa.

 

A satisfação em poder aprimorar as escolas indígenas da sua cidade natal estava estampada no rosto do kaingang Armandio Bento, de 48 anos. Natural de Redentora, no Rio Grande do Sul, é professor há 21 anos.

 

– Nossas principais atividades lá são o artesanato e a agricultura, e queremos continuar com essas coisas, mas também levar mais saúde e valorizar cada vez mais o estudo –, prevê.

 

xokleng Woie Patté, de José Boiteux, era um dos mais animados, tanto na hora de subir ao palco para tomar o lugar na cerimônia quanto na hora de receber o diploma:

– É uma noite de muita alegria, estou emocionado mesmo –, diz. Ele trabalhava como agente de saúde e resolveu aproveitar a oportunidade de fazer uma graduação e iniciar uma carreira acadêmica. Agora, os planos incluem mestrado e doutorado.

 

Durante a cerimônia, dois colegas foram lembrados: Natalino e Eduardo, que são parte da turma, mas faleceram antes de terminar o curso. A paraninfa Maria Dorothea Post Darella prestou uma homenagem especial à formanda Maria Cecilia Barbosa, que se tornou bisavó enquanto fazia o curso.

 

– Foi possível experimentar uma troca, com conhecimentos tradicionais sendo trazidos para o seio da academia – declarou Flácio Chiarelli Vicente de Azevedo, presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), apoiadora do curso, em entrevista à TV Brasil.

 

Leia mais:

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>> Pesquisador é primeiro índio brasileiro a receber título de doutor em linguística pela Universidade de Brasília

 

Leya

 

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3 Comments

  1. 30 Janeiro, 2016 at 10:12 — Responder

    >> o primeiro formando da noite, o guarani Adelino Gonçalves, fala: “A experiência de convivência foi muito importante; um dos motivos para os não índios não respeitarem nossa cultura como deveriam é porque não a conhecem” – .

    Do termo dito: “ os não índios … “ — ??? São quem estes…. nativos do planeta Terra ?

    Sim, todos humanos do planeta Terra são nativos. E, quem quer ser um ser… “índio” – ? pra ser discriminado!?

    — Cidadão nativo do planeta Terra, cuidado para não se tornar um maronete/instrumento a favor do racismo e adicionar desrespeito contra si próprio redigindo-se com uma indentidade social que te torna o que você abomina.

    Historicamente, o termo racista índio foi “abençoado” (sic!) pelos papas$$ do Vaticano e legalizado pelos nativos apelidados de reis e rainhas da europa para discriminar e justificar suas invasões e assassinatos, pedofilia, roubos e desrespeito contra a família de outros seres humanos que foram discriminam por estes (nativos) de serem indigenas.

    E, muita “gente boa” ainda vive em 2016 promovendo diretamente, e de tabela, a atitude arrogante de racismo rotulando-se de ser um índio.

    JOGUE AGORA NA LATA DO LIXO ESSE RÓTULO CHAUVINISTA. Não apoie a promoção racista de índio que foi “legalizada” para discriminar imoralmente e promover desrespeito aos seres humanos (um nativo) como você próprio é do nosso planeta.

  2. 30 Janeiro, 2016 at 10:34 — Responder

    E, para nao deixar aos graduando do topico e outras mentes ‘graduadas’ sem o que interpretar e avaliar da atitude do que foi redigido no texto falado: >> o primeiro formando da noite, o “guarani” ….. — (*NOTICE THE LACK OF A CAPITAL ‘G’ TO THE RESPECTFULLY IDENTITY the Guarany Nation and Mr …) Adelino Gonçalves, fala: “A experiência de convivência foi muito importante; um dos motivos para os não índios não respeitarem nossa cultura como deveriam é porque não a conhecem” – .

  3. LUIS
    21 Setembro, 2016 at 6:19 — Responder

    tas bem certo mano

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