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Esta Cinderela da vida real foi doméstica, estudou por livros recolhidos no lixo e chegou a juíza.

Esta história parece tirada de um filme ficcional de Hollywood, mas é brasileira e bem real.

 

Antônia Maria Faleiros, mineira de Serra Azul, a mais velhas de 6 irmãos, trabalhava como empregada doméstica. Um trabalho fácil quando comparado com o que tinha anteriormente no interior de um canavial. O mesmo canavial onde tinha de acender uma lamparina na cabana onde dormia, para conseguir ler e estudar até tarde.

 

A leitura, o estudo e, sobretudo, a aprendizagem sempre foram as suas grandes paixões. Superou todas as dificuldades em nome destas, pelo que, independentemente da dureza da sua vida nunca cessou de estudar.

 

Nem quando saiu da sua cidade nata e se mudou para a capital do estado, Belo Horizonte, para ser empregada doméstica, deixou os estudos para trás.

 

Prosseguiu os estudos mesmo durante oito meses em que dormiu num terminal de autocarros, por não ter ainda onde ficar e ter vergonha de pedir à sua patroa para pernoitar na casa que limpava.

 

“Eu não podia dormir na casa da patroa. Então dizia para ela que eu morava com uma tia em um bairro distante e para minha mãe que morava com a patroa”, conta Antônia.

 

Foi em Belo Horizonte que se inscreveu no concurso para ser oficial de justiça junto do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Não tendo dinheiro para comprar livros para estudar para a prova de ingresso, Antônia pegava do lixo folhas borradas de um mimeógrafo que fazia apostilas de um cursinho preparatório. Contra todas as probabilidades tirou a terceira melhor nota e foi selecionada.

A Juíza Antônia nos dias de hoje (Imagem: Reprodução Revista Marie Claire)
A Juíza Antônia nos dias de hoje (Imagem: Reprodução Revista Marie Claire)

Já a viver em Belo Horizonte e a trabalhar como oficial de Justiça junto do Tribunal matriculou-se na Universidade, tirou o curso de Direito e mais tarde virou juíza.

 

Uma história de superação que faz questão de contar às suas filhas e a quem a conhece, como mostra de que a perseverança e o trabalho árduo dão frutos.

 

“Gosto de contar essa história para reafirmar: a filha de uma dona de casa simples e de um trabalhador rural pode sim alcançar o que quer. Todos nós podemos.”

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