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O Brasil está em guerra e não sabe…

(Imagem: Reprodução EBC)

 

O Brasil está num conflito de larga escala. Não formalmente, porque não declarou guerra a nenhum país ou organização. Chamemos-lhe uma guerra civil oculta e pós-moderna, onde ninguém sabe muito bem de que lado está, embora tenha a certeza de que está na mira de um deles, e há uma grande probabilidade de ser a próxima vítima.

Não acredita? Então fique a par dos números. Segundo um relatório da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, nos doze maiores conflitos armados do globo foram mortas cerca de 170 mil pessoas entre 2004 e 2007. No Brasil entre 2008 e 2011, mais de 200 mil pessoas foram assassinadas!

tabela mortes mundo

(Imagem: Reprodução Exame)

 

Os números são crus e não mentem. A realidade é assustadora, mas para percebermos a noção da grandeza do fenómeno (se é que ainda não atingimos) as comparações ajudam.

Os Estados Unidos da América são constantemente notícia pela sua alta taxa de criminalidade violenta e a sua política liberal no que à posse de armas diz respeito. O México não raras vezes é notícia devido à criminalidade organizada, os seus famosos cartéis de droga que não recuam, nem perante o exército. Pois bem, então espante-se se lhe disser que a taxa de homicídios por cada 100 mil habitantes destes dois países juntos é igual à brasileira. Repito caso não tenha lido bem. Eu disse juntos!

tabela homicidios

(Imagem: Reprodução Exame)

 

Se compararmos o Brasil apenas com países da mesma dimensão e com populações de tamanho semelhante, o país lidera isolado esta categoria muito específica. Fica ainda pior se considerarmos que 40% destes homicídios (40 mil) são de jovens entre os 15 e os 24 anos.

O número de assassinatos no país está descontrolado. Neste momento é 274 vezes maior que em Hong Kong, 137 vezes maior que no Reino Unido e 91 vezes superior ao da Sérvia, só para dar alguns exemplos escolhidos avulso.

Se a estes números juntarmos um sistema penal ineficiente, que apenas consegue condenações em cerca de 4% dos homicídios investigados, e um sistema prisional que, mesmo assim, já está sobrelotado e funciona como escola de crime e não de reabilitação, temos a combinação perfeita para o cenário de medo e surrealismo que se instalou na sociedade brasileira.

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