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O Futuro da CPLP só depende de nós

Leya

 

A Conexão Lusófona, enquanto rede global de cidadãos da lusofonia, um movimento em ascensão, tem participado e seguido de perto a agenda política da CPLP – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

 

No próximo mês de julho, ocorrerá a XI Cimeira de  Chefes de Estado e de Governo da CPLP, que pretende afirmar uma nova fase na vida desta organização internacional. Nesse mesmo mês, a CPLP completará também 20 anos de existência.

 

No entanto, não se projeta um futuro sem se avaliar o presente e sobretudo auscultar a sociedade civil.

 

Não se projeta um futuro sem se avaliar o presente e sobretudo auscultar a sociedade civil
Por este motivo, a Conexão Lusófona, em parceria com a Fundação Portugal-África, a ONGD Mundo a Sorrir, o MBA Atlântico e a União de Exportadores da CPLP, organizou um debate sobre “O Futuro da CPLP” procurando envolver os diversos atores da vida real e quotidiana da nossa Comunidade, entre os quais instituições académicas, empresas, artistas, associações e ONGs numa conversa aberta e descontraída com o Secretário-Executivo da CPLP, Murade Murargy, o Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Augusto Santos Silva, o Presidente da Confederação Empresarial da CPLP, Salimo Abdula e o Secretário-Geral da UCCLA, Vítor Ramalho.

(Imagem: Teresa Teixeira)
(Imagem: Teresa Teixeira)
(Imagem: Teresa Teixeira)
(Imagem: Teresa Teixeira)

Uma vez mais, a sociedade civil lusófona uniu-se em busca de respostas profícuas quantos aos anseios de uma Comunidade em construção, numa sala repleta de participantes. Cada vez mais têm sido as vozes que reclamam por uma reforma da instituição e um maior envolvimento da sociedade civil no projeto da CPLP.

(Imagem: Teresa Teixeira)
(Imagem: Teresa Teixeira)

Como será o futuro da CPLP com o mandato dividido por dois países?
A polémica inerente  à escolha do próximo Secretário-Executivo foi no encontro assumida como claramente ultrapassável, como veio a comprovar-se dias depois, na XIV Reunião Extraordinária dos Ministros de Negócios Estrangeiros, em que se chegou ao consenso de uma liderança partilhada entre São Tomé e Príncipe e Portugal, durante 4 anos de mandato, deixando assim em aberto uma reforma dos estatutos.

Fica a pergunta: como será o futuro da CPLP com o mandato dividido por dois países subdivididos em dois anos para cada um?

(Imagem: Teresa Teixeira)
(Imagem: Teresa Teixeira)

Polémicas à parte, deste debate saiu sobretudo o apelo da sociedade civil para que os Estados-Membros reforcem o seu investimento, empenho e dedicação ao projeto da CPLP, uma realidade ausente desde a sua criação.

 

Passados 20 anos, e no momento em que está sendo construída a nova visão estratégica da Organização, os participantes reclamam a ausência do envolvimento direto e participativo da sociedade civil que quiçá não foi auscultada com o devido preparo para este importante momento. A sociedade lusófona mostra-se assim cada vez mais alerta quanto ao rumo de uma Comunidade que lhe pertence.

(Imagem: Teresa Teixeira)
(Imagem: Teresa Teixeira)

 

 

Deste debate saiu sobretudo o apelo da sociedade civil para que os Estados-Membros reforcem o seu investimento, empenho e dedicação ao projeto da CPLP.
Da plateia, saiu também advertência de que é preciso dar passos rápidos e concretos para transformar urgentemente a CPLP numa real “Comunidade de Povos”,  verdadeiramente próxima e participada pelas suas populações, não se restringindo única e exclusivamente à esfera institucional da relação diplomática entre Estados e Governos.

 

Este debate foi certamente uma oportunidade de pensarmos em conjunto uma CPLP com mais sociedade civil, mais eficiente e eficaz, mais próxima e informal, mais moderna e desburocratizada.

 

As novas gerações, na qual eu me insiro, trazem no sangue uma nova lusofonia. Anseiam por resultados rápidos e concretos e estão cansadas de bonitas declarações finais saídas de cimeiras oficiais que na realidade não passam à prática. Atenção que 20 anos não são 20 dias.

(Imagem: Teresa Teixeira)
(Imagem: Teresa Teixeira)

Mais do que nunca, precisamos de atitudes e compromissos claros. Precisamos do envolvimento de todos os Estados-Membros na implementação urgente da livre circulação, pelo menos e numa primeira fase, aplicada a segmentos prioritários e estratégicos, como os empresários, artistas, jornalistas, voluntários, estudantes e investigadores.

 

Precisamos do envolvimento de todos os Estados-Membros na implementação urgente da livre circulação.
Congratulamos-nos por isso com as palavras do Ministro de Negócios Estrangeiros de Portugal, Augusto Santos Silva: “chegou o tempo de generalizar os vários projetos de mobilidade, é um avanço muito concreto. É um avanço possível e é um avanço em que nós podemos apostar”.

(Imagem: Teresa Teixeira)
(Imagem: Teresa Teixeira)

Certamente urge hoje e mais do que nunca, o arranque da concretização do estatuto do cidadão lusófono/CPLP, um dos muitos projetos que parecem insistir ficar na gaveta.

 

Termino este meu texto dizendo que a CPLP tem sim futuro, eu acredito, e terá sim futuro se a partir deste momento trabalharmos intensamente e com afinco num maior envolvimento e participação da sociedade civil. E para isso não precisamos de ficar à espera que os Estados nos dêem permissão para o fazer. Podemos ir já entrando sem pedir licença. Este debate foi disso exemplo.

(Imagem: Teresa Teixeira)
(Imagem: Teresa Teixeira)

Por outro lado, também acho que é preciso envolver e dialogar cada vez mais com a juventude. Nós, os jovens, seremos os herdeiros deste projeto e os líderes lusófonos de amanhã.

 

Espero chegar a 2036, daqui a 20 anos, e poder dizer assim:

 

“É engraçado como dia após dia nada muda, mas quando olhas para trás, tudo está diferente”. Espero que para melhor!

 

Enquanto isso não acontece:

 

Clique aqui para ver as fotos do debate

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