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Professor carioca faz sucesso levando aulões de história para praças e botequins no Rio

Luiz Antonio Simas, mais conhecido por Simas, é professor de história e autor de diversos livros ligados à cultura do samba. Conhecido por suas aulas performáticas e repletas de humor, é daqueles professores admirados por seus alunos.

Executor do projeto Ágoras Cariocas, o historiador promove aulões de história que pretendem fazer um resgate da memória urbana do subúrbio. Sempre nesta região e na zona norte do Rio de Janeiro, o projeto acontece em bares, botecos e pela grande procura e crescimento, também em praças da cidade. À mistura, acontecem também rodas de chorinho.

simas

Um dos objetivos é legitimar os bares como centros de produção de saberes e conhecimentos. O projeto é promovido pelo Coletivo Norte Comum que realiza eventos culturais na Zona Norte da Cidade. “A ideia é tirar o conhecimento das salas de aula e levar para a rua”, esclarecem os promotores.

Cerveja gelada, churrasquinho no espeto, samba e muitas histórias e curiosidades são o tempero desses encontros. A seguir um texto do historiador Luiz Simas, que ilustra e dá o tom dos encontros:

Nós poderíamos falar de certa História oficial, cheia de nomes e datas, e descrever aquelas terras que se estendiam pelas sesmarias doadas aos fidalgos portugueses Antônio da Costa e Antônio de França; que acabaram originando também os bairros de Ramos, Penha, Bonsucesso e Manguinhos. Poderíamos citar a família Souto Mayor, a Fazenda do Engenho da Pedra e as manufaturas de utensílios de barro que se estabeleceram em virtude da abundância do material nas cercanias do Morro do Alemão e deram ao local o nome consagrado: Olaria.

Mas a ideia é outra. O que nos mobiliza é escutar as histórias do território, as aventuras afetivas da rua, a importância do Olaria Atlético Clube (desde o antigo estádio da rua Cândido Silva até o atual, na Bariri), a relevância dos chorões e sambistas da Leopoldina, os carnavais, a força da comunidade judaica da pequena sinagoga da Juvenal Galeno, a fibra dos ciganos que migraram a partir da demolição da Praça Onze, as cercanias da festa da Penha, os ritos de amor, pertencimento e morte.

O Ágoras Cariocas, afinal, é festa de gente malunga, congraçamento de quem está na rua sabendo que os territórios gritam, as ruas murmuram e a cidade canta. O que queremos é aprender com quem tem a fala do lugar. Olaria, afinal, ensina a sua própria história e a gente quer escutar. Saravá!

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