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Sistema que transforma ar em água potável pode fazer a diferença em Angola e Moçambique

Diariamente, pelo globo inteiro, milhares de pessoas travam uma luta para garantir o acesso a água potável. Angola e Moçambique são apenas alguns dos exemplos de países onde o cenário das secas impera, acarretando inúmeras vítimas. Anualmente, estas terras enfrentam uma causa-consequência de desalento. Se a escassez de água faz com que as produções agrícolas sejam aniquiladas, consequentemente, a falta de bens alimentares acelerará a instalação do desespero social. No entanto, este contexto poderá mudar drasticamente no futuro. Como? Graças ao sistema WEDEW, capaz de transformar o ar em água potável.

 

Resultado de uma parceria entre as empresas Skysource e Skywater, este sistema inovador venceu o desafio da Water Abundance Xprize, em 2018. A competição, incentivada e criada em 2016 pela empresa australiana XPrize, visa premiar projetos que sejam capazes de obter água limpa e potável do ar, utilizando sistemas ou dispositivos 100% renováveis. Atenuar as condições em zonas de desastres naturais ou em regiões onde a água não abunda são os objetivos que a norteiam.

 

Não é novidade para ninguém que a água é um elemento fundamental para a manutenção da vida no nossa planeta. No entanto, segundo os dados apresentados pela Xprize, mais de 780 milhões de pessoas, espalhadas por 43 países, enfrentam o problema da escassez de água, devido à falta de disponibilidade, distribuição, contaminação e acesso desiguais. É verdade que, até ao momento, têm existido programas e oportunidades que tentam aumentar os recursos de acesso a água doce, como é o caso da dessalinização – que retira o sal e outros minerais da água do mar – e o tratamento das águas residuais. Contudo, estas abordagens têm tido um impacto ambiental negativo e têm-se revelado dispendiosas.

 

O desafio colocado, este ano, pela competição consistia na criação de um aparelho que fosse capaz de extrair, no mínimo, 2000 litros de água da atmosfera por dia – o suficiente para suprir as necessidades de cerca de 100 pessoas. Além disso, este dispositivo teria de utilizar energia limpa e o custo da água obtida não poderia ultrapassar os dois cêntimos por litro. Por preencher todos estes requisitos, o sistema WEDEW conquistou o prestígio e foi galardoado com 1,5 milhões de dólares (aproximadamente 1,5 milhões de euros).

 

Sistema WEDOW (Wood-to-Energy Deployed Water)

 

Este projeto inovador foi criado através da junção de dois sistemas que já existiam. O primeiro, chamado Skywater, é uma caixa que é capaz de simular a forma como as nuvens são criadas, aquecendo o ar para criar condensação e, desta forma , obter água. Posteriormente, esta será armazenada num tanque dentro de um contentor – o Skysourceque depois poderá ser ligado a uma máquina ou a uma torneira.

 

Sendo mais precisos, a água é extraída da humidade que existe no ar – quanto mais húmido, mais quantidade. Por sua vez, o vapor de água pode continuar a ser extraído da atmosfera indefinidamente, sem afetar a sustentabilidade do planeta. Deste modo, ao recorrermos a este sistema estaremos a contribuir para a redução das emissões de dióxido de carbono, eliminando a necessidade de engarrafamento ou de transporte de água.

 

Processo de obtenção de água – Imagem: Skywater

Apesar da eficiência do sistema, este consome muita eletricidade. Para contornar esse obstáculo, foi introduzido um gaseificador de biomassa – um recurso de energia de baixo-custo. Pedaços de madeira, cascas de fruta, lixo orgânico, etc. podem ser apenas alguns dos exemplos capazes de alimentar o sistema, ajudando a produzir água através do ar e a custos muito inferiores. Segundo a empresa Skywater, estes resíduos poderão ser, depois, transformados em adubo para o solo.

 

Nos locais onde este tipo de recursos naturais não abundem, o dispositivo WEDEW poderá ser alimentado por energia solar ou por geradores de energia elétrica, como alternativa à biomassa. Graças a este projeto, o céu deixou de ser o limite. Espera-se que no futuro, segundo as informações divulgadas pela parceria premiada à revista Fast Companyo sistema seja instalado em várias partes do mundo com a ajuda de organizações sem fins lucrativos. Angola e Moçambique podem fazer parte da fila de espera.

 

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