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Vilas remotas portuguesas: o guia exclusivo para férias e escapadinhas

4 min

A temporada de férias está prestes a bater à porta (e o corpo grita: finalmente!). Para facilitar-lhe a vida, suscintando-lhe a vontade de ir à descoberta, decidimos fazer uma seleção de vilas portuguesas. Independentemente do tempo de pausa, em férias ou em escapadinhas de fim de semana, garantimos-lhe que todas merecem ser exploradas.

 

Longe da correria citadina e do stress diário, estas pequenas localidades prometem acalmar os ânimos. Por isso, se está à procura de sugestões pitorescas, afastadas das grandes multidões veranistas, temos a lista perfeita para si — que, além de percorrer Portugal Continental, engloba as pérolas insulares lusitanas. Vamos às notas?

 

Portugal Continental

 

Vilarinho de Negrões

Vilarinho de Negrões (Montalegre, Vila Real) — Imagem: Reprodução Wikimedia Commons)

Esta pequena vila, situada no distrito de Vila Real, no concelho de Montalegre, parece saída de um imaginário de encantar. Está plantada na margem sul da bela Albufeira do Alto do Rabagão (ou Barragem dos Pisões), sobre uma estreita e peculiar península que a impede de ficar submersa com a subida da água. É o local ideal para sossegar o corpo, enquanto a lente da câmara captura a essência da paisagem.

 

Os casarios de Vilarinho de Negrões são apelidados de rijos, porque insistem em resistir ao tempo. Se decidir caminhar pelas ruas estreitas da vila, conseguirá comprovar o bom estado de conservação. Por lá, não vive muita gente, mas, ainda assim, é um local de passagem obrigatória se estiver a arejar pela zona do Barroso região que envolve Montalegre e Boticas. Há quem refira que os melhores enchidos portugueses são produzidos nas redondezas e, para quem é apreciador de carnes fartas, o cozido à portuguesa é um dos emblemas gastronómicos. Se, porventura, visitar Vilarinho de Negrões no inverno, agasalhe-se: o frio é feroz.

 

Vila de Marvão

Vila de Marvão (Portalegre) — Imagem: Reprodução Wikimedia Commons)

Encontra-se coladinha à fronteira com a Espanha, situada entre Castelo de Vide e o distrito de Portalegre. Está alojada no ponto mais alto da bonita Serra de São Mamede, abraçada pela tranquilidade da região alentejana. A vila de Marvão, além de ser reconhecida pela tranquilidade, é circundada por muralhas dos séculos XIII e XVII — que pertencem ao castelo medieval homónimo.

 

Além da imponente construção muralhada, Marvão possui um Museu Municipal que alberga coleções etnológicas e arqueológicas do território. Contudo, se estiver mais interessado em respirar a natureza, não terá problemas — relembramos-lhe que a vila se encontra no topo de uma serra. Na Torre de Menagem ou na Pousada de Santa Maria, locais que se encontram guardados no coração do vilarejo, conseguirá vislumbrar panoramas fenomenais sobre o meio envolvente.

 

Vila de Dornes

Vila de Dornes (Ferreira do Zêzere, Santarém) — Imagem: Reprodução Ruralea)

É considerada uma vila, mas há quem a apelide de aldeia. Outrora chegou a ter mil habitantes; hoje em dia, abriga cerca de quatrocentos. Dornes está plantada numa península, banhada pelo rio Zêzere, denominada albufeira de Castelo de Bode. Há muitos séculos, serviu de ponto estratégico militar contra os mouros — quando os portugueses ainda não eram portugueses, porque ainda não tinham consolidado a nacionalidade.

 

É reconhecida como a “mítica terra dos templários” — monges ou cavaleiros do templo cristão —, conservando infraestruturas em pedra que transportam turistas até à primeira metade do século XII. Mantém um charme histórico, envolvido pelo abraço forte da natureza. Existem poucos locais em Portugal capazes de ecoar um silêncio tão encantador quanto o de Dornes. Nesta pequena localidade de Ferreira do Zêzere, situada no distrito de Santarém, a globalização e a essência citadina são devoradas pelo perfume da ruralidade.

 

Castelo de Vide

Castelo de Vide (Portalegre) — Imagem: Reprodução Wikimedia Commons)

Castelo de Vide é uma bonita e romântica vila, localizada numa das colinas da Serra de São Mamede — que abriga no seu topo a vila de Marvão supracitada. Esta é envolvida pela vegetação rica daquela região, sendo alcunhada de “Sintra do Alentejo”. O epíteto deve-se ao encanto pitoresco da arquitetura poética, que lhe molda as feições e a ajuda a ganhar forma.

 

As casas brancas, brasonais e senhoriais contrastam com a cor do meio envolvente, preenchendo Castelo de Vide. É uma vila que se cruza com anos de história, perpetuando diversos legados megalíticos — construções monumentais em grandes blocos de pedra —, como o Menir da Meada. Além disso, a boa fama da comida ajuda-a a conquistar espaço no mapa gastronómico português. Se é um “bom garfo”, experimente o sarapatel (prato típico elaborado com as vísceras de borrego ou cabrito), o ensopado de cabrito ou as migas com entrecosto. Para regar o estômago, aposte nos licores produzidos na região — a ginjinha não o deixará ficar mal.

 

 

Arquipélago dos Açores

 

Vila do Nordeste

Vila do Nordeste (ilha de São Miguel, Açores) — Imagem: Reprodução Agenda dos Açores)

Esta vila e município português está sediada na verdejante ilha de São Miguel, no arquipélago dos Açores. Tal como o seu nome indica, está acomodada na zona nordeste do território insular. Ao seu redor, podem ser observadas a fauna e a flora endémicas, que ajudam a espelhar a magnificência da região. Além desta, existe todo um património arquitetónico para ser explorado (e fotografado, claro!), como o Viaduto — ou a Ponte — dos Sete Arcos e o belo edifício dos Paços do Concelho do século XIX.

 

A vila do Nordeste é afamada pelos bonitos jardins e pelas ruas e estradas cuidadas, estando decorada por flores a cada virar de esquina. É uma zona de longa tradição agrícola, pecuária e piscatória. Por lá, para explorar, encontrará miradouros, percursos pedestres e o farol mais antigo dos Açores (o Farol do Arnel). Além disso, dê uma volta pela Casa do Trabalho de Nordeste que mantém conservada a arte de tecer manualmente. Há colchas, mantas, bordados e muitas rendas para analisar.

 

Vila do Corvo

Vila do Corvo (ilha do Corvo, Açores) — Imagem: Reprodução Câmara Municipal do Corvo)

A vila do Corvo situa-se na ilha açoriana homónima. É a região habitada mais isolada de Portugal, mas isso significa apenas uma coisa: tranquilidade. A azáfama das grandes cidades não tem espaço para crescer nos (únicos) 10 quilómetros de estrada existentes. Ali, a natureza (que é exuberante) e o silêncio são os principais temperos da atmosfera insular.

 

À parte da vila, tudo no Corvo encontra-se em estado selvagem. O verde viçoso das montanhas escarpadas promete ofuscar e apaixonar qualquer visitante. As casas do vilarejo descansam umas nas outras, estando separadas por vias estreitas e acolhedoras. Todos se conhecem e a hospitalidade impera na comunidade corvina. A visita à Lagoa do Caldeirão, alojada na cratera vulcânica da ilha, é obrigatória — garantimos-lhe, desde já, que será um dos postais mais bonitos que verá.

 

Arquipélago da Madeira

 

Vila do Caniçal

Vila do Caniçal (Machico, Madeira) — Imagem: Reprodução Madeira LIve)

Na parte oriental da ilha da Madeira, podemos avistar a vila do Caniçal. É uma zona piscatória, que pertence ao concelho de Machico, no Funchal. Por isso, bons petiscos de peixe não faltarão. Durante alguns anos, foi um dos grandes centros da caça à baleia da região autónoma insular, tendo investido na construção de um museu — o Museu da Baleia — que ajuda a perpetuar as memórias dessa atividade económica.

 

A Ponta de São Lourenço, uma península que constitui o extremo oriental da Madeira, a leste da povoação do Caniçal, é um dos ex-libris da região. Merece ser percorrido e relembrado, já que promete exemplificar  a sensação de ser “engolido” pela profundidade do horizonte. Assim que terminar o trilho, os salpicos da água do mar e o barulho das ondas ruidosas serão as únicas maravilhas que captará.

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