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“Coisa Mais Linda”: a nova série que celebra bossa nova e a cultura brasileira

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A gigante americana Netflix costuma ter faro para adivinhar o que impactará os telespectadores. Prova disso são as grandes apostas em enredos que espalharam o furor nos utilizadores: “Orange is the New Black”; “You”; “Russian Doll”; ou “Stranger Things” são apenas alguns dos exemplos mais sonantes. Depois destes, parece que a hora de investir em argumentos nos quais o português predomina chegou (e a comunidade lusófona agradece, mais uma vez). Às tramas brasileiras “O Mecanismo” e “Samantha!”, segue-se “Coisa Mais Linda”.

 

Criada pela dupla Heather Roth e Giuliano Cedroni, a nova série da Netflix decide evocar o famoso género musical bossa nova e passear-se pelo rescaldo da revolução sociocultural brasileira, dos anos 50 e 60. Léo Moreira, Luna Grimberg e Patricia Corso assinam o argumento e a produção executiva de “Coisa Mais Linda” (Most Beautiful Thing) fica a cargo de Francesco Civita e Beto Gauss.

 

O Rio de Janeiro serve de pano de fundo para este drama, acompanhando a história de Maria Luiza — alcunhada de Malú —, interpretada pela atriz brasileira Maria Casadevall. Outrora conservadora, obediente, fiel e apaixonada, esta personagem sofre uma reviravolta, quando descobre que o seu marido, Pedro, desapareceu. Obstinada, segue rumo à cidade carioca, onde o esposo pretendia abrir um restaurante, e apercebe-se que foi abandonada por ele. Sem dinheiro, mas mantendo a convicção, Malú decide contrariar as expectativas e investir no próprio negócio, inaugurando uma casa noturna, embalada pelos ritmos intimistas do bossa nova.

 

A personagem principal de “Coisa Mais Linda” cumpre a tarefa de personificar parte das transformações sociais e culturais que agitaram o Brasil, durante o final da década de 50. Influenciada pelas correntes liberais e feministas das pessoas que a rodeiam, e que ajudam a compor o elenco da série, Maria Luiza apercebe-se que a vida é sinónimo de mutação, expansão e aprendizagem.

 

Esta nova série “cheia de graça” — como a “Garota de Ipanema” eternizada nos versos de Vinícius de Moraes e cantada por Tom Jobim (dois dos artistas brasileiros que inauguraram o bossa nova) — estreou no passado 22 de março (2019) e conta com sete episódios. Além de celebrar este estilo musical, influenciado pelas batidas do samba carioca e do jazz norte-americano, vem relembrar a força que os movimentos brasileiros culturais tiveram (e têm) no alargamento de horizontes do país.

 

Em baixo, deixamos-lhe o trailer da série. Esperemos que o seu “doce balanço”, em vez de o fazer ir a “caminho do mar” — como a “Garota de Ipanema” —, o agarre ao ecrã.

 

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