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Brasil assiste ao “House of Mãe Joana”

Leya

 

Na sexta-feira (dia 4 de março), circulou pela internet uma piada do Sensacionalista, site brasileiro de notícias mentirosas. O Netflix teria adiado a estreia da quarta temporada do seriado “House of Cards no Brasil, pois não teria como competir com a realidade. Faria todo o sentido. Debaixo das capas promocionais dos jornais que o Netflix comprou para divulgar seu maior seriado, estavam manchetes ainda mais bombásticas sobre o governo Dilma Rousseff (PT).

 

Se o governo Dilma fosse um seriado, poderíamos dizer que a quarta temporada foi o grande divisor de águas. Terminou com uma eleição vencida por uma candidata esvaziada, uma oposição raivosa e um país dividido e angustiado com os rumos da economia.

 

Se o governo Dilma fosse um seriado, poderíamos dizer que a quarta temporada foi o grande divisor de águas.
A quinta temporada começou quente – protestos na rua e um novo vilão, o recém-eleito presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB). Houve até espaço para a comédia, com o vazamento da carta emotiva do vice-presidente Michel Temer (PMDB) à presidente Dilma. Mas o vilão perdeu força e a reta final vinha morna, até o season finale: o líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (PT) é preso, e se dispõe a contar o que sabe em troca de uma pena reduzida.

 

Se o final de 2015 indicava que a presidenta poderia estar diante de uma calmaria capaz de dar-lhe um mínimo de governabilidade até 2018, quando se encerra o mandato, 2016 já ganhou capítulos, nesta semana, indicando que a sexta temporada de Dilma no poder pode ser a última.

 

Estamos recém iniciando o terceiro mês do ano, e já assistimos a capítulos como a prisão do marqueteiro da campanha eleitoral de Dilma, João Santana, seguido do vazamento da denúncia de Delcídio à revista IstoÉ e a cinematográfica “condução coercitiva” de Lula pela Polícia Federal. Os fatos novos ressuscitaram o grito de impeachment e devem provocar um protesto de dimensões hollywoodianas no próximo domingo, dia 13.

 

Trocadilhos cinematográficos à parte, a denúncia rica em detalhes de Delcídio é gravíssima porque, se comprovada, pela primeira vez liga diretamente Dilma a um episódio de corrupção: uma nomeação ao Superior Tribunal de Justiça, de acordo com o senador, teria sido negociada para que empreiteiros presos pela Operação Lava-Jato fossem soltos. A tábua de salvação de Dilma – sua conduta pessoal ilibada – apresenta as primeiras rachaduras.

 

Contra Lula, pesam suspeitas de que obteve vantagens pessoais de empresas comprometidas com o esquema de corrupção que corrompeu a Petrobras, maior empresa estatal brasileira. Até a histórica sexta-feira em que a polícia amanheceu na porta de um ex-presidente da república, Lula vinha se defendendo por notas oficias do seu instituto de evidências cada vez mais inegáveis de relações promíscuas com as empreiteiras. Lula negava ser proprietário de um sítio e de um apartamento tríplex, ambos reformados na base da camaradagem. Entre as evidências mais surreais, dois pedalinhos com os nomes dos netos de Lula foram fotografados no sítio que ele jura não ser dele.

 

Quando finalmente foi ao microfone, Lula não poderia ter sido um personagem mais previsível.

 

Abriu sua fala se declarando um defensor da liberdade de imprensa, mas o fez diante de uma plateia de correligionários na sede do PT, sem espaço para perguntas dos jornalistas e culpando a Rede Globo pela sua derrocada. Alegou arbitrariedade da Justiça, embora viesse tentando obter liminares para não depor e levar a investigação do Paraná para São Paulo. E finalmente recorreu à eterna briga de classes, de elites contra pobres, para se defender das suspeitas sobre o patrimônio. A elite branca de Lula é semelhante ao imperialismo americano de Hugo Chávez: um vilão para todas as horas.

 

Lula disse ainda não poder sequer “comprar um pedalinho de R$ 2 mil para os netos”, quando todos – inclusive Lula – sabem que o problema não é o pedalinho, é negar ser o proprietário do sítio onde eles estavam. Ao que tudo indica, as lágrimas de crocodilo de Lula comovem cada vez menos, e não o salvarão do avanço da investigação.

 

Enquanto isso, Dilma é uma presidente cada dia mais isolada e inoperante.

 

Na semana passada, antes da bomba Delcídio estourar, Dilma perderia um dos derradeiros ministros de sua confiança, o da Justiça, Eduardo Cardozo. Em relação à combalida situação das contas públicas, a falta de alternativas de Dilma fica evidente na sua defesa pela criação de um novo imposto, a CPMF, que incide sobre movimentações financeiras, uma tarifa tão impopular que nem mesmo Lula, no auge de seu governo, conseguiu salvar de ser derrubado no Congresso.

 

Dilma é o personagem mais fraco de seu próprio seriado. Sua house, o Palácio do Planalto, é a casa da Mãe Joana. E o desgoverno só tende a aumentar agora que a sua sangria virou hemorragia.

 

Dilma é o personagem mais fraco de seu próprio seriado.
Hoje, a forma mais provável de Dilma ser retirada do poder é uma cassação pelo Tribunal Superior Eleitoral, caso seja provado que dinheiro da Petrobras irrigou sua campanha. Nesse caso, Dilma cairia junto com o seu vice-presidente, Michel Temer (PMDB). Isso obrigaria o Brasil a fazer um debate complexo.

 

Se Dilma e seu vice caírem ainda em 2016, uma nova eleição presidencial ocorria, sabe deus com que. Se cair depois de 2017, o Congresso indicaria um presidente até 2018. Chances imensas de sucesso para um candidato do PMDB, que controla Câmara e Senado. Terminaria na presidência um candidato desse imenso partido que se alimenta do sistema democrático sem precisar ir às urnas pela presidência desde 1994. Mais Frank Underwood, impossível.

 

O dilema é o seguinte: mesmo para os que não simpatizam com a ideia de impeachment, seria melhor para os brasileiros entregar a cabeça de Dilma de uma vez para não perder o direito a decidir seu sucessor no voto? E nesse caso, quais seriam os novos personagens dessa trama?

 

Aguardemos os próximos capítulos.

2 Comentários

  1. cassio betine
    7 Março, 2016 às 9:58 — Responder

    Maravilha Caue! Não seria estranho se aquelas consultorias milionárias que o ex-presidente fez fossem para a produção do seriado…

  2. Humberto Neder
    7 Março, 2016 às 19:21 — Responder

    Artigo tendencioso e golpista que está cheio de mentiras e omissões de fatos relevantes sobre o Brasil na atualidade. Serve o propósito de estimular golpistas, fascistas e outros inimigoa da democracia. respeitem o voto dos 54 milhões que elegeram a Presidenta Dilma.

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