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Da Amazónia com amor

Se cruzarmos o grupo de música instrumental brasileiro Uakti – fundado em 1978 em Belo Horizonte – com o génio de Philip Glass (Baltimore, n.1937), um dos mais brilhantes e aclamados compositores da moderna música clássica norte-americana, teremos o magnífico prazer de escutar estas míticas Águas da Amazónia (1999), incursão onírica, serpenteante e hipnótica que bebe do jazz, dos ritmos new age e dos andamentos clássicos para produzir um disco inspirado nesse imenso Pulmão da Terra.

 

Originalmente intitulado Sete ou oito peças para um ballet (estreado em 1994 no Teatro Municipal de São Paulo), que Philip Glass e o conjunto mineiro criaram em colaboração para o Grupo Corpo, as Águas dividem-se em 9 faixas, incluindo um décimo tema extra intitulado Metamorphosis (que dialoga directamente com a obra pianística de Glass), baptizadas com os nomes dos vários rios que percorrem os turvos e misteriosos caminhos da floresta amazónica.

 

 

Foi durante uma viagem ao Brasil com o seu amigo Paul Simon (Newark, n. 1941) que Glass teve a oportunidade de conhecer o grupo Uakti, formado por 4 membros já premiados em 1996 pelo Ministério da Cultura brasileiro (Melhor Grupo de Música) e em 1997 com a Medalha de Ouro do Prémio Santista. O seu líder, Marco Antônio Guimarães, inventou de raiz os instrumentos que caracterizam a sonoridade inigualável da banda, construídos a partir de materiais quotidianos como vidro, metais, pedras, borracha ou cabaças.

 

Em Águas da Amazónia, Paulo Sérgio dos Santos e Décio de Souza Ramos Filho assumem os instrumentos de percussão enquanto Artur Andrés Ribeiro conduz a flauta transversal. Regina Stela Amaral e Michael Riesman, dois membros que apoiam os músicos fundadores do grupo Uakti, são responsáveis pelo trabalho de teclas. Não por acaso, Philip Glass descreveu esta fabulosa colaboração como uma «verdadeira fusã0» entre a sua música minimal e a exótica acústica mágica da banda de Belo Horizonte.

 

Sugerimos a audição de «Japuará River», segunda faixa destas maravilhosas e turbulentas Águas amazónicas que nos envolvem largamente com todo o feitiço do seu amor.

 

 

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