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De mão dada a Moçambique

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No dia 2 de abril (2019), mais de 40 artistas — portugueses e internacionais — irão “dar as mãos” (neste caso, a voz) para ajudar as vítimas do ciclone Idai, que abalou fortemente a população moçambicana. O evento irá ter lugar na cidade de Lisboa, no Capitólio, a partir das 21 horas. Tal como é possível ler na descrição da iniciativa no Facebook, a RTP 1 e a Antena 1 vão garantir, em direto, a transmissão mundial do encontro.

 

A organização do evento, denominado “Mão dada a Moçambique”, elegeu sete associações pelas quais os fundos angariados serão divididos. Para assegurar a transparência de todo o processo, estas entidades assinaram uma carta de compromisso pública que garante o rigor de todos os movimentos monetários envolvidos. Os porta-vozes das instituições estarão presentes no concerto e “darão conta do que já estão a fazer no terreno e o que preveem fazer a médio e longo prazo”, como se pode ler na página do evento. Entre as entidades beneficiárias constam a Cruz Vermelha Portuguesa, a Cáritas Portuguesa e a AMI — Fundação de Assistência Médica Internacional.

 

A artista moçambicana Selma Uamusse, organizadora e mentora da iniciativa, explicou, em exclusivo à Conexão Lusófona, como todo o planeamento aconteceu. “A minha primeira preocupação foi saber quais eram as entidades que estavam a trabalhar no terreno e depois, uma vez identificadas, conseguir falar com cada uma delas e perceber se estariam dispostas a explicar o que é que estão a fazer lá, além de estarem presentes neste evento. Quando pensei neste evento, não achei que fosse ter esta magnitude. Basicamente juntei os meus amigos, que são músicos, e pensei num espaço de dimensão média, como o Capitólio — onde já tinha realizado um concerto solidário por Alepo”.

 

Felizmente, e como Selma clarificou, o apoio não tardou. “Rapidamente tive a cedência do espaço, apoio da produção, apoio nas limpezas, na equipa segurança, catering, mais músicos que se quiseram juntar, equipas técnicas e, entretanto, surgiu a iniciativa da RTP. Chamaram-me para uma reunião, dois dias depois de termos desenhado isto, e a coisa cresceu por si. Penso que a principal razão pela qual o evento cresceu tem a ver com a dimensão da desgraça que, infelizmente, aconteceu em Moçambique. O facto de estarmos a falar de uma situação de calamidade faz com que as pessoas, naturalmente, também se queiram juntar, porque não ficam indiferentes à dor alheia. Isso é o positivo no meio desta desgraça toda”, acrescentou a cantora.

 

O cartaz musical conta com artistas de grande reconhecimento nacional e internacional, que acreditam na relevância e urgência da causa. Ana Moura, Conan Osiris, Márcia, Gisela João, Matay, Marta Ren, Paulo Flores, Noiserv, Samuel Úria, Tatanka, Salvador Sobral, Best Youth e Rodrigo Leão são alguns dos nomes que vão pisar o palco do Capitólio, no dia 2 de abril, em nome da solidariedade. Selma Uamusse também irá atuar.

 

No dia do concerto, a partir das 10 horas, estarão abertas linhas telefónicas para chamadas de valor acrescentado e um call center destinado ao esclarecimento de dúvidas de pessoas que estão fora do país. Esse centro também servirá para receber doações de valores superiores aos que são angariados em chamada.

 

A angariação de fundos

Há três tipos de bilhete, que já se encontram à venda, para o “Mão dada a Moçambique”. O bilhete geral, que dá acesso ao espetáculo (plateia em pé), tem um custo de 20 euros. Existem também os bilhetes-donativo, de 20 e 30 euros, que não permitem a presença no concerto, mas servem, antes, para possibilitar doações feitas por pessoas, entidades ou empresas que não podem comparecer. Para adquirir qualquer um destes ingressos basta deslocar-se aos locais de venda habituais, se estiver em Portugal, ou fazer a compra online, através da blueticket.

 

Para aumentar as verbas angariadas, a Visão também irá ter uma edição especial à venda no Capitólio, denominada “Moçambique no Coração”, durante o decorrer do evento. Cada revista terá o custo de 2,5 euros e os fundos recolhidos serão doados à missão da Cruz Vermelha em Moçambique.

 

Na descrição do espetáculo no Facebook, há já uma nota prévia de agradecimento por todas as contribuições. “Angariar o maior valor de receitas possível para ajudar o máximo de vítimas do Idai é o objetivo de todos os artistas e parceiros que se unem neste evento, que desde já agradecem todos os contributos financeiros que serão dados, do mais modesto, ao mais generoso”.

 

Como ajudar, sem desculpas: não precisa de sair de casa

O ciclone Idai, que atingiu o continente africano no passado dia 15 de março (2019), já fez centenas de vítimas, sendo Moçambique o país mais afetado até ao momento. As vítimas mortais contabilizadas em território moçambicano já ultrapassaram as quatro centenas, estando atualmente num registo de 468 óbitos.

 

Além da destruição das estradas, o ciclone impactou fortemente a população das zonas mais afetadas. Na cidade portuária da Beira, os habitantes vivem um cenário de grande necessidade: não há energia elétrica, água potável (o que está a originar vários casos de cólera), nem comida suficiente. Tendo em conta o estado lamentável em que as pessoas estão a viver, sem condições básicas, qualquer ajuda é bem-vinda e necessária. Seguindo as dicas do Huffpost Brasil, saiba como pode ajudar, sem desculpas!

 

— Faça a sua doação através do site da Organização das Nações Unidas (ONU), aqui.

 

— Doe por meio do site do Programa Mundial de Alimentos (PMA), aqui.

 

— Colabore com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), aqui.

 

— Faça a sua doação pelo site dos Médicos sem Fronteiras, aqui.

 

— Doe para a Caritas, através do IBAN PT50 0033 0000 01090040150 12, por transferência “Ser Solidário”, multibanco, com a entidade/referência “22222”, ou via MB WAY (para o contacto 911 597 284).

 

— Ajude a ActionAid através de donativos, aqui.

 

— Colabore com a Oxfam, aqui.

 

— Doe para a Save the Children, aqui.

 

— Vá até a uma Casa do Benfica (da Fundação Benfica), no Estádio da Luz ou numa das que se encontra espalhada pelo país, até ao dia 31 de março. Aí poderá deixar alimentos enlatados destinados a ajudar as vítimas de Moçambique.

 

— Pode deslocar-se até ao multidesportivo da Fundação Sporting, que está a aceitar a doação de alimentos. Além disso, no dia 3 de abril, no Estádio José Alvalade, também irá existir uma recolha de bens.

 

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