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Enquanto a polícia desmobiliza a quarta noite de vigília em Luanda, o movimento #liberdadeja recebe apoio internacional

A quarta noite de vigílias a pedir a libertação dos presos políticos angolanos, realizada em frente à Igreja Sagrada Família, em Luanda, teve na noite deste domingo dezenas de novos presentes: para além dos manifestantes, que em silêncio comunicavam com velas e cartazes, um forte aparato policial esteve presente acompanhando a movimentação.

O grupo exige a libertação de um grupo de jovens que foram detidos por alegada preparação de golpe de Estado. Entre eles está Luaty Beirão, que completa hoje 22 dias de greve de fome. A sua saúde segue em estado frágil.

(Imagem: Reprodução Facebook)
(Imagem: Reprodução Facebook)

A manifestação teve início às 18h (horário local) e reuniu mais de uma centena de pessoas. Em entrevista à rádio TSF, a esposa de Luaty Beirão, Mónica Almeida, contou que os manifestantes foram surpreendidos pela forte presença policial, desmobilizando a vigília pelas 20h30min para evitar um confronto.

(Imagem: Rui Sergio Afonso)
(Imagem: Rui Sergio Afonso)

– Quando nós chegamos, fomos surpreendidos por um forte aparato policial, com tanques d’água e brigada canina em frente à igreja – relatou.

Enquanto os presentes faziam orações silenciosas sentados às escadas da Sagrada Família, os aparatos da força policial estavam preparados para o que seria um confronto. O grupo de manifestantes esteve rodeado por dezenas de elementos da Polícia de Intervenção Rápida (PIR), incluindo um camião para lançamento de água já posicionado em frente – com as ruas envolventes cortadas ao trânsito automóvel – além de brigadas caninas, conforme a agência Lusa constatou no local.

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(Imagem: Rui Sergio Afonso)

Um vídeo publicado pela página Luaty Beirão (gerenciada por amigos do ativista) mostra a chegada dos policiais:

Em uma publicação em sua página de Facebook este domingo, a esposa de Luaty agradeceu o apoio que tem recebido e informou que conseguiu estar com ele no sábado (10 de outubro), relatando o seu estado de saúde:

Ontem pude ver o meu amor Luaty Beirão. Ele está bem mais magro do que na passada terça-feira. Luaty perdeu 20kg, nos primeiros 50 dias, o Luaty parecia-me ter perdido à volta de 2 a 3KG, depois deve ter perdido à volta de mais 5kg até o dia 10 de Setembro, que foi a última vez que o vi antes de começar com a greve de fome. Ausentei-me por 14 dias, mas quando regressei, o Luaty já tinha começado com a greve de fome há 5 dias e quando o vi, ele estava bem magrinho. De terça-feira (6 de Outubro) até ontem sábado, o Luaty emagreceu muito. É normal quando alguém passa 20 dias sem ingerir qualquer tipo de alimento. Consegue manter-se em pé por muito pouco tempo, inclusive ontem tomou banho sentado. Em comparação a terça-feira, ontem senti mais firmeza na sua voz o que me acalmou um pouco, mas não me deixa menos preocupada, porque cada dia que passa sem comer, o organismo reage e pode ter consequências devastadoras para ele. Temo pela vida do meu marido. Admiro-o por ser de palavra, aliás, nunca pensei que ele fosse abdicar, mesmo com a minha persuação, que é na verdade o meu trunfo durante estes quase 7 anos juntos.

A manifestação está ganhando força também em outros países da lusofonia, principalmente pelas redes sociais, onde as hashtags #liberdadeja e #osilenciomata são partilhadas juntamente com novas informações e manifestações de apoio aos presos e em especial a Luaty Beirão.

Entre as personalidades públicas angolanas que tomaram posição manifestando publicamente um pedido pela libertação dos ativistas estão Waldemar Bastos e Calado Show.

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