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Mais da metade das mulheres moçambicanas já foram vítimas de violência

(Imagem: Reprodução Deutsche Welle)

Em Moçambique mais da metade (54%) das mulheres já sofreram algum tipo de violência física ou sexual em algum momento das suas vidas. O número é de uma pesquisa de 2004, mas não se deixe enganar pela data.

Mesmo que tivesse sido realizado nos últimos meses, o levantamento provavelmente estaria abaixo do real, uma vez que as vítimas de violência contra a mulher preferem manter o silêncio  para não enfrentar um problema adicional: o preconceito.

Os números foram revelados pelo Ministério moçambicano da Mulher e Ação Social, que destaca que a questão da violência contra a mulher segue sendo uma questão preocupante e desenvolve projetos ligados ao tema no país.

As leis ultrapassadas, o difícil acesso à justiça e a condição do gênero feminino na sociedade moçambicana criam ambientes favoráveis ao aumento do abuso sexual no país, dizem especialistas.

Para Carlos Muhla, delegado da Liga dos Direitos Humanos na Província de Gaza, a violência contra a mulher tem uma raiz de desrespeito e indiferença – a começar pela importância feminina na sociedade.

– A mulher não é uma personalidade contada para tomada de decisões de forma negociada. No aspecto legal, as leis não estão suficientemente à altura de defender o direito feminino – explicou em entrevista ao portal Deutsche Welle.

Um dos exemplos é Tete, província onde estão sediados grandes projetos ligados à indústria extrativa, em especial o carvão, explorado por multinacionais. Na localidade, a ONU Mulheres desenvolve um programa que tem como objetivo fortalecer a capacidade do governo em proteger mulheres e meninas contra a violência.

Ondina da Barca Vieira, especialista do programa, afirmou em entrevista ao portal VOA que, para garantir o sucesso de projetos vinculados ao tema, além das autoridades governamentais, é necessário envolver também diversos outros atores e membros da sociedade civil, incluindo a imprensa.

– As meninas e mulheres na região têm difícil acesso a recursos, e isso é uma vulnerabilidade, que faz com que muitas vezes sejam expostas a riscos como forma de resolver ou tentar resolver esta situação.

Mais do que melhorar os serviços de atendimento a mulheres vítimas de violência, é necessário também trabalhar o outro lado da moeda: os homens.

Exemplo disso é a Rede Homens para Mudanças, entidade da sociedade civil que faz parte da delegação moçambicana na Comissão do Estatuto da Mulher, CSW.

Segundo o coordenador Júlio Langa, o envolvimento dos homens na questão da violência de gênero é essencial “como um caminho para para alcançar a igualdade de gênero” no país, afirmou em entrevista à Rádio ONU.

 

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