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Quase 90% das mulheres brasileiras já sofreram assédio em público

Leya

 

ActionAid, organização internacional de combate à pobreza, divulgou uma pesquisa que relata que 86% das mulheres brasileiras já sofreram assédio em público em suas cidades. O estudo ressalta ainda que o assédio em espaços públicos é um problema global.

 

Os dados revelam que o assédio mais sofrido pelas mulheres e que tende a ser comum é o assobio (77%), seguido por olhares insistentes (74%), comentários de cunho sexual (57%) e xingamentos (39%). Das mulheres entrevistadas no Brasil, metade afirma que já foi seguida nas ruas, 44% tiveram seus corpos tocados, 37% disseram que homens se exibiram para elas e 8% foram estupradas em espaços públicos.

 

– Os dados são impressionantes se pensarmos que a metade das mulheres diz que foi seguida nas ruas, metade diz que teve o corpo tocado – declarou Nadine Gasman, representante da ONU Mulheres no Brasil.

(Imagem: Divulgação ActionAid)
(Imagem: Divulgação ActionAid)

– É quase uma exceção raríssima que uma mulher não tenha sofrido assédio em um espaço público. É muito preocupante. A experiência de medo, de ser assediada, de sofrer xingamento, olhares, serem seguidas, até estupro e assassinato – enfatiza Nadine, recordando que os dados refletem também a desigualdade entre homens e mulheres na sociedade brasileira, em que as mulheres não são consideradas iguais aos homens no que concerne a direitos e oportunidades.

 

O estudo foi feito pelo Instituto YouGov e lançado no quadro do Dia Internacional de Cidades Seguras para as Mulheres, uma iniciativa da organização para chamar a atenção para os problemas de assédio e violência enfrentados pelas mulheres nas cidades de todo o mundo.

 

– A pesquisa mostra a naturalização da violência como uma prática bastante arraigada. Há a necessidade urgente e setorial de se enfrentar isso – declarou à Agência Brasil, a coordenadora da campanha Cidades Seguras para as Mulheres no Brasil, Glauce Arzua.

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