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Em entrevista, Nelson Monteiro fala sobre o futuro do empreendedorismo em Cabo Verde

(Imagem: Reprodução Sapo)

Presente em Maputo para participar do 4º Congresso Internacional do Empreendedor Lusófono, o vice-presidente Associação de Jovens Empresários de Cabo Verde concedeu uma entrevista exclusiva à Conexão Lusófona.

Confira:

1. O Nelson lidera uma organização empresarial juvenil em Cabo Verde, fale-nos um pouco da vossa organização empresarial, de como surgiu, quais os principais objetivos e resultados que tenham atingido até ao momento.

A Associação de Jovens Empresários de Cabo Verde foi criada em fevereiro de 2009, com o objetivo de “desenvolver e representar as jovens lideranças empresariais cabo-verdianas”. A AJEC surgiu com a ambição de atuar em quatro eixos principais, a saber:

– Representar os jovens empresários: defender os interesses do jovem empresário perante os poderes executivo e legislativo, apresentar propostas, participar de discussões e mantê-lo informado sobre o andamento dos acontecimentos políticos e económicos que dizem respeito ao micro e pequeno empresário e aos empreendedores iniciantes;

– Incentivar/promover o empreendedorismo: dar aos jovens empresários a oportunidade de conhecer pessoas do meio empresarial e trocar experiências com outras lideranças;

– Apoiar os jovens empresários: contribuir para a capacitação do jovem empresário através de cursos, workshops, visitas técnicas, debates e palestras;

– Promover a responsabilidade social nas empresas: ampliar a representatividade e a participação da entidade no universo empresarial através da discussão e da difusão do conceito de “responsabilidade social corporativa”.

Como ganhos, destacaríamos:

– Importantes ganhos a nível de política fiscal e outras, orientadas para PME’s;

– Ação influente sobre o setor público para questões relacionadas ao empreendedorismo, juventude e setor privado;

– Assento em órgãos consultivos de políticas setoriais;

– Prémio “Country of the Year 2012” – Semana Global do Empreendedorismo.

2. Como descreveria o ambiente de negócios em Cabo Verde neste momento e, em particular, para os jovens empresários?

Neste momento regista-se um aumento da dívida pública com consequente previsão de redução do investimento público a médio prazo, uma fraca competitividade das exportações e um mercado de consumo interno reduzido, daí que o crescimento económico de Cabo Verde nos próximos anos terá que ser “puxado” pelo investimento privado. Existe uma sensibilidade do Governo para melhorar o ambiente de negócios; no entanto, persistem constrangimentos importantes (acesso ao capital, custos de contexto, mercado pequeno e fragmentado e alguma ineficiência do Estado em setores-chave). Entretanto há uma previsão de crescimento dos setores de turismo, IT, agronegócio, pequena indústria para exportação e negócios relacionados com o mar.

3. Como é que um jovem empresário cabo-verdiano vê para o mercado lusófono (compreendido como países da CPLP com mais de 250 milhões de habitantes, as diásporas e outros falantes de português)?

Os jovens empresários de Cabo Verde devem conseguir aproveitar a dimensão e as oportunidades deste mercado lusófono. É claro que algumas condições devem ser garantidas por parte de cada país, como os mecanismos de financiamento e a proteção dos investidores, mas principalmente os jovens devem ter esta vontade e capacidade de explorar, conhecer e fazer negócios.

4. Que oportunidades e desafios existem para os empresários cabo-verdianos fora do seu país e para outros empresários lusófonos que queiram fazer negócio em Cabo Verde?

A nível de desafios destacaríamos:

– Acesso a capital: há uma baixa diversificação das soluções de financiamento;

– Custos de contexto elevados: infraestrutura, energia, água e comunicações;

– Competitividade da mão de obra: motivada sobretudo pelo desajustamento entre a oferta e as necessidades, em termos de quantidade, qualidade e nível de produtividade, e pela ineficiente legislação laboral.

– Baixa eficiência do Estado: em setores-chave como o relacionamento Fisco-Contribuinte, as Alfândegas e o sistema judicial.

A nível de oportunidades destacaríamos:

– Turismo: o acesso à atividade turística é livre e aberto a nacionais e estrangeiros. Existe um enquadramento legal favorável para investimento no turismo atribuindo-se benefícios adicionais ao abrigo do Estatuto de Utilidade Turística. Para “empreendimentos imobiliário-turísticos” de grande dimensão, poderão ser negociadas condições especiais por “Convenção de Estabelecimento” com o Estado cabo-verdiano.

– Logística: criação de uma rede logística integrada de recolha, armazenagem (com frio), embalamento (calibragem e embalagem de produtos agrícolas e eventualmente da pesca), distribuição e transportes marítimos inter-ilhas.

– Energias renováveis: Cabo Verde pretende que até 2020 o país seja abastecido a 100% por energia renovável seja ela de produção em grandes centrais ou a nível particular por microgeração (até 100 kwh). Com isto a legislação cabo-verdiana concede benefícios fiscais à aquisição de equipamentos sendo as soluções domésticas e as de apoio aos sectores da agricultura e da pesca os que se afiguram como mais interessantes.

– Agronegócio: existem oportunidade de investimento na produção agrícola e transformação industrial de excedentes – processamento e embalamento, podem ser exploradas em parceria com os proprietários de terrenos e instalações.

– Pesca: a situação geográfica privilegiada do arquipélago torna o mar um grande tesouro nacional. No mar podem surgir grandes oportunidades.

5. Como considera que seria possível promover o crescimento dos negócios entre países de língua portuguesa e quem é que considera que deveria liderar esses esforços?

Devem ser os governos destes países através da diplomacia económica juntamente com as associações empresariais. Deve existir uma política clara para a defesa dos interesses económicos e comerciais do país e deve também existir uma grande dinâmica de relacionamentos entre as associações, federações empresariais e câmaras de comércio.

6. O Nelson integra uma missão empresarial que veio a Maputo para participar no Congresso Internacional do Empreendedor Lusófono e desenvolver outros contactos empresariais em Moçambique, quais são as suas motivações para esta visita e para querer promover negócios entre Cabo Verde e Moçambique?

Enquanto associação de jovens empresários, é o nosso papel participar nesta missão. Enquanto vice-presidente da AJEC do pelouro diáspora e internacionalização, é minha responsabilidade e ao mesmo tempo uma honra representar a AJEC neste congresso.

Mas também a minha motivação pessoal é poder contribuir para esta “dinâmica de relacionamentos entre as associações empresariais” que deve beneficiar a todos os jovens empresários de Cabo Verde e inclusive a mim.

7. Esta semana, em Maputo, será também lançada a “Federação das Associações de Jovens Empreendedores da CPLP”. Que expectativas tem desta federação e que benefícios ela poderá trazer para os jovens empresários lusófonos?

A expectativa é que esta federação venha facilitar e fortalecer as relações empresariais entre associações empresariais dos países filiados, incrementando os negócios, importações e exportações nos espaços económicos onde estes países estão inseridos.

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